A Poente...

A Poente...
Na Baía de Nacala!

Alfacinha

Alfacinha
encontra Mapebanes

Luso calaico

Luso calaico
visita Etxwabo

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Is there anybody

12 de Agosto de 2010

Em Pemba, Wimby Beach, a Arquitecta R vem me buscar ao hotel no seu mini jeep e leva-me para o centro da cidade, sempre junto à marginal, à conversa na sua viatura TT. No centro dos centros, tentativa de acesso à internet (para aceder ao Plano de Maneio da Lagoa, enviado de Maputo) falhada. Almoço junto ao mar, vista explendida, mas serviço exageradamente lento; quase que desisto – escândalo? Ma non tropo! Acabo por comer. Peço desculpa, novas tecnologias da comunicação apoiadas nos ditos “telemoveis”, porque vou chegar atrasado. A Reunião com a D sobre a EETLK, Parque Nacional das Quirimbas, decorre calmamente, sem problemas, muito cordial, durante uns 90 minutos. Volto para Wimby e vou ver o P no Pemba Diving: mergulho só talvez amanhã; mas não é certo, se calhar só de tarde. Avanço, praia fora maré baixa, para uma visita ao barco do G; subo a escada e depois de circundar o convés sento-me à mesa dos mapas; chegam D e B, falamos sobre os cabos, as roldanas, as velas, a impermeabilisação, as âncoras. O sol chapa forte. O veleiro está encalhado na areia da praia vazia. Regresso ao Hotel para uma pequena sesta. Bate o vento, abre o apetite e há que sair para jantar. Muito perto, sempre animado, em cima da praia, música ao vivo - embora um pouco spaced out - está o Dolphin, mosquitos não largam, chega o R. O serviço está um pouco desleixado. Mergulhar não vai dar. Então, let´s go north! Cama, que amanhã há muitos kilómetros para fazer. Tarefas cumpridas, let’s go exploring!

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Terras Maconde

13 de Agosto de 2010

Saida de Pemba cedo, velocidade constante, boa estrada para o interior, savana e floresta secas, virar à direita em Sunate, passar a floresta mais densa e verde do Parque Nacional das Quirimbas, para Macomia. A partir daí a estrada está péssima, até Chai e ao cruzamento para Mocimboa da Praia; viro à esquerda para Mueda, sempre pela estrada principal, um pouco melhor, que vai subindo lentamente, até avistar o planalto. Subida ígreme e estamos no famoso planalto Maconde, grandioso, pouco mais à frente a vila de Mueda, sede de Distrito; foram mais 400 km em 5 horas. Re-atesto o depósito de diesel, encomendando logo o “jantar” ao Sr. Coelho, antigamente no bar da estrada no cruzamento de Macomia, agora na pensão para a dormida, em Mueda. Uma boa galinha assada, batata frita e salada, laurentina bem gelada, café. Depois um passeio a pé pela rua principal, muita gente no mercado, ambulância a entrar no Hospital, bicicletas muitas e motorizadas algumas, carros (carrinhas de caixa a maioria) poucos; pela areia, andando lentamente até ao fim do alcatrão, onde se encontra a antiga casa da administração portuguesa. Moradia pequena, branca, local do histórico “massacre” – tem um museu, mas já era tarde e estava fechado. Desvio 100 m a Sul, estou sobre a linha de crista do planalto: ao longe e em baixo, a paisagem da planicie de savana estende-se a perder de vista. O sol já se pôs, em tons lindíssimos, está na hora de regressar, calmamente sem pressa e de ir dormir. Amanhã há que levantar muito cedo; porque até aqui, o percurso já era bem conhecido; mas daqui para a frente, está tudo por descobrir!

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Mambo

14 de Agosto de 2010

Sábado. Saio muito cedo, alvorada a despontar. De Mueda até Negomane, são 150 km de pista, razoável em geral, maior parte de areia, sempre para o interior, que se vai aproximando a pouco e pouco do grande Rio Rovuma, percurso feito em 3 horas. Passamos Gungure e Nazombe, descemos o planalto e abordamos pequenas colinas, curvas e piso rochoso. Depois existem 4 ou 5 bocados muito maus, perigosos mesmo: pó vermelho finíssimo, aderencia zero; em terceira a 60, deslize à direita, saída da pista com subida da berma, sem árvores, estabilização, paragem, retomo a via principal. No problem! Raros macacos (2) e muitas queimadas, cinza, carvão, fumo em alguns sítios. De repente, galga-se da pista para uma recta perfeita de alcatrão, com sinalização muito bem pintada (financiamento chinês). Lentamente, ao longe, aparecem 2 enormes presas brancas verticais - imitando os dentes de elefante, marcando a travessia. A passagem do posto fronteiriço moçambicano, perto da vila de Negomano, pelas 8 h, faz-se sem dificuldades e a Ponte da Amizade, obra bela de estilo e forma, leva-nos até ao lado norte do largo Rio Rovuma. Em Masuguru, o visto são 50$US, o seguro do carro 25 e o Boletim Internacional de Vacinas controlado para a Febre Amarela. A revista do carro é anunciada mas simbólica. Mas o número de motor é metódicamente verificado tendo sido detectado um erro de transcrição – corrigido sem mais problemas. Seguem-se 40 km de pista média, não se enganar nos dois desvios, até um cruzamento principal onde a estrada está em construção (Nangomba) e voltamos a apanhar bom alcatrão, mais 70 km, até Masasi. O ATM do Banco funciona com VISA, mas como não há valores cambiais à vista, está um caos para as contas. Mais 124 km de alcatrão regular, bonitos montes e palmares, aldeias com cabanas e barracas idênticas às de Moçambique, até Lindi, já na costa, com praia e larga baia de mar azul. O vento é fresco. Total percorrido hoje, 400 km, ainda é dia, procuro sítio para dormir. Hotel na praia, 85.000 Sh, muito caro. Vejo preço do diesel, confirmo o valor do dollar (1$US=1.540 Shilling). Tiro 150.000 Sh no ATM e atesto o depósito. No Adela Lodge tem um quarto a 15.000 Sh, com casa de banho privativa e água quente. Peixe e batatas fritas, molho picante, cerveja gelada. Soube muito bem. Mas o corpo pede o descanso.
Para já preciso das expressões básicas para comunicar. Em Swaili, obrigado diz-se ASSANTÉ, e muito obrigado, ASSANTÉ SANA!
Bonitas palavras em Swaili são:
MAMBO !? (= Como está?);
BOA (= Bem);
KARIBU! (= Bem vindo).

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Pista terrível

15 de Agosto de 2010

Domingo. Preparo-me psicológicamente para mais 464 km de estrada africana, percurso para Norte, paralelo à costa, de Lindi a Dar es Salam. Retiro mais 150.000 Sh no ATM e faço os primeiros 250 km em estrada de alcatrão boa, com exceção das lombas altíssimas e estrias repetidas muitas vezes, em todas as aldeias, que parecem desfazer o carro com a vibração. Muita atenção, alguns camiões de longo curso, as galinhas e as cabras atravessam a estrada nas aldeias, causando algum slalom! Então aparece talvez o pior de todos os bocados de pista em Ndundu: estrada em construção, picada alternativamente de um lado ou do outro, de areia funda, solta, muito irregular, lombas e valados, buracos inesperados não assinalados, sobe e desce, cerca de 60 km em primeira e segunda, quase 3 horas. Cruzo vários rebanhos de gado, caprino e bovino, com os seus pastores. Esta parece ser uma zona inundável na época das chuvas. Seguem-se cerca de 160 km de estrada boa, onde cruzo vários “Masai” reconhecíveis pelo seu singular padrão de vestir (capulanas vermelhas e em tons de azul, pau na mão). Sempre muita gente nas aldeias, bastante pobres, alguns macacos aparecem na estrada perto. Até à abordagem da periferia de Dar, muitos kilometros quadrados de bairros de lata no meio do palmar, dezenas de pequenas colinas, o mar não muito longe, primeiro engarrafamento: um caos de muitíssimos “chapas” e outros, que triplicam e quadriplicam as filas, cortam e invertem, grande barulheira e confusão, 20 minutos para avançar 500 m. Procuro ajuda para chegar a Starlight Street, que fica perto da pensão indicada pelo Dominique. O guia local é agradecido com 1.000 Sh e há 1 quarto livre no último andar do Hotel Holiday, no bairro antigo no centro de Dar. A direcção do carro está muito pesada, deve haver algum problema, verei amanhã; é tarde, noite e estou cansado; também o borne da bateria deverá ser substituido, para evitar ter que abrir o capot de cada vez que tenho que por o carro a trabalhar; o carro está sujíssimo, poeira e areia aos quilos por todo o lado, necessita uma limpeza geral. Amanhã em Dar será o dia para a mecânica! No Holiday Hotel o quarto está a 30.000 Sh, sem pequeno almoço, mas é bastante limpo e tem um terraço com uma vista explendida para as ruas da cidade e as mesquitas. Estamos no Ramadam e os “Moidzin” competem no apelo às orações, através dos "alti-falantes" colocados no alto das torres das Mesquitas. Lavar roupa e jantar no restaurante muçulmano na rua em frente ao hotel: sumo de laranja e boa comida. Totalizo aqui 2.285 km desde a saída de Quelimane. Apesar de não ser a Capital da Tanzania (que é Dodoma, quase no centro geográfico do país), Dar é a maior cidade num raio de vários milhares de quilómetros rodoviários ou marítimos.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Swaili

16 de Agosto de 2010

Com a ajuda do rececionista do Hotel, pago ao guarda nocturno da viatura 6.000 Sh e chamam-me um mecanico para ver o carro, que identifica imediatamente o problema: bomba de direcção com eixo partido. Chama o irmão que fala inglês, orçamento da peça 100 $US (150.000 Sh na casa de câmbio), mão de obra 50 $US, diz que fica pronto em 1 hora. De acordo, chamamos um taxi e vamos ao mercado de peças labiríntico comprar aquela. O mecânico já tinha desmontado a bomba, volta a montar rápidamente, em plena rua, passantes nem reparam. Taxi, 6.000 Sh, óleo de direcção 5.000 Sh, despejo mais 2 l de óleo motor, substitui o borne da bateria, está ótimo. Entretanto, 100 Sh à hora de parqueamento, os empregados municipais colocam regular e compassadamente as senhas quadradas de papel nos para-brisas. A rua e toda a zona é muito movimentada a esta hora da manhã, pessoas e viaturas em circulação constante, bicicletas, muitas motorisadas, carroças e todo o tipo de pequenos transportes. Procuro um "car-wash" - a lingua inglesa predominante no comércio, saio do bairro velho por uma avenida principal, 4 ou 5 km mais à frente já lá estamos: lavagem geral, interior, exterior e motor, assisto sentado num podium à sombra, 20.000 Sh; lubrificação 5.000 Sh, revela que não tem oleo na caixa nem nos diferenciais: compro 10 l, mais 55.000 Sh. Enquanto espero, saio na ruela em frente, pequenas lojecas, compro um cartão para o telemovel com um número tanzaniano – Tigo! O moço instala tudo, está pronto a funcionar. O cash está a acabar, já utilizei hoje o VISA, sigo para um banco para trocar 250 $US a 1.468 Sh (367.000 Sh). Resumidamente, 1 $US = 1500 Sh, 1 Mt = 40 Sh. Finalmente, “Almoço / lanche” no restaurante muçulmano da rua em frente, com sumo de maracuja, bem cozinhado, apetitoso, companhia variada. Por toda a cidade o transito é caótico, quase impossível passar e orientar-se, vale mais andar a pé. Os Moidzin chamam para as orações do alto das torres das mesquitas, forte e bom som. O Swaili soa bastante bem, mas não é fácil: Muhuri wa Msimamizi wa Uchaguzi au Muhuri wa Serikali Ya Kijiji? Ou então: Fomu ya maombi ya kugombea ujumbe wa halmashauri ya kijiji? Adivinhem! Em Dar es Salam, foi fundada a Frelimo. Para Moçambique, tem um valor mítico! É uma grande cidade africana.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Zanzibar

17 de Agosto de 2010

Na terça-feira, o trânsito está intenso, com todos os quadros superiores, políticos e outros – bons carros - a entrar na cidade em direcção ao centro administrativo, junto ao Porto; saio de Dar es Salam para Norte, paralelo à costa em direcção a Bagamoio (vila que acolheu em tempos muitos moçambicanos), em estrada boa são 68 km. Pouco depois entro na povoação, pequena, localizo a praia com os dowhs, pergunto logo se há transporte para Zanzibar; um dos presentes pede 50 $US + 100.000 Sh; esta não é a hora de saída (normalmente viajam à noite, a partir da meia noite ou uma da manhã); o vento está contra, terão que usar o motor e o barco é só para nós; OK. Leva-nos a um complexo turístico para deixar o carro guardado (20.000 Sh). Voltamos a pé ao centro da vila e tomamos o pequeno almoço num bar simpático, junto à alfandega, enquanto o nosso amigo trata dos preparativos para a viagem. As portas das casas são muito trabalhadas, em madeira, com bicos salientes, metalizados e geométricos, constituindo autênticas obras de arte. Vamos para a praia. Depois de alguma discussão entre tripulantes e outros, está muito sol e calor apesar do vento do mar, entramos num dowh; a discussão continua, gesticulam, falam muito alto, mudamos para outro; questão, claro, de pagamentos; carregam 6 sacas grandes de areia para lastro e estamos a arrancar. São 5 tripulantes (o nosso “agente” mais 4 marinheiros), 4 horas de viagem, quase sempre à vela, sempre muito sol, céu azul, mar um pouco agitado. Passamos duas ilhas de areia muito branca, alguns pássaros cinzentos e brancos e duas zonas de fundo baixo, com pedras e corais, cruzamos-nos com 2 canoas de pescadores e um dowh de comerciante. Avista-se muito ao longe e chega-se por fim à ilha de Zanzibar, grande, comprida, com fachadas brancas, rosa e castanho, recortadas de muitos arcos, de arquitectura deveras interessante, uma mistura de Ilha de Moçambique e “próximo oriente”, cerca das 17 h. O Porto comercial estava bastante movimentado, 1 navio a descarregar, 2 flutuadores rápidos 1 a sair, vários outros barcos a passar. Saimos pelo porto de carga da população, para uma rua movimentada; os “Chapas” típicos muito decorados apressam-se a descarregar e carregar passageiros, circulam rápido; seguimos em direcção ao porto de pesca, bem mal cheiroso e o mercado do peixe oferece grande e abundante escolha. O nosso amigo ajuda-nos a encontrar um Hotel razoavel, Adam’ Inn Hotel, Malindi Street, 40.000 Sh por noite, com pequeno almoço. Mesmo à frente, na pequena praça, está o carismático e elegante Cine Afrique! Jantar na Pizaria do Italiano, depois do mercado, bom mas caro: clientes só brancos, mas tem cerveja e vinho. Aqui o mercado nocturno é animadíssimo também, com muita gente, abundância inusitada de tâmaras, todo o tipo de frutos, especiarias, legumes e outros manjares, cheiros e cores surpreendentes. Um pedaço de Oriente!

sábado, 2 de outubro de 2010

Back to the continent

18 de Agosto de 2010

De manhã é para passear no mercado da Cidade de Zanzibar, autêntico “souk”: as lojas – de roupa oriental cheia de cores e brilhantes, de sapatos, de ferramentas, de ouro e prata, de quinquilharia, de alimentação, os clientes muito variados e também coloridos, as linhas das ruas e fachadas, a forte influência muçulmana quase que me transportam para Marrocos ou Tunisia, apesar da numerosa população negra. O ambiente é totalmente Muçulmano; de facto esta ilha não é bem Tanzania, mas uma espécie de protectorado. As ruas muito estreitas e as varandas trabalhadas dão a sombra. Os portais de algumas fachadas, em portas e janelas, parecem rendas de bordados. Do terceiro andar, veêm-se os terraços e as torres das Mesquitas. O ATM está a funcionar, saem mais 150.000 Sh. O nosso amigo pede um preço muito exagerado para o bilhete de volta; o dowh de ontem já não está no porto; discutimos e por fim acordamos um preço de 15.000 Sh / pessoa, mas num barco de população normal, maior, carregadíssimo de tralha (frigoríficos, fogões, máquinas de lavar, caixotes) e pessoas, cerca de 25; só há um pequeno espaço para sentar. Pago 500 Sh para entrar no Porto, ao Revolutionary Government of Zanzibar e embarcamos; muita discussão, saimos lentamente do porto com motor, desfraldam a vela e ganhamos velocidade com vento favorável cerca das 13h 30m. O mar está mais agitado que ontem, com algumas ondas de 3 metros e mais; as conversas e debates vão decorrendo em Swaili, sempre muito animadas e sem problemas chegamos a Bagamoio após 3 horas de vela. A saída na praia é dentro de água, com sacos à cabeça. Retomamos o carro, re-arranjo dos sacos, duche, vestir, Tchau, obrigado e até à próxima. Saio com 2.370 km em direcção a nova pista, mais ou menos regular, para chegar a Msata, já na estrada principal de alcatrão; entretanto, já ao cair da noite, ao passar numa aldeia, Masugulu, ruído de arrasto, o pisa pés do lado esquerdo partiu 2 dos 3 apoios e caiu. Indicam-nos uma palhota, falo (mais por gestos) com o mecânico. Gerador, máquina de soldar, deitado na areia por baixo do carro, aplica vários eléctrodos e a situação está resolvida: 20.000 Sh, obrigado e até à próxima. A partir de Msata a estrada está bastante boa, em direcção ao Norte, faço ainda bastantes km de noite, aldeias como Mabuku, Manga, Mkata, Mgambo, atravesso várias barreira de estrada (polícia) sem que me façam parar até chegar a Korogwe. Não há quarto no Motel White Parrot. Dirijo-me ao centro da povoação, antiga e pobre à direita saindo da estrada principal, descobrindo uma pensão local, muito modesta, onde ninguém fala inglês. Quarto sem casa de banho, mas é tarde, estou cansado, não dá para procurar mais nada. Um dos homens da casa acompanha ao restaurante nas Bombas de Gazolina, onde podemos comer – sofrível! Voltamos à pensão, lavar os dentes e cama – sem rede mosquiteira; mas aqui os mosquitos também não aparecem, está bastante fresco!

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Miragem nas nuvens

19 de Agosto de 2010

Saindo do albergue no centro antigo de Korogwe, no sopé e início da cadeia montanhosa Usambara, dirijo-me para as Bombas de Gazolina onde servem um bom pequeno almoço, com sumo, ovos, pão e café. Retomo a estrada em direcção a norte / noroeste, bastante boa, sempre paralela à fronteira com o Kenia, a Norte: a sudoeste, a extensa estepe Masai, seca a perder de vista; a nordeste, uma cordilheira de pequenos montes seguidos em linha, cada vez mais altos, a perder de vista nas nuvens muito ao longe. Passo as aldeias de Makuyuni, Mombo, Makaka, Makanya e paro em Same para levantar dinheiro; mas o banco não tem ATM com VISA. Retomo a nacional, está muito calor. Nisto, ao longe, saíndo acima das nuvens brancas, um reflexo mais branco e muito brilhante: a encosta junto ao cume do Kilimanjaro surpreende o horizonte com os seus reflexos de neve alvíssima, um espectaculo singular. Plantações de Sisal a perder de vista, muitas plantas espinhosas, árvores e arbustos, flores brancas, amarelas roxas, sobre um solo arenoso amarelo avermelhado! Mais um pouco, aumenta a densidade populacional e a presença de explorações agrícolas, pequenas fábricas, mais casas e movimento e chego à cidade de Moshi, com 2.880 km de viagem, no sopé sul do Kilimanjaro. Boa notícia, a segunda ATM funciona, no Standard Bank e retiro 150.000 Sh sem recibo. Peço um café e vejo uma pequena loja, Tourism Office. Explicam-me as condições para a subida da montanha, alertando que para chegar ao cume, são precisos pelo menos 3 dias; a ideia será subir amanhã, até onde for possível, depois descer. Indicam-me também um hotel económico, 25.000 Sh / noite, com pequeno almoço, o Umoja Lutheran Hostel. Procurar o Hotel não é fácil, poucos falam inglês, mas instalo-me rápidamente e saio para um pequeno passeio a pé no centro da cidade, bastante agitada; compro 2 mapas na Livraria Católica. Janto no self service do Hotel, preço económico, sem bebidas alcoolicas mas com café (instantaneo mas bastante bom). Filme no quarto para adormecer, tentar não levantar tarde amanhã!

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Kilimanjaro

20 de Agosto de 2010

O Kilimanjaro, resultante de antiga erupção vulcãnica, originária do Grande Rift, a maior montanha de toda a Africa, está reservado para esta sexta-feira. Cerca de 330 km a Sul do Equador, em cima da fronteira entre a Tanzania e o Kenia, encontram-se 2 volcões adormecidos (Kibo, 5.895 m e Mawenzi, 5.149 m) e um extinto (Shira, 3.962 m). Levanto-me pelas 8 no hotel em Moshi para tomar o pequeno almoço, tiro 150.000 Sh no ATM sem recibo, atesto o depósito e começo a subir a montanha de carro, pista muito dura, irregular, cheia de pedras, zona densamente habitada e cultivada (agricultura familiar), muitas casas bonitas, jardins, várias igrejas cristãs, carne pendurada em muitas barracas e estabelecimentos, porcos, plantações de café, bananeiras, floresta luxuriante. Está fresco e o céu está todo coberto de nuvens cinzento escuro. A montanha não se vê. São cerca de 45 km até à porta principal do Parque Nacional Kilimanjaro. Fui sem guia e em direcção da porta de Umbwe Trail. Passo uma zona de lava totalmente solta e finalmente chego à porta. Um guarda informa-nos que aqui não se pode entrar e fornece-nos um mapa para atingir o local certo. Desco e retomo a direcção da porta de Machame Trail. Retomo o alcatrão e subo à direita em muitas curvas bastante íngremes. È a porta principal do parque. Estão vários jeeps artilhados de safari e vários grupos de brancos, sobretudo anglofonos. O preço de entrada é de 65 $US por pessoa, mais 1 $US. Já não tenho dollars e sou obrigado a pagar 21 $US com o cartão da CGD. Para o guia, Glady, serão 20.000 Sh a pagar no final do percurso. Esta porta principal está já a 1.800 m de altitude. Entramos com o carro para o parking e começamos a subida a pé, bastante íngreme, às 12h 15 min, por uma pista larga; passamos a entrada pedestre (aos 2.000 m) seguindo por um carreiro estreito no meio da floresta imponente. Os fetos gigantes, as lianas de musgo, as árvores enormes, a densidade de toda a vegetação, são inéditas. Por aqui ou acolá, minusculas flores, orquideas, vermelhas e amarelas, roxas, azuis, brancas. A subida é puxada e de quando em quando é preciso descansar. Às 17h 10 min, após quase 5 h de subida rápida, chegamos à cascata, a 2.500 m; provo a água fresca e comemos bolachas e amendois; os únicos animais que vimos foram alguns esquilos e vários pássaros, grandes e pequenos. O céu agora está ainda mais cinzento, totalmente coberto de nuvens. Está fresco, fresco! O Parque fecha às 18 h, assim teremos de iniciar o percurso de regresso. A descida a pé acaba na mesma porta principal, pelas 18h e 22 min. Foram 6 h de marcha esforçada, as pernas estão a doer, muitas fotografias. O guia, Glady, é de etnia e lingua “Chaga”: Eka! (Obrigado!). Regresso à cidade agora sempre por estrada de alcatrão, que desce muito e tem muitas curvas perigosas. Agora já com céu limpo, a figura do Kilimanjaro cheio de neve, recorta-se fortíssima no céu azul. Já em Moshi procuro um restaurante com melhor qualidade que o Hotel, indicam-me um restaurante “Masai”: comida boa, mas caro. Enfim! È para celebrar a grande subida, vale a pena! No hotel, lavar a roupa, arrumar bem as mochilas para amanhã, quando sairemos para mais 560 km, em direcção ao Lago Vitória. Um descanso merecido.

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Os Grandes Lagos


21 de Agosto de 2010

Hoje é Sábado. O objectivo pre definido é chegar ao Lago Vitória – segundo conselho de meu grande amigo. Antes de sair de Moshi meto 2 l de óleo no motor do carro, estão até agora 2.959 km rolados. Saída para Oeste, interior, em direcção a Arusha, cidade importante e muito movimentada, que atravesso após multiplos engarrafamentos, passo o aeroporto, planície vasta, chego a Makuioni, população Massai por todo o lado. Viragem á direita, ainda na grande estepe, para subir para o planalto junto ao lago, terra muito vermelha até à vila de Karatu, passagem sob as árvores brancas, coloridas dos enormes e muitos passarões que nelas habitam, mais um pouco e paragem na Lodoale Gate (onde acaba a estrada alcatroada), porta do Parque Ngorongoro (outro vulcão, na linha do Grande Rift) . São até agora 3.200 km; o objectivo era passar até ao lago Vitória pelo caminho mais curto; mas esta pista atravessa 2 parques nacionais (Ngorongoro e Serengeti), são 50 $US por pessoa mais 40 $US para o carro, vezes 4 (ida e volta), para uma estrada muito má, portagem muito cara! Não há outra via, a não ser descer mais a Sul, contornar e fazer 950 km em vez dos 400 previstos, vezes dois. Desisto, será o momento certo para iniciar o regresso! Os macacos aqui fazem parte da população normal. Volto a Karatu, à procura de almoço e de capulanas Massai. Bonitas, em tons vermelhos e azuis, muito caras – tipíco para turista branco! Em Swaili, o acompanhamento mais popular e frequente das refeições, base da alimentação, a farinha de milho cozida, chama-se UGALI (a “Chima” de Moçambique). Estava bom o almoço e tinha cafezeiros no jardim. Desço o planalto, curvas perigosos, paisagem espectacular sobre a falésia, o lago e a estepe. Na base entro no “Lake Manyara Park”, um parque à volta do largo e comprido lago a perder de vista no nevoeiro a sul, junto á falésia do planalto vermelho interior; 350 km2, tem macacos, elefantes, leopardos, bufalos, bois-cavalo e muitos pássaros. Entrada 35 $US por pessoa, 40 $US para o carro e 10 $US para o Guia. Tiro algumas fotos e retiro-me ao pôr do sol, acompanhando os Masai que recolhem os rebanhos de gado bovino e caprino. Paro junto às manadas de burros para a fotografia. O luz do final de tarde transmite à estepe tons irreais. Regressar à noite è mais fatigante – concentração extrema, lombas e camiões! Pelas 20 h, após 162 km estou de regresso a Arusha (e vão 3.362 km), encontro um hotel chinês (45 $US / noite), quarto nice, casa de banho com água quente, restaurante e bar, parking, com guardas e empregados Massai: jantar, rápido, oriental e saboroso tipo china. Conversa, alguns brancos, retiro-me para o quarto; duche quente e canais TV strange. Descanso! Total silence.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Back home


22 de Agosto de 2010

No Domingo de manhã, depois de um duche quente (estamos nas montanhas e aqui faz um pouco de frio), não muito cedo, saída de Arusha, depois do pequeno almoço e de 2 fotografias com o Massai do Hotel, passando por Moshi e parando em Korogwe para atestar diesel. Na estepe Massai as extensas culturas de sisal perdem-se de vista muito ao longe. Bonitas as flores e os cactus deste deserto! Cruzo-me com vários pastores Massai acompanhando os seus rebanhos. Céu limpo, muito calor. Vou comendo amendoim, caju e bebendo muita água. E numa viagem quase “non stop” até Dar es Salam, interrompido pela polícia de trânsito: aparelho electrónico marca 79 km / hora, placa de aldeia determina 50, polícia diz que a multa são 50.000 Sh. Explicação sobre longa viagem, inexistência de ATM, cordialmente acaba por perdoar, com um pouco mais de conversa em Inglês. A polícia deste país é muito atenciosa, muitos falam inglês, fazem perguntas sobre Moçambique e gostam de quem aprecia o seu país. Passo outra vês em Msata, continuando desta vez pela nacional de bom piso. Chegando a Chalize viro à esquerda, passo Kibaha. Muito trânsito ao chegar próximo de Dar es Salam, já de noite, onde chego às 20 h depois de 627 km. Estou cansado. Atestar diesel que o depósito está quase vazio e levantar 110.000 Sh no ATM. O carro faz uns barulhos esquisitos e vai-se abaixo fácilmente quando está ao ralentie, com trabalhar irregular. Procuro outra vez o Holiday Hotel no centro antigo, que tem um quarto livre – grande ventoinha no teto, o céu! Rápidamente procuro também sítio para jantar, não Muçulmano, onde se possa beber uma cerveja. Na mesma rua, mais à frente, um restaurante chinês, rápido, relativamente barato. Um passeio nocturno para apreciar o movimento da cidade. Vários grupos de pessoas dormem na rua. O trânsito está por agora mais calmo. Nesta zona há poucos bares, os que há fecham cedo, devido à predominancia muçulmana na área. Toca a ir dormir que o corpo pede!

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

PAZ


23 de Agosto de 2010

Em Dar es Salam – que significa originalmente em árabe Palácio da Paz, o Holiday Hotel está no centro antigo (1950), perto do porto, no bairro Kariakoo, Jamhuri Street, perto também da Jumbo Inn e da Starlight Street. Penso que a fundação da Frelimo ocorreu por aqui nos inícios da década de 60. A linha cultural dominante é: tolerãncia zero à violência. Após 47 anos de independencia sem guerras, os Tanzanianos sabem que conseguem resolver tudo a falar. De manhã, mata bicho no quarto de maçãs e sumo; sem pressa, passear pelo “souk”, para a compra de 2 CD de música Tanzaniana. Passeios estreitos, muitos carros, motorizadas e carroças, bicicletas a passar nas ruas, lojas de ferramentas, construção civil, telemoveis, sapatarias, comida, farmacia, roupa, electrodomesticos, gente em movimento por todo o lado: o comércio em grande expressão! Não longe da rua do hotel concentra-se em 3 ou 4 outras ruas o mercado das capulanas. Muitas lojas, pequenas e grandes, com balcão para a rua ou no interior dos edifícios, debaixo das belas arcadas e varandas, variadíssimas cores, tamanhos, tecidos, qualidades, padrões, um prazer para os olhos. Bueno! Está muito calor! Hora da sesta, toca a descansar e dormir, que bem preciso, embalado pelos apelos à oração dos Moidzin nas torres das Mesquitas. A ventoinha grande no teto traz o céu. Os sonhos dirigem-se para a estepe em vermelhos Massai. Mais tarde, à fresca da noite, para o jantar encontro um restaurante tanzaniano, tipo discreto ou refundido, boa comida acompanhada por uma cerveja Kilimanjaro, geladinha!

Paz




Em Dar es Salam – que significa em árabe Palácio da Paz, o Holiday Hotel está no centro antigo, perto do porto, no bairro Kariakoo, Jamhuri Street, perto também da Jumbo Inn e da Starlight Street. Penso que a fundação da Frelimo ocorreu por aqui nos inícios da década de 70. A linha cultural dominante é: tolerãncia zero à violência. Após 47 anos de independencia sem guerras, os Tanzanianos sabem que conseguem resolver tudo a falar. De manhã, mata bicho no quarto de maçãs e sumo; sem pressa, passear pelo “souk”, eu para a compra de 2 CD de música Tanzaniana e a Mércia umas bonitas capulanas, para ela e para a mãe. Passeios estreitos, muitos carros, motorizadas e carroças, bicicletas a passar nas ruas, lojas de ferramentas, construção civil, telemoveis, sapatarias, comida, farmacia, roupa, electrodomesticos, gente em movimento por todo o lado: o comércio em grande expressão! Não longe da rua do hotel concentra-se em 3 ou 4 outras ruas o mercado das capulanas. Muitas lojas, pequenas e grandes, com balcão para a rua ou no interior dos edifícios, variadíssimas cores, tamanhos, tecidos, qualidades, padrões, um prazer para os olhos. Bueno! Está muito calor! Hora da sesta, toca a descansar e dormir, que bem preciso, embalado pelos apelos à oração dos Moidzin nas torres das Mesquitas. A ventoinha grande no teto traz o céu. Os sonhos dirigem-se para a estepe. Mais tarde, à fresca da noite, para o jantar encontro um restaurante tanzaniano, tipo discreto ou refundido, boa comida acompanhada por uma cerveja Kilimanjaro, geladinha!.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Tipo como se estivesse quase a chegar a casa...

24 de Agosto de 2010

Saída de Dar es Salam pelas 7h 30m, sem pequeno almoço e com muitos engarrafamentos, contador marca 4.010 km. Paro logo à frente na mesma garagem da última vez, para verificar o óleo e trocar as duas rodas da frente; o pneu está comido na faixa externa da roda esquerda. Não calibram as rodas aqui e o carro começa a fazer trepidação aos 80 km por hora. Paro em outra oficina, já na estrada em direcção a Lindi, “Tyre Service”, sem resultado; vou ter que suportar este “shiming” até Pemba ou Nampula; a loja de conveniencia tem sumos e maças. O carro continua a ir-se abaixo fácilmente ao ralentie. Atesto de diesel e de óleo de direcção, que já não tem; deve estar a perder por outro sítio. Passo Vibura, Bungu, Kibiti. Na passagem de cada aldeia, existem mais de 6 faixas de estrias e 2 ou 3 lombas que obrigam a reduzir para primeira ou segunda, 20 km / hora, para não desfazer o carro com a vibração. Tirando isso os primeiros 160 km decorrem sem dificuldade. Ndundu: chegamos então ao bocado péssimo de 60 km de pista, junto à estrada em construção; muita poeira, solavancos, raros camiões, alguns macacos. Cruzamos-nos com pastores de gado, figuras insólitas, de galochas coloridas. Mais à frente, Nangurukuru, a estrada está boa e chego a Lindi ainda de dia com 456 km. O vidro de traz já não fecha, esqueci-me do problema, abri, deixou de funcionar. Atesto o carro de diesel e procuro a mesma pensão (ADELA) para comer e dormir; o moço atende muito bem, tem quarto mas é mais caro que da ultima vês (30.000 Sh), porquê tem sala de estar e televisão (que apanha mal os canais). Chamam rápidamente um electricista para reparar o vidro do carro, mas a tentativa práticamente às escuras, falha; vai ficar aberto durante a noite e amanhã iremos à oficina. Garantem que nada será roubado. Estamos no Ramadam e a vila está muito sossegada. Uma cervejinha bem fresca e peixe com batas fritas, molho picante.

Tipo como se já estivesse quase a chegar a casa...

24 de Agosto de 2010

Saída de Dar es Salam pelas 7h 30m, sem pequeno almoço e com muitos engarrafamentos, contador marca 4.010 km. Paro logo à frente na mesma garagem da última vez para verificar o óleo e trocar as duas rodas da frente; o pneu está comido na faixa externa da roda esquerda. Não calibram as rodas aqui e o carro começa a fazer trepidação aos 80 km por hora. Paro em outra oficina, já na estrada em direcção a Lindi, “Tyre Service”, sem resultado; vou ter que suportar este “shiming” até Pemba ou Nampula. O carro continua a ir-se abaixo fácilmente ao ralentie. Atesto de diesel e de óleo de direcção, que já não tem; deve estar a perder por outro sítio. Passo Vibura, Bungu, Kibiti. Na passagem de cada aldeia, existem mais de 6 faixas de estrias e 2 ou 3 lombas que obrigam a reduzir para primeira ou segunda, 20 km / hora, para não desfazer o carro com a vibração. Tirando isso os primeiros 160 km decorrem sem dificuldade. Ndundu: chegamos então ao bocado péssimo de 60 km de pista, junto à estrada em construção; muita poeira, raros camiões, alguns macacos. Cruzamos-nos com pastores de gado, figuras insólitas. Mais à frente, Nangurukuru, a estrada está boa e chego a Lindi ainda de dia com 456 km. O vidro de traz já não fecha – a Mercia tinha comprado plantas, à saída de Dar, para plantar no jardim da sua casa em Nicoadala, esqueci-me do problema do vidro, abri, deixou de funcionar. Atesto o carro de diesel e procuro a mesma pensão (ADELA) para comer e dormir; tem quarto mas é mais caro que da ultima vês (30.000 Sh), porquê tem sala de estar e televisão (que apanha mal os canais). Chamam electricista para reparar o vidro do carro mas a tentativa falha; vai ficar aberto durante a noite e amanhã iremos à oficina. Garentem que nada será roubado. Estamos no Ramadam e a vila está muito sossegada. Uma cervejinha bem fresca e peixe com batas fritas, molho picante.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

The mechanical catastrophe

Safari Tanzania 16

Logo de manhã, depois do “mata-bicho”, vou para a oficina indicada e acompanhado pelo moço do Hotel. Vários mecânicos, orientados pelo “boss”, 2 aprendizes, desmontam tudo, lavam, lubrificam, remontam; 15.000 Sh (dou 20.000) e o vidro trazeiro parece estar bem reparado, pelo menos a funcionar com a chave na porta de tráz. Compro uma caixa de cerveja em lata Kilimanjaro para ter uma “lembrança” para todos os amigos. Um Moçambicano emigrado, ajuda na interpretação da procura; de facto, a intermediação é muito pouco eficaz nos preços – a vida aqui para ele também não está a correr bem, dinheiro está difícil, pensa como há-de fazer para retornar a Moçambique com a família. Tiro 50.000 Sh no ATM e vou pagar o quarto. Saída de Lindi às 11 h, contornando o golfo, para fazer 150 km de estrada boa de alcatrão até Masasi. Ao chegar, no abrandamento para a primeira lomba, já depois das 3 fachas de estrias, noto fumo exagerado e muito branco a sair do escape! Pouco mais à frente, solicito a uns moços parados junto de motorizadas uma oficina mecânica; um deles fala inglês e entra no carro para nos dirigir. Vamos para tráz e à entrada da vila, viramos à esquerda (Norte), parando num recinto com várias viaturas junto a uma pequena construção com telheiro; o mecânico só fala Swaili e depois de abrir o capot, com o motor a trabalhar, diz que o turbo está avariado, é preciso substituir; depois de fazer três telefonemas no seu movel diz que só se arranja em Dar, são 3 dias para resolver a situação e o custo é de 500.000 Sh. Puxa! Grande mudança de planos. Quais as opções? Contas de cabeça, contas no papel, não há outra possibilidade? Está decidido. Para o Banco NBC, troco 325 $US (462.787,5 Sh) para entregar ao mecânico – 450.000 Sh (90 notas de 5.000 Sh), levanto com o cartão multibanco mais 100.000 Sh dos quais 50.000 (5 notas de 10.000 Sh) também para o mecânico, tudo na mão e em cash – sem recibo ou assinatura; acompanham-me ao hotel, na borda da estrada, recinto vasto interior, bar, quartos com TV, casa de banho e rede mosquiteira na cama; modesto, mas limpo; sacos no quarto, desmontam o turbo rápidamente (o mecânico principal e dois ajudantes) e abalam. Aqui paga-se 10.000 Sh por noite, sem pequeno almoço; a TV que apanha bastante mal é substituida pelo dono. Para jantar experimento uma das barracas mais animadas junto à rua principal, com telheiros vários, música e snooker muito concorrido; compro um DVD de um artista músico popular famoso e apanho algumas imagens no video. A encomenda do jantar é complicada mas conseguida. Galinha e batatas, tudo bastante frito, com 2 boas cervejas geladas (1.500 Sh cada)! Brancos, não há. A música está boa e o ambiente é característico.

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Masasisado

26 de Agosto de 2010

Safari Tanzania 17

Na quinta-feira em Masasi, dormi bem e até tarde, tranquilamente sem mosquitos; mas o colchão faz buraco ao meio e doem-me as costas – a dita e designada lombalgia!; talvez também dos muitos kilometros e muita pista dura. O meu amigo muçulmano, “motorbyke taxi driver”, aparece ao fim da manhã, para interpretação English - Swaili. Aqui poucos falam inglês, zangando-se mesmo quando percebem que não falo Swaili. Saio para um café (demoraram 30 minutos a preparar) e um sumo de laranja (que chegou após 1 h 30 min) no “Restaurant”. Aproveito para uma lição básica de Swaili:
Bom dia = ASIBUI ABADE
Boa tarde = MEHARA ABADE
Bom serão = JIONI ABADE
Boa noite = USIKU ADADE
Para comer convém pelo menos saber:
Arroz = WALI
Arroz com carne = PILAU
Galinha = KUKU
Vaca = NG’OMBE
Cabrito = MBUZI
Farinha de milho (a “Chima” Moçambicana) = UGALI
Sopa = SUPU
Chá = CHAI
Leite = MAZINHA
A máquina F vai sendo, discretamente, utilizada. Está calor mas também um pouco de vento. A vila está muito movimentada, pessoas a pé, de taxis “triciclos” cobertos, cheíssimos, carros e camiões sempre a passar. À direira, para o litoral, fica Chigugu e Chicundi. À esquerda para o interior, Mlasi e Mikangaula. Na Mesquita não param com os cânticos e os discursos, o Ramadam está em curso, a predicação é recorrente. Mohamed diz que o mecânico saiu hoje muito cedo para Dar e que talvez possa chegar amanhã pelas 14 h 30 min (vimos o “chapa” de hoje a chegar a essa hora). Convido-o para jantar mas ele diz que só o fará em casa lá pelas 23 horas: está de jejum e as regras para a quebra na norma são estritas. Lamento! Regresso ao hotel para um período de leitura – etnografia Moçambicana - com música. Interrompo para 30 minutos de ginástica acelerada, na tentativa de combate à lombalgia. O fim da tarde decorre sem história. E está lua cheia, imponente e sinto-me total e verdadeiramente “MASASISADO”!

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Nothing

27 de Agosto de 2010

Preparando-me para a terceira noite no “Sayra Hotel” em Masasi, mudo de quarto para uma cama sem defeito. No ATM levanto 100.000 Sh e dirijo-me ao longo da estrada principal, para a oficina, tipo descampado junto a ruina, a pé com o meu amigo Mohamed, para tentar contactar o mecânico. De Dar es Salam, diz que só chegará Sábado à noite; pedimos para vir o mais rápido possível, para montar o turbo de maneira a poder sair no Sábado de manhã cedo. Vai tentar, vamos ver. Almoço “standard”: galinha com batatas fritas, sumo de pacote e sumo natural, anormalmente rápido. Os preços locais são baratos, mas a condição de “muzungo” , transfronteiriça, aumenta logo muito as coisas. O céu está bastante cinzento, veio o vento e cairam algumas gotas grossas de chuva. No pátio do Hotel, as folhas grandes das amendoeiras agitam-se em verde e vermelho escuro. Longe da vila de Masasi, no mato, encontram-se elefantes, leões e leopardos; por aqui a Vila tem água canalizada em algumas partes, tem um Hospital com vários Médicos, um Laboratório de Análises Clínicas privado, também aparecem alguns raros Massai a fazer negócio. Neste momento está em curso a campanha eleitoral para a Assembleia da Republica da Tanzania, concorrendo 18 partidos (de facto, 6 tem representantes parlamentares mas 1 é maioritário e detém o poder desde sempre). As cadeias televisivas transmitem os debates, tenho atravessado alguns comícios e manifestações. Um ataque dos mosquitos motiva a instalação imediata da rede mosquiteira. Os Muçulmanos na Mesquita não param de cantar o dia todo. E está na hora de ir dormir, lua grande e bonita, de cheia a decrescer, ótima temperatura.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Horizontes

28 de Agosto de 2010

Porque hoje é Sábado. Em Masasi, Tanzania, levanto-me tarde. Peço um café no “Restaurant”, relativamente rápido, sumo natural não há! Lanço-me para um screening visual e fotográfico da vila, inside and outside: a sudoeste uma planície de palmares e outros bosques, a perder de vista, muitas casas, a nordeste uma cadeia de picos rochosos maciços e bem recortados, perto, algumas casas. Avanço na borda da rua principal do lado Sul até ao final da vila, na faixa onde se concentra todo o comércio e serviços, bancos, gazolineira, alafaiates, bares, barracas e mercados, ambulantes, polvo assado, espigas de milho, até ultrapassar a Igreja, a Policia e o cruzamento principal. Brancos não há. As àrvores de suma-uma são enormes aqui. Aquela era diferente, com frutos verdes, grandes, tão cheios de quase maduros. No topo da subida, junto a um enorme penedo, viro à direita e passo para o lado Norte da estrada na entrada para o Hospital Distrital; sigo por aí e vou virando à direita, contornando o penedo e regressando paralelamente ao percurso anterior e sempre junto à cadeia montanhosa no limite das casas da vila. Os picos estão a 951 m e devem estar uns 400 m acima de mim: são rochas íngremes, muito lisas de cores fortes. A parede rochosa lisa mas rugosa desafia a escalada. De facto – mal pensado, estou de sandálias e acautelo-me com as cobras. Olhando a sudeste, avista-se ao longe o planalto Maconde (sim, Tanzaniano); a Sul e a Oeste, alguns “Eizelbergs” à distância. Alguns rapazes falam no alto da falésia, brincadeiras de dia sem escola. Re aproximo o limite da vila e atravesso uma área com várias fábricas artesanais de tijolo, blocos de barro muito vermelho cozido, geometricas áreas de rectangulos encarnados organizadas entre fornos e cubatas. Quando recebo a chamada do Mohamed, estou no monte, a pouco mais de 1 km do Hotel. Parece que o mecânico já chegou. Desço na vertical para a estrada, onde chego uns 200 m para lá do Hotel. Viro à direita e chego à base, fresquinho, passadas 2 h 30 min de passeio bem ritmado, a andar sem pressas – visual exercise! O mecânico chegou de Dar e tem o turbo, vou buscar a chave, abrir capôt, estão a montar. Põe a trabalhar, está a funcionar. Re acerta, vai dar uma volta, está OK. Job: 90.000 Sh. Atesto o diesel com 26 l (40.500 Sh), compro 2 l de óleo (9.000 Sh) e meto 1. Comer e deitar cedo, que amanhã é para madrugar!

terça-feira, 14 de setembro de 2010

It's been a long, long way

29 de Agosto de 2010

Hoje é Domingo e o percurso vai ser duro. Não sei ainda se Masasi – Mueda, Masasi – Pemba ou Masasi – Nampula. Levantar às 4h 30min e saída de Masasi às 5 h, ainda bem de noite, com 4.650 km. Temos 72 km de estrada boa, seguida de uns 10 km de pista junto à estrada em reparação. Viramos à esquerda e a pista está razoável; o sol está a levantar-se e aproveito para lavar o vidro da frente que está muito sujo; as nuvens separam-se em fios dos cumes rochosos; são ainda cerca de 40 km até à fronteira, sendo os últimos 3 km junto à ponte, uma recta perfeita em alcatrão lisíssimo. A passagem, dos passaportes e documento do carro, na fronteira decorre sem atrasos ou problemas, com verificação do número de motor. Passar a ponte tranquilamente, passar a Alfândega de Moçambique: o funcionário começa por hastear a bandeira Moçambicana; passaporte e DIRE ok, viatura deve aguardar colega que vem a pé porque motorizada avariou; chega pouco depois e entrega sem mais o documento necessário. Saída da fronteira às 8 h, com 4.761 km, dou boleia, excecionalmente, a uma família que vai para Mueda, casal e duas meninas. Quando fecho a mala, catástrofe, o vidro já não fecha. Só imaginar os 4 infernos de pó vermelho dá para arrepiar. Tirar o pessoal, ferramentas da mala, abrir, desaparafusar, empurrar, funciona, montar, fechar e toca a andar, que se faz tarde. São 9 h!. Pista regular durante 60 km, quando aparecem os troços de “pó vermelho”, quatro pedaços de menos de 1 km cada mas que dá para enfrentar! Janelas todas fechadas, em segunda, devagar e com calma, sobretudo o último pedaço. 120 km depois da fronteira encontramos a primeira aldeia com cancela, com placa “Douane”, algumas casas de “alvernaria”, onde paro para comer uma maça, beber água e esticar o esqueleto. Faltam ainda 30 km de pista maioritariamente de areia, para Mueda. O último troço atravessa já uma periferia urbana considerável, maioritariamente de palhotas. Chegando a Mueda, 4.931 km, atesto de diesel e verifico o óleo de motor que está pela metade. Encomendo o almoço ao Sr. Coelho no MTIMA (Coração em Maconde), estalagem simpática e jeitosa, simples, com quartos com casa de banho e recintos exteriores cobertos para restauração e bar, até parqueamento auto. A comida demora 1h 20 min, atestanto o regresso a Moçambique, mas está muito boa e come-se rápido, conseguindo sair às 16 h. São 75 km pela Rota da Indepêndencia, em pista de areia boa e lisa. Abundam os monumentos aos heróis. Os Ebondeiros enormes aparecem prateados com o sol baixo do fim da tarde. Bruscamente depara-se o final do planalto, horizonte aberto, ao longe a Sudeste a lagoa de Bilibiza, no Parque Nacional das Quirimbas. Descida abrupta, prolongada, toda em placas de cimento, algumas curvas, até ao vale; continua a pista, algumas curvas, descidas e subidas. Chegamos à estrada nacional a Norte de Chai, péssima, cheia de buracos, de pedaços totalmente desfeitos, fazendo mais 60 km até Macomia. Já de noite cerrada, chegamos ao cruzamento para Pemba, onde paro para tomar café: o público da TV da banca (DVD) é maioritáriamente de crianças e depois mulheres, está muito animado. O café é batido e está bom. Mais 80 km de estrada boa e bem sinalisada e chego a Pemba às 20h, viro logo à direita para a Winby Beach, direcção Wimby Sun. Tiro os primeiros 5.000 Mt do ATM do Casino, desde que entrei em Moçambique hoje há 450 km, e totalizo 5.253 km de viajem. O quarto tem ar condicionado, e a cama é ótima!

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Cidade do Norte

Saio de carro na marginal da Wimby Beach, a esta hora e em época baixa quase deserta e a manhã inicia-se, depois do pequeno almoço com café, “palmier” memória no Café Estrela da Avenida, com a reunião com o E na zona baixa da Cidade de Pemba. Prolongo depois com um encontro com o D e o B, na casa de Wimby Beach, tudo sobre o projecto da Lagoa de Kagavero e o veleiro Capulana. Atesto o depósito de diesel, meto 2 l de óleo no motor e arranco para Nampula, sem mais. No caminho, os vendedores de esteiras, peneiras, malembe (fruto do ebondeiro), castanha de caju, galinhas, desafiam os passantes e acorrem lentos ou rápidos às paragens. Às vezes os preços são negociáveis e interessantes. Atravesso o grande Rio Lúrio, que delimita as Províncias de Cabo Delgado e Nampula e paro para tirar uma fotografia. Já em Nampula o jantar é apetitoso no Sporting, precedido de um JW com gelo e acompanhado de uma Laurentina clara bem gelada. Aproveito para telefonar a S, ao I, à F. É tarde e procuro local de dormida. O Milenio está cheio, também o Lúrio, a Recol em reabilitação, só consigo a Residencial junto ao cruzamento central (Marisqueira), rasca, sem água e cheia de mosquitos. Noite mal dormida, 960 Mt.

sábado, 11 de setembro de 2010

Cidade de Nampula

Na terça-feira levanto-me ás 8 h e tento logo ligar ao Dr. O. Envio mensagem. Sem resultado. Passo na Galeria de Arte do Museu de Nampula para comprar 3 estatuas Maconde. Os artesãos trabalham nos alpendres e vem discutir os preços: não está fácil negociar. Cada uma fica por 500 Mt. Vou tomar o pequeno-almoço ao café mais “in” da cidade, onde se encontra sempre toda a gente importante de Nampula, no centro comercial quase em frente da Catedral. Telefono ao N, está fora da cidade. Atesto o diesel e acrescento 1 l de óleo de motor. Estou com 5.700 km e procuro uma oficina para calibrar as rodas da frente; à terceira tentativa, na saída para Molocue, fazem-me o trabalho por 1.850 Mt (calibrar 2 rodas, lavagem do carro por fora, por dentro e motor, lubrificação). Entretanto, assisto ao lado, na fábrica de algodão, a várias operações do processo industrial: carregamento de um camião com produto acabado e passagem dos sacos de colheita para a secagem ao sol, à cabeça e secagem nas caldeiras de ar quente. Está sol e calor, mas também um vento agradável. O Surf ficou bonito e já não vibra! Ótimo. Desço ao recinto do mercado – hoje praticamente vazio, o dia de feira é ao Domingo, para comprar duas mochilas – fraca qualidade, 130 Mt. Café no Centro Comercial outra vez, porque apareceu o X, empreiteiro Koti meu amigo, depois o jantar no Sporting, fresco e arejado, quase sem mosquitos. Hoje reservei com tempo e vou dormir, bem, no Lúrio!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Safari Tanzania 23


Quarta-feira, levanto-me sem pressa no Hotel Lúrio para tomar o pequeno-almoço, melhorado, fruta e iogurte, ovos, salsichas e café. Será hoje o último dia deste longo Safari Tanzania, com mais uns 600 km de calor, uma boa prova de paciência e resistência, uma infinidade de novas descobertas e imagens. Entretanto levantar 3.000 Mt no ATM Standard Bank na Avenida; não dá dinheiro, há problemas de rede – para não variar, passo para o outro. Saímos pelas 8 h 30 min de Nampula, directos e sem paragens, Murrupula, passamos os artesões das camas e cadeiras em junco, Alto Ligonha, sempre a subir até ao Alto Molocué. Comprar amendoim, torrado e grande, tomo um café e um sumo. Está bastante calor mesmo – está aí o Verão, as obras da estrada decorrem mesmo em frente ao “Glorioso” e a poeira vermelha está por todo o lado. Como sempre há crianças a pedir na porta. Passo Mugulama e Nipiodi, vou bebendo água, para fazer a próxima paragem mesmo antes do cruzamento de Nampevo, para necessidade imperiosa. Capim alto, muito sol. As compras habituais saem um pouco furadas na maré de vendedoras e o gazóleo está quase a zero, quase já 1 depósito gasto desde Nampula. Lentamente, pela estrada muito má mas mesmo assim melhorada desde a última vez, muita poeira, com cuidado chego a Mocuba. Atesto o depósito e paramos para café e lanche. Mocuba tem agora as ruas principais todas alcatroadas e lisas, está uma verdadeira cidade! Estrada muito boa daí para baixo, paramos em Malei para comprar feijão e tomate, uma hora até Namacurra, nova paragem para fotografia, depois do rio. Continuo até Nicoadala, passo os artesões de caixas de madeira, já pôr-do-sol, mais meia hora e é noite. Sigo para Quelimane no cruzamento que vem do Zambeze. Em casa finalmente no Bairro Kansa em Quelimane, está tudo OK mas a Lanchonete hoje está fechada e não serve refeições. Sigo para o Coco para jantar. São 6.290 km, o carro vai-se abaixo fácil ao ralentie e faz um barulho infernal de caçarolas e tampas a bater. Terá que ir para revisão, muda de óleos e filtros, amanhã ou depois. Cansado mas satisfeito. A viajem durou 23 dias e para já, as grandes viajens, estão concluidas!

domingo, 8 de agosto de 2010

Inesperados Inéditos

Saimos da Beira (capital de Sofala), perpendicular ao mar para Oeste, em direcção ao interior e a Chimoio (capital de Manica), começando a ver a grande cadeia montanhosa, paralela ao Índico, em frente e ao longe, grande barreira para o planalto central africano. Subimos, passamos a vila de Manica e na fronteira de Machipanda entramos no Zimbabwe, já em zona de média montanha. Logo a seguir está a cidade de Mutare (300 km da costa), uma das 4 do País.

Viramos para Norte, paralelamente à fronteira com Moçambique e a curta distância, para chegar até Nyanga (108 km) onde acaba a estrada de alcatrão. Fazemos-nos à pista, norte, pouco depois oeste, ainda norte. No sopé de um pequeno monte, as ruinas de Nyahokwe, antigo povoado mineiro (de ferro), algumas casas (com pátio interior para guardar os animais durante a noite, várias divisões, habitação do homem sobre o tunel de entrada dos animais, habitações de 1, 2 ou 3 mulheres conforme a riqueza da família, cozinha) e muros largos de protecção e suporte. Subimos a encosta para um colo liso entre o monte principal e outro mais pequeno, com uma vista explêndida. O complexo do tribunal, com patio de audiencias murado, lugar do condenado – poste de pedra onde seria atado e pedra onde poderia sentar, o trono do jurí, a casa do tesouro (com recinto interior para guardar o gado da dívida durante o tempo do julgamento), com habitações também.
Voltamos ao vale, um pouco mais a oeste e a norte, pista maioritariamente de areia amarela, algumas zonas de pedra.
Estamos no grande complexo habitacional, inúmeras casas de vários tamanhos, distanciadas, quase todas com pátio interior para guardar os animais, recintos de cultivo e para animais com muros enormes, complexo de tratamento e armazenamento de cereais, “palácio” dos congressos, casa do rei com quatro mulheres, nucleo fortificado. Àrvores e cactos enormes rompem o casario. O horizonte é largo povoado de inúmeros picos rochosos dispersos ao longe. Neste local existe um pequeno museu moderno muito interessante. As semelhanças arquitectonicas destes vestígios com a cultura dos castros do noroeste ibérico são verdadeiramente espantosas.

Este é o centro de uma área de mais de 8.000 km2 repleta de ruinas da cultura Ziwa, exemplo inédito em toda a África Oriental. As pesquisas arqueológicas identificaram na zona vestigios da Idade da Pedra, desde 50.000 a 1.000 anos antes de cristo. No terceiro século da nossa era a área foi invadida por comunidades agro-pastoris com cerâmica e fundição de ferro que se foram instalando até o século X, ramos Bantu como os Marave. No século XV chegaram os Tonga vindos do baixo vale do Rio Zambéze que falavam Sena. O Grande Zimbabwe está no auge em 1440 graças ao comércio do ouro com o porto de Sofala. O grande império do Monomotapa nasce em 1450 e resiste até 1629 aos Portugueses, que já tentavam dominar o estado Shona desde 1505. Foram as populações Monomotapa as arquitectas e construtoras principais desta interpenetração homem-natureza e cidade-campo. Os últimos representantes das famílias reinantes estabeleceram outro reino Mutapa em Moçambique, chamado por vezes Karanga. Os reis Karanga chamavam-se Mambos e reinaram na região até 1902. Em 1800 a zona tinha já sido comptetamente abandonada, aparentemente por esgotamento dos recursos.

Em Shona, a língua local, Ziwa (o nome do monte - 1.700 m de altitude - que dá o nome à cultura desta zona) quer dizer conhecimento. Não muito longe, mais pequeno, a Oeste, está o monte Hamba: quer dizer “vai, ide, ir”. Entre os dois, está outro mais pequeno, o Mupiro, “local das oferendas”, onde o chefe religioso organiza anualmente a festa tradicional. Também o Médico tradicional, diz-se Nhánga como em Etxwabo. E o Feiticeiro é Murroyi. Muprofita, aquele que descobre quem rouba ou quem faz mal. Estes, de tão ricos, poderiam ter até 15 ou 20 mulheres. Niamucuta, é a parteira tradicional. Quem saberá o que de facto se passou?

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Inteligencia operacional

Ilustres donos do conhecimento tinham-se reunido inúmeras ocasiões e consultado vastos tratados, perdendo-se em elocubrações e debates sem fim. No entanto a solução estava díficil de encontrar e a demora começava a pesar na reputação dos mestres. A intervenção muito discreta de MacSha, mulaula muito popular, directo e preciso, veio trazer a chave simples, para abrir uma porta grande para um horizonte iluminado e vasto de promessas.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

7 Anos

O espaço é amplo à escala local, uns 15 por 10 m cobertos de lusalite. As paredes repetem o padrão das extensões planas de matope em período seco, cheias de rachas – a construção tradicional utiliza uma estrutura de paus atados e cobertos de lama. O chão é de matope também, algo irregular. Desta sala central entra-se por 3 “portas” (cobertas com panos) para quartos e sala mais pequenos, onde se aloja a família. Não existem portas nas 2 saídas para o exterior. Este é o ponto mais animado desta zona do bairro, numa das “ruas” principais: um dos serviços mais populares nas zonas “sub urbanas” das cidades e vilas de Moçambique – o “cinema” local, com televisão, video ou DVD e som a sair de grandes colunas e bem alto. O público instala-se em cadeiras de pau e bancos de tábua, em frente ao “palco” protegido por corrimão de vara e um pouco mais alto. De facto, quando não está a funcionar, a partir dessas 19 horas, toda a gente está nas suas casas já a dormir. Quando funciona, é o ponto de luz, música e animação, concentrando à sua volta passeantes, pequenos comerciantes, espectadores intermitentes e sempre, muitas crianças. Mantém-se assim o movimento até essas 21 ou 22 horas, dificultando o “trabalho” dos ladrões frequentes na zona.
Hoje está dedicado à festa de aniversário de uma das crianças da família. Depois de estendida a esteira, servem-se os petizes. Cada um com seu prato de arroz, salada e caril de galinha. Mesmo os mais pequenos treinam a sua independencia e o jeito de comer com a mão. Estão contentes. Os adultos são servidos a seguir, batata frita, arroz, galinha, caril, salada, algumas cervejas e refrescos. Um amigo mais idóneo em pequeno discurso situa o acontecimento e instiga ao repasto. Entre familia próxima (50%), afastada (40%) e visinhos (10%) estarão umas 60 pessoas. Todos vivem ali mesmo ou muito perto. Baixa-se a musica e a refeição decorre em quase completo silêncio. Recomeça o som ambiente e trazem o bolo de anos, muito bem coberto de chocolate, que a mãe acende nas velas para a filha, a prima e o primo poderem soprar, depois de cantados os parabéns. A mãe “abre a sala” com uma dança mexida e todos se concentram em bailados ritmados, de passada e kizomba, rap ou marrabenta. A animação atinge o auge à medida que o Zed vai sendo repartido. Trocam-se pares e fazem-se acrobacias. Cada qual tenta superar em jeito e contorsões aos ritmos intensos os restantes dançarinos. De vez em quando um “slow” encosta os pares, que vão alternando. Trocam-se estórias e piadas e as gargalhadas dominam o som de fundo. Apesar do fresco os mosquitos não desistem e tentam também a sua refeição perigosa – não há maneira de os evitar aqui. Pela meia noite os convidados começam a retirar-se – amanhã é dia de “trabalho”! Mas a festa foi muito boa e toda a gente está satisfeita! Até à próxima!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Porque hoje é Domingo...

Logo a seguir ao mercado do Brandão, cheio de gente como sempre, na segunda ou terceira zona de água, o carro enterra-se. Como não chovia hà vários dias, não tinha ligado os cubos. Em manobras acrobáticas para evitar por os pés no matope profundo e malcheiroso, eu e o Vasquinho cada um de seu lado, conseguimos ligar a tração nas rodas da frente e saimos sem dificuldade. Vagarosamente, passamos o bairro Manhawa, muitas crianças por todo o lado e chegamos a Santagua. A irmã mais nova traz uma cadeira e senta-se na outra. Os 2 batuques estão elegantes ao sol, com peles novas, raspadas, tensas e ainda mal secas. O som ecoa com potencia. Ao longe escutamos uma batucada para tratamento de “reumatismo” e mais perto os gritos entusiásticos do público do futebol. Passamos ao lado em casa da irmã mais velha, viuva que vive com o seu único filho: sorridente, atarefa-se com as tranças do seu cabelo farto e emanharado. Em vários recintos deparamos com arroz colhido de fresco a secar ao sol. Por todo o lado, pequenas bancas de tudo, carvão, bolachas, fósforos, laranjas, estão guarnecidas do seu “comerciante”. Mais à frente, timbilas e batuques marcam as danças na festa de aniversário. Boa tarde, boa tarde! Passamos pelo meio do mercado do bairro no regresso, muita roupa de segunda mão, óleo em orgãos de embalagens plásticas digitais cor de ouro, raparigas lindas em capulanas de cores vivas e compramos arroz novo para comer mais logo. O ambiente é de Domingo no Bairro.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Não caça

Cerca de 5 km a Sul de Caia, depois de passar a grande ponte Emilio Guebuza sobre o Rio Zambéze, vira-se à esquerda na pista em direcção a Marromeu. Com piso bastante regular, de terra barrenta vermelha entrecortada por zonas de areia, o percurso rumo a Este atravessa áreas de savana, de floresta escassa e de floresta densa – interrompido por vezes pela passagem de bandos de macacos. Após 60 km a primeira aldeia, Chupanga. Mais à frente estamos já em terreno totalmente plano, capim alto, matope, buracos enormes cheios de água, uma autêntica gincana, muito sacudida, até chegar a Marromeu (100 km)!
Aqui depara-se um agitado polo agro-industrial, pilotado pela companhia Sena Sugar: 24 horas por dia, 7 dias por semana, chegam consecutivamente tractores com vários e grandes atrelados cheios de cana e saem camiões carregados de paletes repletas de sacos de 1 kg de açucar, amarelado de grão grosso. A grande fábrica emprega centenas de pessoas, têm “caminho de ferro”, porto, bairros, escolas, centro de saúde, instalações sociais e desportivas.
A vila de Marromeu é sede de Município na Província de Sofala; tem uma igreja grande, muitas lojas, alguns bares e pensões, muita gente, longas ruas de mercado, vários artesãos, biblioteca, aerodromo. Está no centro de uma zona com várias reservas de caça, que confina com o Parque Nacional da Gorongosa – encontram-se claro muitos crocodilos, hipopotamos e macacos, também bufalos e vários cervídeos. O melhor sítio para ficar, atualmente, é o “Pappa Lodge”, nas istalações da companhia SS, em moradias algo tradicionais, com bar e restaurante, música e animação.

terça-feira, 29 de junho de 2010

A doce insignificancia do estar

Imagina caminhar num solo em que as pegadas desaparecem em poucos segundos?

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Au revoir

20 de Junho

O dia nasce cinzento com temperatura fresca. A dona da casa procura saber o que faz falta para a primeira refeição; mas a mesa já estava bem servida: o mata bicho tem inhame, chima, “galinha em sal”, ovos estrelados, papaia, laranja, chá, café, água. A nossa anfitriã é muito bem disposta, fácilmente às gargalhadas, nascida em Quelimane também se exprime em “Manhawa” (língua de Lugela, uma mistura de Lomwe com palavras Nguni ou Angune). Depois do repasto carregamos 5 batuques: 2 foram vítimas da grande batucada (peles rompidas) e ficarão para reparação. Visitamos o Centro de Saúde, para ver os estragos anunciados nas coberturas tradicionais dos pre fabricados; atravessamos o mercado cheio de gente a esta hora do Domingo e fazemos-nos à pista, em muito mau estado, em direcção a Mocuba e Quelimane. Aparece o sol e paramos no blindado abandonado à entrada da vila, fóssil da guerra civil, para registo memorável.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Rica terra

19 de Junho de 2010

Até à capital de Moçambique, proposta por Samora Machel por se encontrar no centro do país, são 2 horas de alcatrão bem liso sem problemas. Atravessamos a ponte nova e depois de hora e meia para fazer 50 km desde Mocuba, na pista má, cheia de buracos, zonas de lama funda, algumas derrapagens (tração não estava ligada), “tole ondulée”, pequenos choviscos, chegamos a Lugela ao fim da tarde. No “Mussaca”, albergue construido com materiais e arquitectura local, estavam à nossa espera e escolhemos os quartos. Os lençois são de pano muito branco e grossos, cheiram tão bem a lavado! O moço pergunta logo se quero ver os batuques que tinha já antes encomendado e pago, ao que respondo imediatamente que sim. Os 7 batuques encontram-se muito bem expostos, alinhados num banco na cabana dos jogos: muito potentes, baixos, pesados, fechados na base, 2 com um alto relevo rectangular, os mais pequenos. Chegam os 4 rapazes, muito jovens, que vão tocar e veêm cumprimentar. Pouco depois, apresenta-se a autoridade comunitária, o Sr. Francisco Lampião Alfaiate, líder do grupo de música, dança e cantares. Passamos à refeição, de arroz, chima, galinha, caril, ensopado de cabrito, piri piri, cerveja, refresco, água, na cabana destinada a restaurante. Vamos falando das histórias da terra, dele, um senhor de 65 anos muito bem conservado, da guerra, dos locais, caminhos e tradições, mitos até e histórias para crianças. Duvidam que eu não acredite na cobra de 7 cabeças que saiu da pedra da montanha e causou muito prejuízo. Depois da fruta, passamos ao exterior, para o pequeno recinto plano onde se prepara a batucada: 5 batuqueiros, 7 batuques, 10 dançarinas cantadeiras, 1 mestre de grupo, arrancam em cheio, com energia, muito ritmo e ótimo som. Os coros das mulheres, desafiados pelo solo do homem, clamam heróis antigos. As vozes daquelas mulheres, em melodias polifónicas, ressoam com a terra e o ar denso. As canções falam sobre histórias passadas há muito tempo, das famílias, suas alegrias e tristezas, amores e traições. As danças são agitadas e rápidas. As dançarinas principais, que alternam, vão desafiando e provocando os batuqueiros. As obras duram quase sempre muito (10 min) e os intervalos são curtos. O grupo irá actuar toda a noite, durante cerca de 7 horas, bebendo zed, sempre com alto nível! O céu agora limpo e estrelado, vai-se cobrindo e começa a chuviscar. Ninguém parece notar, um pouco abrigados pelo cajueiro. Acende-se um fogo para dar algum calor e claridade. Está fresco – vestir blusão! O ritmo acelera, o tom aumenta. A noite de Lugela, no meio da floresta tropical húmida, leva-nos ao centro da mãe terra.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Tratado de História das Religiões 2

A ideia da regeneração periódica do tempo pela repetição simbólica da cosmogonia: em todos os planos – desde a cosmologia à soteriologia – a ideia da regeneração está ligada à concepção de um tempo novo, quer dizer, à crença num começo absoluto ao qual o homem pode, por vezes ter acesso.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Tratado de História das Religiões

Nostalgia do Paraíso: a necessidade que o homem experimenta constantemente de realizar os arquétipos até aos níveis mais vis e mais “impuros” da sua existência imediata; a nostalgia das formas transcendentes – do espaço sagrado.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

História das Religiões 2

A continuidade dos lugares sagrados demonstra a autonomia das hierofanias; o sagrado manifesta-se segundo as leis da sua dialetica própria e esta manifestação impôe-se ao homem de fora.

Hierofania = crença no sagrado
Hierologia = estudo das diversas religiões
Cratofania = “adoração” da terra

segunda-feira, 14 de junho de 2010

História das Religiões

É na mítica agrária pré-histórica que se encontra uma das principais raízes do optimismo soteriológico: tal como a semente escondida na terra, o morto pode ter esperança num regresso à vida sob uma forma nova.

Soteriologia = estudo da doutrina da salvação

terça-feira, 25 de maio de 2010

Filmes 3

As cores sucedem-se rápidamente. Ecrâ gigante panorâmico plano super liso. Há interferência na imagem: desenterraram e roubaram o cabo de fibra ótica. A música permanece conhecida local. Mas já não há estações: alterações climáticas desviaram a época das chuvas. Hollywood, já não é o que era. No caso do www Twiter, o heroi é digital bem constituido. Mas o adversário, “cheiíssimo” de truques paranormais, já tinha sido celebrado em três cerimónias de falecimento. O Zé cumpre as profecias de há 500 anos do Fernão Mendes Minto e remete-se ao nível zero: equilibrio de flutuação no mar oceano. A paixão ficou esquecida no estudo da história das religiões e o crucifixo tinha sido roubado pelo Papu. O realizador derrapa no guião, os personagens escorregam nos papéis, os produtores enganam-se de script, o cameraman adormece em Babel. A Mãe do PANTrust 0010, chefe transexual homo, nunca teve filhos e as férias também já não existem. Os efeitos especiais da realidade virtual, projectam os públicos pelas paredes, as velocidades do cabo inundam e abandonam as audiências. O dono do cinema fecha as portas, toda a gente já tem DVD em casa. Está aberto o circo!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Filmes 2

A cores no êcram gigante. O clima é tropical húmido abafante, o sol nasce e pôe-se cedo. No caso do OO Zulu, Missão Impossível, o herói é impecável. Mas o adversário agente triplo, com acesso aos programadores oficiais, tinha já infectado o sistema. O Bond atravessa muitas dificuldades, ultrapassa muitos obstáculos e acaba por obter os resultados previstos visíveis e comprováveis, chapados em power point. Claro que a paixão alivia o sacrifício e eleva as almas e a tecnologia facilita o enredo na rede. A Mãe do Pinball US1 na Twin Tower, chefe alterável, desconhece o filho e as férias estão em causa. O público interroga-se e a sogra inicia o zaping.

sábado, 22 de maio de 2010

Filmes 1

A preto e branco. O clima é nórdico gelado e nevado. No caso do 007, Ordem para Matar, o herói é impecával. Mas o adversário é enorme e muito potente, cheio de truques. O James atravessa todas as dificuldades, ultrapassa todos os obstáculos e acaba por vencer todos os enimigos para obter o santo Graal. Claro que a paixão alivia o sacrifício e a tecnologia facilita a história. A Mãe do MI15 na Tower Bridge, chefe inalterável, reconhece o filho e as férias estão garantidas.

sábado, 20 de março de 2010

Para onde vamos?

Despertos para caminhar em frente, temos que saber onde estamos. Questionamos o que fazemos: Correcto? Eficaz? Eficiente? Onde começamos, o que conseguimos, o que queremos, o que podemos conseguir? Rompemos rotinas e barreiras, desafiamos novos caminhos. A mudança é a constante da vida! A responsabilidade é nossa!

segunda-feira, 15 de março de 2010

Estreia

11 de Março 2010

Ainda está escuro mas existem logo acima do horizonte Este alguns pedaços de céu azul claro. A tripulação está a postos e saímos lentamente do Porto de Pesca para os Bons Sinais. Será uma viagem de cerca de 100 km, quase todos no mar. Aparece o clarão amarelo avermelhado a bombordo quando avançamos pelo canal em direção ao Índico, estando já o dia pleno quando aí chegamos. Pouco movimento, raras canoas, algumas pessoas nas aldeias da margem esquerda.

O vasto oceano está calmo, as ondas são seguras, o céu bem azul forte sem nuvens. Viramos a estibordo, direção Sudoeste, contornando Inhassunge, passamos em frente da Capitania de Olinda, farol branco, é visível o estrago dos coqueiros. Passamos a entrada para o canal de atalho (em direção ao Seminário de Mucupia e Quelimane) e continuamos ao longo de uma costa de dunas impressionantes. Lentamente (9 km / h) o barco vai baloiçando em direção à foz do Rio Zambéze ao longo da linha amarelo verde baixa a oeste, já Distrito de Chinde.

Avistamos primeiro uma faixa de casuarinas ainda em praias de Micaun, entramos numa zona bem delimitada de àgua castanha, logo a seguir avistamos o grande espaço liso correspondente à entrada do Zambéze e à esquerda a antena de comunicação da Vila de Chinde, rodeada de coqueiros. Aproximamos-nos da foz mas somos obrigados a recuar, pelas ondas agitadas em rebentação criadas pelos bancos de areia, refazendo a aproximação mais a norte em zona mais calma. Algumas pessoas tomam banho na praia, várias canoas de pescadores trabalham com redes, um grupo grande de pessoas perto de uma tenda no alto da duna são os deslocados das inundações.

domingo, 14 de março de 2010

Cabotagem

12 de Março 2010

Vamos a pé do centro da vila até ao porto improvisado. A maré começou a vazar e fá-lo rápidamente. Temos pressa em sair mas houve alguns atrazos. Está muito humido e enevoado. Largamos a praia de Chinde em direção ao mar, prescutando a linha de rebentação ondulante branca no horizonte. A agua cor de barro quando se eleva imita um morro a subir. Tentamos aquilo que parece a zona mais calma e seguimos. Mas as ondas começam a crescer, o barco executa piruetas, o piloto vai parando o motor e retomando a rota perpendicular aceleradamente para vencer o obstaculo. Pouco mais e estamos fora da zona agitada, virando a bombordo rumo a nordeste.

Mais à frente passamos o limite bem definido entre as águas do Zambéze e o mar, com uma mudança radical de cor para o esverdeado, numa linha espumosa interminável. A umas 8 milhas da costa avistam-se 2 pesqueiros industriais de porte médio. Passam alguns barcos de pescadores ao longe, vela triangular; está bastante calor apesar do vento fresco. As medusas na àgua são raras. Os cumulos brancos dispersos e baixos enfeitam o céu muito azul e temperam o clima.

Pouco antes da entrada dos Bons Sinais – Rio Cuacua, a sul ainda em frente a Inhassunge, depara-se com uma nova linha de cristas brancas, elevando-se harmoniosa e concertadamente no horizonte. As ondas, altas de 4 ou 5 metros, chegam-nos paralelas ao barco, tornando-se imperioso distanciar-nos da costa virando a estibordo. O perigo destas situações é que correspondem à existência de bancos de areia, que podem ser fatais no caso de ondulações extremas. O piloto concentra-se e após algumas subidas e descidas imponentes saímos da zona de agitação sem problema.

Mais a Norte temos a primeira boia e viramos a bombordo, entrando no canal para chegar a Quelimane em cerca de uma hora. Não é difícil de imaginar que há 500 anos atráz esta era a foz do Rio Zambéze e não Chinde, 80 Km mais a Sul. Vamos cruzando com um tráfico intenso, canoas e barcos de pescadores, uns remam, outros com velas triangulares multicores de farrapos vários de pano e plástico, outros arrastam as redes, outros transportam os sacos de carvão para as cozinhas da cidade. Sobre o mangal do horizonte destacam-se os 2 volumes principais da urbe, o Banco de Moçambique e o Hotel Chuabo.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Concentração de grupo

Saída do estaleiro a subir

Não há truque! As trinta toneladas foram de facto arrancadas do estaleiro, ligeiramente a subir, seguidamente entrando no leve declive da praia, com uma elegancia marítima!

A força da palavra

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

É Natal

24 de Dezembro 2009

Prepara-se um grande parto. O estaleiro no topo da duna, junto ao farol da praia do bairro de Paquitequete, apronta-se a lançar nas águas da baia de Pemba, o veleiro ainda sem mastros, construido em madeira durante seis anos pelos carpinteiros navais locais. São os últimos preparativos, alguns toques de calafetagem, pintura do branco, remoção das canas e chapas de sombra. A cerimónia é conduzida pelo velho lendo os capítulos apropriados do alcorão, ajudado pelo jovem que acentua o coro e coloca os paus de incenso.
Abre-se o estaleiro retirando as paredes de caniço. Retira-se o pessoal e afastam-se as crianças. Ajeitam-se as tábuas longitudinais e os rolos transversais para a viagem. Amarra-se a corda, enchem-se e instalam-se os sacos de areia, aplica-se o macaco que levanta trinta toneladas. Removem-se, um a um, os calces. Rasgam-se os sacos de areia. O barco descai sobre os rolos de metal. A população ordena-se pelos dois ramos da corda e concentra-se no esforço. Fala-se muito alto. O movimento será ditado pelas palavras!

São várias tentativas sem resultado. A corda é manifestamente muito insuficiente. O percurso inicia com uma ligeira subida. Decide-se amarrar também a grossa corrente metálica da âncora. Aplica-se oleo nos rolos. Concentração geral. Ritmo gritado cadenciado. O enorme esforço arrasta o barco quinze centimetros. O pessoal anima, mais vinte centimetros. Mudam-se tabuas e rolos. Continuamos, o entusiasmo acentua-se. Fazem 10 metros, insistindo na curva a bombordo para encurtar caminho para a água. O movimento “rápido” e a falta de atenção na colocação do rolo para o estabilizador de bombordo, provoca a queda do barco e a fractura daquele.

O desânimo é pesado e a agitação está no auge. Devem estar por aí 150 pessoas, entre os 70 homens contratados, mulheres, crianças e espetadores. Fala-se e grita-se muito. Vários grupos empreendem acaloradas discussões. Mãos à obra, quer dizer, à madeira, com toda à gente a endireitar o barco. Ritmo cadenciado. Palavras gritadas, coro surdo. Mexe. Cunhas preparadas. E sobe 5 centimetros. Outra vez, mais 10. Mas descai um pouco. O pessoal está cansado. Volta a insistir e melhorou. Concentram-se na popa. Em coro. Fica direito. O estrago no estabilisador não é catastrófico, será possível resolver sem grandes contrariedades.

A tarefa não foi concluida. Estamos a 50 m do mar. O Chefe de 10 Casas arranjou alguma confusão com os pagamentos do pessoal ficando decidido adiar para amanhã de manhã. Ámanhã será sobretudo necessário reparar o estabilizador, prevendo-se que o barco só possa sair para o mar dia 26.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Crocodiles!

Esforço muscular humano

26 de Dezembro de 2009

A manhã está quente, embora com algumas nuvens para abrandar a potência solar. O Índico cercado na baia é de prata calma. Desço à praia, paro na sombra da acácia. Duas tripulações ocupam-se de pequenos arranjos nas embarcações encalhadas da maré baixa. Contorno a baía e seus naufrágios.

O estabilizador do veleiro foi bem reparado e teve tempo de secar a cola. Muitas crianças, alguns adultos, neste momento disputam-se as sombras todas, escassas. Tinha já sido escavado um leito na areia mole, em forma do casco, ligeiramente descendente até à linha de água, em que as tábuas e rolos foram sendo acomodados. A população juntou-se, a corda e a corrente estavam preparadas. Em coro comandado, incita-se o grupo. 50 homens concentram o esforço muscular ao som da voz cantada bem ritmada. Nem mexe. Nova tentativa. Zero centímetros. O pessoal desanima, a gritaria aumenta. Discute-se.

Já tinhamos pensado, combinado. Traz-se o 4x4. Liga-se a corrente. Puxa. Nem mexe. Precisamos do carro, mas só com a ajuda de todos poderá resultar. Volta-se a reunir o pessoal, todos pegam na corda, alguns na corrente. Coordena-se o comando de voz com o sinal gestual para o “driver”. Mas a população parece que tem medo, a corrente em extensão não oferece confiança. O 4x4 patina. A população observa. Puxa. Patina. Colocam-se tabuas e barrotes, o carro continua a enterrar-se e nem consegue estremecer o barco. Desânimo é geral. Não têm problema, amanhã vamos buscar um tractor potente. O barco vai para a água!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Paciência

27 de Dezembro

Domingo de manhã a cidade está vazia. Da Mesquita próxima chamam para a oração. Desço para a marginal por uma secundária com algumas sombras e as pessoas já dizem bom dia. Nas rochas da linha de água, duas pessoas em “fecalismo a céu aberto” como se diz aqui, hábito generalizado nos Mwani, Nahara e Khoti.

A maré ainda está meia e o veleiro recorta-se no horizonte da praia. Chega um “dhow” carregado de gente do outro lado da baía. Num barco de pesca á rede encalhado ao lado, o mecânico tenta por o motor a funcionar sem resultado. Visitantes vem apreciar os trabalhos de lançamento.

O comandante já se atarefa para um lado e outro, junto dos dois carpinteiros, do chefe de dez casas, do capitão. Sai para ir buscar um trator de um certo amigo, que aparece ao final da manhã, amarelo, rodas grandes, girando na areia ao longo da linha de água, vindo da direcção do Porto. Prepara-se e liga-se a corrente e reforça-se a corda. Combinam-se os sinais que devem marcar o arranque e a paragem da máquina, tendo em conta o correto apoio dos estabilizadoes e a facilidade de deslize da quilha. Ajeitam-se os tubos metálicos e as tabuas. Estica-se a corrente. A população, pouca gente, muito calor, assiste.

Mete a primeira, patina. Reforça-se o piso com mais paus e tábuas. Mete a primeira. De cada lado do barco, um “controlador” levanta o braço indicando autorização para puxar; conforme combinado, braço em baixo é para parar. Arranca, estica, estala a corrente. Nada feito, nem mexe. As pessoas reunem-se à volta da popa para empurrar. Reforçamos o piso em frente dos pneus do trator. Mete primeira, ao levantar o braço, ditado pela voz do coro que comanda os homens à popa, desembraia, patina, nada.

A população concentra-se na popa. Arranque à voz! Esticam-se os cabos. O trator patina. Nada feito, o barco nem mexe. Manobra-se a maquina e reforçamos mais uma vez os trilhos das rodas com paus, sacos de plastico, tabuas, lixo! Novo arranque, estrondo, rebentou uma das cordas de apoio, chicoteou um jovem: pequena tumefação na coxa direita, nada de grave. Voltamos a preparar os cabos. Arranca-se desta vez, com melhor coordenação com o povo que empurra na popa! E vai, estremece, mas não avança. Coragem, nova tentativa, coordenada, em coro. O esforço é grande, sem recompensa. Esta máquina não consegue ajudar, deveremos encontrar um trator com tração às 4 rodas e bem mais pesado.

E está na altura de tomar um banho para refrescar, nas águas transparentes azuladas e macias, limpando o falhanço e lavando a paciência. A tarde vai escurecendo e o trabalho ficará para amanhã! Vamos procurar de comer

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Entusiasmo

28 de Dezembro

Na cidade baixa as lojas estão concorridas, grupos de homens sentados na sombra dos armazéns, cabras passeiam nos jardins, duas pessoas levantam dinheiro no ATM. Como prioridade antes de descer à praia, comprar garrafa de água.

O amigo francês sentado à sombra do telheiro de bambu da sua lancha em reabilitação parece dormitar. Presentes o Capitão e os 2 carpinteiros principais. Vamos então buscar um tractor mais potente, com tração 4x4, pesado, rodas grandes.

Dispoem-se as pranchas. Estica-se a corrente, as cordas ficarão para as pessoas. Combinam-se os sinais. O homem tenor arranca a fala sincopada. O coro eleva-se, o trator mete primeira, o barco deliza 20, mais 15, mais 10 centimetros. Parar. Retirar troncos, rolos e tábuas, escavar mais á frente, voltar a colocar. Novo posicionamento. Voz, arranque, fazemos 1 metro, parar. O processo vai-se repetindo. O entusiasmo é geral. Cinco mulheres protagonizam a liderança e incitam a continuar para o mar, carregando tabuas e rolos. Com a ajuda da população animada, do trator, arrastamos as 30 toneladas do veleiro cerca de 15 m. No próximo movimento, a desatenção num rolo de Bombordo provoca a segunda queda. O desãnimo é geral, o ruido aumenta, a agitação atinge o auge. A queda sobre uma das estacas de apoio arrancou parte do corrimão de bombordo e o aspecto é de naufragio, confrangedor.

Mas os homens de Paquitequete não se deixam vencer: mãos à obra, melhor à madeira do veleiro, estacas e cunhas preparadas, voz de coro, e upa; centímetro a centímetro, lenta mas decididamente, a população remete o barco em posição vertical. Estamos mais descansados, o estrago não é catastrófico. Já tínhamos combinado para hoje – dois cabritos, seis galinhas, um saco de arroz, cinco litros de oleo, seis latas de tomate, alho e cebola, as mulheres trouxeram as panelas e o carvão - e serve-se a grande refeição comunitária de arroz com caril de cabrito e galinha. Em todo o areal à volta do veleiro, grupos atarefam-se em redor de pratos de folha avantajados, crianças, jovens e adultos. A boa disposição é geral!

A avaria do estabilisador poderia ter sido evitada se os parafusos tivessem sido substituidos, na medida em que depois de torcidos uma vez, ficam logo mais frageis. Mas enfim, aprender é até morrer e amanhã há mais. O mecânico sobe ao barco para pôr o motor a trabalhar uns minutos; já tinha preparado um recipiente de duzentos litros de água, ligado por um tubo à maquina, para refrigeração. Arranca, ruminante, soltando um fumo cinzento. OK!

domingo, 14 de fevereiro de 2010

Persistência

29 de Dezembro

Saio da Hospedaria procurando as escassas e interruptas zonas de sombra junto às fachadas. As mulheres vestidas nas suas capulanas de cores vivas e contrastantes sobem a avenida. O sol ilumina tudo drásticamente e o calor é muito. Curvo á esquerda tomando uma transversal virada ao porto. Numa oficina mecânica improvisada de rua, três viaturas, dois motores à vista, um grupo de homens e jovens. Bom dia! Desço a colina da cidade baixa até à marginal, entrando na praia.

Ontem o barco parecia um naufrágio na praia. Hoje, os dois carpinteiros principais já repararam o corrimão de bombordo (até parece que não houve nada) e atarefam-se sobre o estabilizador de bombordo, ainda desmontado. Num toldo improvisado, a máquina de soldar fornece o apoio derradeiro. O povo circula, discute, o comandante pede espaço de manobra. Quadro homens orientados pelo carpinteiro chefe aplicam o estabilizador ao casco, com cola especial e a força do macaco. Apertam-se os parafusos a partir do interior. Parece novo. Agora deverá secar!

Vamos buscar água que a transpiração aperta. O chefe de dez casas está preocupado com a saída do barco para o mar e o ilustre muçulmano diz que tudo sairá bem. No final do dia o estabilizador está bem reparado e calafetado, fixado com boa cola impelida pelo “macaco” de trinta toneladas, com parafusos novos e mais fortes. Vai funcionar! O mecânico sobe ao convés, deche ao porão das máquinas, faz arrancar o motor. Trabalha regular, ruido fundo, expelindo jatos de água. Ótimo. Amanhã o barco poderá entrar no mar!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Batucada

30 de Dezembro

Quarta-feira na cidade de Pemba, capital da Província de Cabo Delgado, acordo com o chilrreio dos pássaros. Depois do mata-bicho, faço-me ao calor do verão africano. Passo a levantar um “cash” no “ATM”, aproveito a sombra da acácia enorme, flores vermelhas, aprecio os padrões arquitectonicos dos “setentas", marcas do esforço do “Estado Novo” para segurar a antiga “colonia”. As viaturas insólitas, ecoam na subida para a cidade alta. Remeto-me à costa, vagarosamente e saboreando só o tempo. Lá em baixo, o Índico reflete lápis lazuli.

Contorno a baia, paralelo à barreira de caniço do bairro e chego à zona do farol. Alguns miudos brincam na areia em pleno sol escaldante. O comandante ainda não tinha chegado. O capitão atarefa-se no convés. Os carpinteiros decansam à sombra no antigo estaleiro. Chega um barco de vela árabe da outra margem com várias pessoas que transportam fardos. Embora à sombra, a transpiração abunda. Tiro a roupa. A água é transparente e suave. Um banho no azul está mesmo a calhar!

Aparece o Comandante agitado, as coisas não correm bem com os locais, o trator não apareceu. O receio de um novo desastre é muito: não há duas, sem três. Decide-se aguardar pela próxima maré alta. Que será esta noite, pelas duas horas e vinte minutos, segundo as tabelas, diáriamente vigiadas pelo Comandante.

Entretanto várias crianças da Madrassa aproximam-se do toldo, transportando batuque largos, baixos e redondos, pintados de vermelho tijolo. Maioria de pequenas raparigas, de cinco a dez anos, cobertas de véus vaporosos azuis, cor de rosa ou verde claros, iniciam a cantiga em coro. Os rapazes, orientados pelo professor, percutem nos batuques, fazendo aquele a voz solo. Uma mulher mais velha, aproxima-se, vai cantando e dançando junto ao grupo. O fim de tarde de tons rosa laranja vermelhos, mistura-se com os sons do pequeno ponto de cores multiplas sobre a areia da praia

Então, vamos até à “Wimby Beach”, zona “queque” de Pemba, para uma boa refeição! Lulas!!! A Oriente a lua quase cheia está enorme ao sair do mar. A Laurentina está fresca mas deitamos cedo, daqui a pouco há que levantar!

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Celebração

31 de Dezembro

A maré alta subiu bem e às duas horas da manhã o veleiro está, miraculosamente, a flutuar. Rápidamente dispõem-se as duas ancoras. Dá-se ao motor de arranque. Nada, uma, duas, três vezes, nada. O Comandante agita-se, o mecânico aplica-se, o motor arranca e o veleiro sai para a baia. Ensaiam-se as mudanças e o acelarador, tudo com muita cautela. A roda do leme responde muito bem e a estabilidade do barco é notável. Navega-se para o largo da baia, retorna-se para Oriente e depois regressamos à praia. Desligar o motor, lançar as âncoras, descansar um pouco – das emoções!

Às treze horas acompanho o Patrão Mor, o engenheiro e o carpinteiro navais, ao porto estaleiro para realizar a Inspeção da Autoridade Marítima ao Capulana. Na praia entramos num frágil plástico insuflavel de crianças. O Patrão Mor, descalça-se e pouco depois subimos na escada de popa do veleiro ainda sem mastros. Dão a volta, inspecionam: há uma entrada de água junto á quilha de popa. Convés, cabine, porões. Arrancamos com rota dirigida, bombordo, estibordo: o navio responde bem e rápido, o Patrão Mor aprecia. Muito bem, podemos celebrar com um pouco de branco fresco, temos liçença para circular na baia, até reparar a entrada de água e colocar o radio a funcionar.

Saímos então em bom ritmo para a praia de Wimby, passando pelo porto comercial, diante do cabo de Paquitequete, ao longo da marginal, pemba beach hotel, a uma velocidade de nove kilometros horários. Ancoragem, sempre a dobrar. Está maré quase vazia quando saimos no bote de plástico para a praia. O sol está a pôr-se e ao mesmo tempo aparece a lua cheia.

Jantar melhorado e bem regado, não fosse noite de festa. Ao longe, do complexo turístico, o fogo de artifício enche de cores reflexas o céu da baia. Céu limpo estrelado e muita animação. Música de todos os lados, quantidade de gente circulando em toda a praia e avenida, lindas raparigas!

Mais um copo e aparecem as nuvens. O Comandante está cansado e pede para o Capitão o levar para o barco para dormir. Quando volta, lamenta que o Comandante tenha caido ao mar quando subia do bote para o veleiro, molhando telemovel e documentos. Começa a chover. A Lua cheia, vai aparecendo entre as nuvens, mas a chuva tropical copiosa, puxada a vento, insiste em impôr-se. Afastamos as cadeiras e as mesas mais para tráz na esplanada. Cachoeiras aparecem em alguns pontos da cobertura de capim. Começam os relâmpagos e trovões, cada veis mais seguidos e potentes. O espetaculo é belo e intenso. Nisto, no centro do cenário, um raio cai mesmo a cem metros à nossa frente, com um ruido seco e estranho, sobre o barco!!!

Celebração

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

sábado, 12 de dezembro de 2009

Aprendendo a vida

Chegam Ministros e Colaboradores. Agitação de final de ano muitos planos para o próximo. Perspectiva de saudades. Antecipação da ausencia. Com um novo passatempo, explorando o espaço entre o conhecimento e a sabedoria. Reconhecendo velhos novos caminhos, vivências, relações. Abrindo novos horizontes. Com calma, desfrutar bem a felicidade do momento prolongado. De novo com o tempo, essa dádiva da vida!