Preparando-me para a terceira noite no “Sayra Hotel” em Masasi, mudo de quarto para uma cama sem defeito. No ATM levanto 100.000 Sh e dirijo-me ao longo da estrada principal, para a oficina, tipo descampado junto a ruina, a pé com o meu amigo Mohamed, para tentar contactar o mecânico. De Dar es Salam, diz que só chegará Sábado à noite; pedimos para vir o mais rápido possível, para montar o turbo de maneira a poder sair no Sábado de manhã cedo. Vai tentar, vamos ver. Almoço “standard”: galinha com batatas fritas, sumo de pacote e sumo natural, anormalmente rápido. Os preços locais são baratos, mas a condição de “muzungo” , transfronteiriça, aumenta logo muito as coisas. O céu está bastante cinzento, veio o vento e cairam algumas gotas grossas de chuva. No pátio do Hotel, as folhas grandes das amendoeiras agitam-se em verde e vermelho escuro. Longe da vila de Masasi, no mato, encontram-se elefantes, leões e leopardos; por aqui a Vila tem água canalizada em algumas partes, tem um Hospital com vários Médicos, um Laboratório de Análises Clínicas privado, também aparecem alguns raros Massai a fazer negócio. Neste momento está em curso a campanha eleitoral para a Assembleia da Republica da Tanzania, concorrendo 18 partidos (de facto, 6 tem representantes parlamentares mas 1 é maioritário e detém o poder desde sempre). As cadeias televisivas transmitem os debates, tenho atravessado alguns comícios e manifestações. Um ataque dos mosquitos motiva a instalação imediata da rede mosquiteira. Os Muçulmanos na Mesquita não param de cantar o dia todo. E está na hora de ir dormir, lua grande e bonita, de cheia a decrescer, ótima temperatura.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
Nothing
Preparando-me para a terceira noite no “Sayra Hotel” em Masasi, mudo de quarto para uma cama sem defeito. No ATM levanto 100.000 Sh e dirijo-me ao longo da estrada principal, para a oficina, tipo descampado junto a ruina, a pé com o meu amigo Mohamed, para tentar contactar o mecânico. De Dar es Salam, diz que só chegará Sábado à noite; pedimos para vir o mais rápido possível, para montar o turbo de maneira a poder sair no Sábado de manhã cedo. Vai tentar, vamos ver. Almoço “standard”: galinha com batatas fritas, sumo de pacote e sumo natural, anormalmente rápido. Os preços locais são baratos, mas a condição de “muzungo” , transfronteiriça, aumenta logo muito as coisas. O céu está bastante cinzento, veio o vento e cairam algumas gotas grossas de chuva. No pátio do Hotel, as folhas grandes das amendoeiras agitam-se em verde e vermelho escuro. Longe da vila de Masasi, no mato, encontram-se elefantes, leões e leopardos; por aqui a Vila tem água canalizada em algumas partes, tem um Hospital com vários Médicos, um Laboratório de Análises Clínicas privado, também aparecem alguns raros Massai a fazer negócio. Neste momento está em curso a campanha eleitoral para a Assembleia da Republica da Tanzania, concorrendo 18 partidos (de facto, 6 tem representantes parlamentares mas 1 é maioritário e detém o poder desde sempre). As cadeias televisivas transmitem os debates, tenho atravessado alguns comícios e manifestações. Um ataque dos mosquitos motiva a instalação imediata da rede mosquiteira. Os Muçulmanos na Mesquita não param de cantar o dia todo. E está na hora de ir dormir, lua grande e bonita, de cheia a decrescer, ótima temperatura.
quarta-feira, 15 de setembro de 2010
Horizontes
Porque hoje é Sábado. Em Masasi, Tanzania, levanto-me tarde. Peço um café no “Restaurant”, relativamente rápido, sumo natural não há! Lanço-me para um screening visual e fotográfico da vila, inside and outside: a sudoeste uma planície de palmares e outros bosques, a perder de vista, muitas casas, a nordeste uma cadeia de picos rochosos maciços e bem recortados, perto, algumas casas. Avanço na borda da rua principal do lado Sul até ao final da vila, na faixa onde se concentra todo o comércio e serviços, bancos, gazolineira, alafaiates, bares, barracas e mercados, ambulantes, polvo assado, espigas de milho, até ultrapassar a Igreja, a Policia e o cruzamento principal. Brancos não há. As àrvores de suma-uma são enormes aqui. Aquela era diferente, com frutos verdes, grandes, tão cheios de quase maduros. No topo da subida, junto a um enorme penedo, viro à direita e passo para o lado Norte da estrada na entrada para o Hospital Distrital; sigo por aí e vou virando à direita, contornando o penedo e regressando paralelamente ao percurso anterior e sempre junto à cadeia montanhosa no limite das casas da vila. Os picos estão a 951 m e devem estar uns 400 m acima de mim: são rochas íngremes, muito lisas de cores fortes. A parede rochosa lisa mas rugosa desafia a escalada. De facto – mal pensado, estou de sandálias e acautelo-me com as cobras. Olhando a sudeste, avista-se ao longe o planalto Maconde (sim, Tanzaniano); a Sul e a Oeste, alguns “Eizelbergs” à distância. Alguns rapazes falam no alto da falésia, brincadeiras de dia sem escola. Re aproximo o limite da vila e atravesso uma área com várias fábricas artesanais de tijolo, blocos de barro muito vermelho cozido, geometricas áreas de rectangulos encarnados organizadas entre fornos e cubatas. Quando recebo a chamada do Mohamed, estou no monte, a pouco mais de 1 km do Hotel. Parece que o mecânico já chegou. Desço na vertical para a estrada, onde chego uns 200 m para lá do Hotel. Viro à direita e chego à base, fresquinho, passadas 2 h 30 min de passeio bem ritmado, a andar sem pressas – visual exercise! O mecânico chegou de Dar e tem o turbo, vou buscar a chave, abrir capôt, estão a montar. Põe a trabalhar, está a funcionar. Re acerta, vai dar uma volta, está OK. Job: 90.000 Sh. Atesto o diesel com 26 l (40.500 Sh), compro 2 l de óleo (9.000 Sh) e meto 1. Comer e deitar cedo, que amanhã é para madrugar!
terça-feira, 14 de setembro de 2010
It's been a long, long way
Hoje é Domingo e o percurso vai ser duro. Não sei ainda se Masasi – Mueda, Masasi – Pemba ou Masasi – Nampula. Levantar às 4h 30min e saída de Masasi às 5 h, ainda bem de noite, com 4.650 km. Temos 72 km de estrada boa, seguida de uns 10 km de pista junto à estrada em reparação. Viramos à esquerda e a pista está razoável; o sol está a levantar-se e aproveito para lavar o vidro da frente que está muito sujo; as nuvens separam-se em fios dos cumes rochosos; são ainda cerca de 40 km até à fronteira, sendo os últimos 3 km junto à ponte, uma recta perfeita em alcatrão lisíssimo. A passagem, dos passaportes e documento do carro, na fronteira decorre sem atrasos ou problemas, com verificação do número de motor. Passar a ponte tranquilamente, passar a Alfândega de Moçambique: o funcionário começa por hastear a bandeira Moçambicana; passaporte e DIRE ok, viatura deve aguardar colega que vem a pé porque motorizada avariou; chega pouco depois e entrega sem mais o documento necessário. Saída da fronteira às 8 h, com 4.761 km, dou boleia, excecionalmente, a uma família que vai para Mueda, casal e duas meninas. Quando fecho a mala, catástrofe, o vidro já não fecha. Só imaginar os 4 infernos de pó vermelho dá para arrepiar. Tirar o pessoal, ferramentas da mala, abrir, desaparafusar, empurrar, funciona, montar, fechar e toca a andar, que se faz tarde. São 9 h!. Pista regular durante 60 km, quando aparecem os troços de “pó vermelho”, quatro pedaços de menos de 1 km cada mas que dá para enfrentar! Janelas todas fechadas, em segunda, devagar e com calma, sobretudo o último pedaço. 120 km depois da fronteira encontramos a primeira aldeia com cancela, com placa “Douane”, algumas casas de “alvernaria”, onde paro para comer uma maça, beber água e esticar o esqueleto. Faltam ainda 30 km de pista maioritariamente de areia, para Mueda. O último troço atravessa já uma periferia urbana considerável, maioritariamente de palhotas. Chegando a Mueda, 4.931 km, atesto de diesel e verifico o óleo de motor que está pela metade. Encomendo o almoço ao Sr. Coelho no MTIMA (Coração em Maconde), estalagem simpática e jeitosa, simples, com quartos com casa de banho e recintos exteriores cobertos para restauração e bar, até parqueamento auto. A comida demora 1h 20 min, atestanto o regresso a Moçambique, mas está muito boa e come-se rápido, conseguindo sair às 16 h. São 75 km pela Rota da Indepêndencia, em pista de areia boa e lisa. Abundam os monumentos aos heróis. Os Ebondeiros enormes aparecem prateados com o sol baixo do fim da tarde. Bruscamente depara-se o final do planalto, horizonte aberto, ao longe a Sudeste a lagoa de Bilibiza, no Parque Nacional das Quirimbas. Descida abrupta, prolongada, toda em placas de cimento, algumas curvas, até ao vale; continua a pista, algumas curvas, descidas e subidas. Chegamos à estrada nacional a Norte de Chai, péssima, cheia de buracos, de pedaços totalmente desfeitos, fazendo mais 60 km até Macomia. Já de noite cerrada, chegamos ao cruzamento para Pemba, onde paro para tomar café: o público da TV da banca (DVD) é maioritáriamente de crianças e depois mulheres, está muito animado. O café é batido e está bom. Mais 80 km de estrada boa e bem sinalisada e chego a Pemba às 20h, viro logo à direita para a Winby Beach, direcção Wimby Sun. Tiro os primeiros 5.000 Mt do ATM do Casino, desde que entrei em Moçambique hoje há 450 km, e totalizo 5.253 km de viajem. O quarto tem ar condicionado, e a cama é ótima!
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Cidade do Norte
sábado, 11 de setembro de 2010
Cidade de Nampula
sexta-feira, 10 de setembro de 2010
Safari Tanzania 23
Quarta-feira, levanto-me sem pressa no Hotel Lúrio para tomar o pequeno-almoço, melhorado, fruta e iogurte, ovos, salsichas e café. Será hoje o último dia deste longo Safari Tanzania, com mais uns 600 km de calor, uma boa prova de paciência e resistência, uma infinidade de novas descobertas e imagens. Entretanto levantar 3.000 Mt no ATM Standard Bank na Avenida; não dá dinheiro, há problemas de rede – para não variar, passo para o outro. Saímos pelas 8 h 30 min de Nampula, directos e sem paragens, Murrupula, passamos os artesões das camas e cadeiras em junco, Alto Ligonha, sempre a subir até ao Alto Molocué. Comprar amendoim, torrado e grande, tomo um café e um sumo. Está bastante calor mesmo – está aí o Verão, as obras da estrada decorrem mesmo em frente ao “Glorioso” e a poeira vermelha está por todo o lado. Como sempre há crianças a pedir na porta. Passo Mugulama e Nipiodi, vou bebendo água, para fazer a próxima paragem mesmo antes do cruzamento de Nampevo, para necessidade imperiosa. Capim alto, muito sol. As compras habituais saem um pouco furadas na maré de vendedoras e o gazóleo está quase a zero, quase já 1 depósito gasto desde Nampula. Lentamente, pela estrada muito má mas mesmo assim melhorada desde a última vez, muita poeira, com cuidado chego a Mocuba. Atesto o depósito e paramos para café e lanche. Mocuba tem agora as ruas principais todas alcatroadas e lisas, está uma verdadeira cidade! Estrada muito boa daí para baixo, paramos em Malei para comprar feijão e tomate, uma hora até Namacurra, nova paragem para fotografia, depois do rio. Continuo até Nicoadala, passo os artesões de caixas de madeira, já pôr-do-sol, mais meia hora e é noite. Sigo para Quelimane no cruzamento que vem do Zambeze. Em casa finalmente no Bairro Kansa em Quelimane, está tudo OK mas a Lanchonete hoje está fechada e não serve refeições. Sigo para o Coco para jantar. São 6.290 km, o carro vai-se abaixo fácil ao ralentie e faz um barulho infernal de caçarolas e tampas a bater. Terá que ir para revisão, muda de óleos e filtros, amanhã ou depois. Cansado mas satisfeito. A viajem durou 23 dias e para já, as grandes viajens, estão concluidas!
domingo, 8 de agosto de 2010
Inesperados Inéditos
Viramos para Norte, paralelamente à fronteira com Moçambique e a curta distância, para chegar até Nyanga (108 km) onde acaba a estrada de alcatrão. Fazemos-nos à pista, norte, pouco depois oeste, ainda norte. No sopé de um pequeno monte, as ruinas de Nyahokwe, antigo povoado mineiro (de ferro), algumas casas (com pátio interior para guardar os animais durante a noite, várias divisões, habitação do homem sobre o tunel de entrada dos animais, habitações de 1, 2 ou 3 mulheres conforme a riqueza da família, cozinha) e muros largos de protecção e suporte. Subimos a encosta para um colo liso entre o monte principal e outro mais pequeno, com uma vista explêndida. O complexo do tribunal, com patio de audiencias murado, lugar do condenado – poste de pedra onde seria atado e pedra onde poderia sentar, o trono do jurí, a casa do tesouro (com recinto interior para guardar o gado da dívida durante o tempo do julgamento), com habitações também.
Voltamos ao vale, um pouco mais a oeste e a norte, pista maioritariamente de areia amarela, algumas zonas de pedra.
Estamos no grande complexo habitacional, inúmeras casas de vários tamanhos, distanciadas, quase todas com pátio interior para guardar os animais, recintos de cultivo e para animais com muros enormes, complexo de tratamento e armazenamento de cereais, “palácio” dos congressos, casa do rei com quatro mulheres, nucleo fortificado. Àrvores e cactos enormes rompem o casario. O horizonte é largo povoado de inúmeros picos rochosos dispersos ao longe. Neste local existe um pequeno museu moderno muito interessante. As semelhanças arquitectonicas destes vestígios com a cultura dos castros do noroeste ibérico são verdadeiramente espantosas.
Este é o centro de uma área de mais de 8.000 km2 repleta de ruinas da cultura Ziwa, exemplo inédito em toda a África Oriental. As pesquisas arqueológicas identificaram na zona vestigios da Idade da Pedra, desde 50.000 a 1.000 anos antes de cristo. No terceiro século da nossa era a área foi invadida por comunidades agro-pastoris com cerâmica e fundição de ferro que se foram instalando até o século X, ramos Bantu como os Marave. No século XV chegaram os Tonga vindos do baixo vale do Rio Zambéze que falavam Sena. O Grande Zimbabwe está no auge em 1440 graças ao comércio do ouro com o porto de Sofala. O grande império do Monomotapa nasce em 1450 e resiste até 1629 aos Portugueses, que já tentavam dominar o estado Shona desde 1505. Foram as populações Monomotapa as arquitectas e construtoras principais desta interpenetração homem-natureza e cidade-campo. Os últimos representantes das famílias reinantes estabeleceram outro reino Mutapa em Moçambique, chamado por vezes Karanga. Os reis Karanga chamavam-se Mambos e reinaram na região até 1902. Em 1800 a zona tinha já sido comptetamente abandonada, aparentemente por esgotamento dos recursos.
Em Shona, a língua local, Ziwa (o nome do monte - 1.700 m de altitude - que dá o nome à cultura desta zona) quer dizer conhecimento. Não muito longe, mais pequeno, a Oeste, está o monte Hamba: quer dizer “vai, ide, ir”. Entre os dois, está outro mais pequeno, o Mupiro, “local das oferendas”, onde o chefe religioso organiza anualmente a festa tradicional. Também o Médico tradicional, diz-se Nhánga como em Etxwabo. E o Feiticeiro é Murroyi. Muprofita, aquele que descobre quem rouba ou quem faz mal. Estes, de tão ricos, poderiam ter até 15 ou 20 mulheres. Niamucuta, é a parteira tradicional. Quem saberá o que de facto se passou?
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Inteligencia operacional
quarta-feira, 28 de julho de 2010
7 Anos
Hoje está dedicado à festa de aniversário de uma das crianças da família. Depois de estendida a esteira, servem-se os petizes. Cada um com seu prato de arroz, salada e caril de galinha. Mesmo os mais pequenos treinam a sua independencia e o jeito de comer com a mão. Estão contentes. Os adultos são servidos a seguir, batata frita, arroz, galinha, caril, salada, algumas cervejas e refrescos. Um amigo mais idóneo em pequeno discurso situa o acontecimento e instiga ao repasto. Entre familia próxima (50%), afastada (40%) e visinhos (10%) estarão umas 60 pessoas. Todos vivem ali mesmo ou muito perto. Baixa-se a musica e a refeição decorre em quase completo silêncio. Recomeça o som ambiente e trazem o bolo de anos, muito bem coberto de chocolate, que a mãe acende nas velas para a filha, a prima e o primo poderem soprar, depois de cantados os parabéns. A mãe “abre a sala” com uma dança mexida e todos se concentram em bailados ritmados, de passada e kizomba, rap ou marrabenta. A animação atinge o auge à medida que o Zed vai sendo repartido. Trocam-se pares e fazem-se acrobacias. Cada qual tenta superar em jeito e contorsões aos ritmos intensos os restantes dançarinos. De vez em quando um “slow” encosta os pares, que vão alternando. Trocam-se estórias e piadas e as gargalhadas dominam o som de fundo. Apesar do fresco os mosquitos não desistem e tentam também a sua refeição perigosa – não há maneira de os evitar aqui. Pela meia noite os convidados começam a retirar-se – amanhã é dia de “trabalho”! Mas a festa foi muito boa e toda a gente está satisfeita! Até à próxima!
terça-feira, 27 de julho de 2010
Porque hoje é Domingo...
quinta-feira, 8 de julho de 2010
Não caça
Aqui depara-se um agitado polo agro-industrial, pilotado pela companhia Sena Sugar: 24 horas por dia, 7 dias por semana, chegam consecutivamente tractores com vários e grandes atrelados cheios de cana e saem camiões carregados de paletes repletas de sacos de 1 kg de açucar, amarelado de grão grosso. A grande fábrica emprega centenas de pessoas, têm “caminho de ferro”, porto, bairros, escolas, centro de saúde, instalações sociais e desportivas.
A vila de Marromeu é sede de Município na Província de Sofala; tem uma igreja grande, muitas lojas, alguns bares e pensões, muita gente, longas ruas de mercado, vários artesãos, biblioteca, aerodromo. Está no centro de uma zona com várias reservas de caça, que confina com o Parque Nacional da Gorongosa – encontram-se claro muitos crocodilos, hipopotamos e macacos, também bufalos e vários cervídeos. O melhor sítio para ficar, atualmente, é o “Pappa Lodge”, nas istalações da companhia SS, em moradias algo tradicionais, com bar e restaurante, música e animação.
terça-feira, 29 de junho de 2010
A doce insignificancia do estar
segunda-feira, 28 de junho de 2010
Au revoir
O dia nasce cinzento com temperatura fresca. A dona da casa procura saber o que faz falta para a primeira refeição; mas a mesa já estava bem servida: o mata bicho tem inhame, chima, “galinha em sal”, ovos estrelados, papaia, laranja, chá, café, água. A nossa anfitriã é muito bem disposta, fácilmente às gargalhadas, nascida em Quelimane também se exprime em “Manhawa” (língua de Lugela, uma mistura de Lomwe com palavras Nguni ou Angune). Depois do repasto carregamos 5 batuques: 2 foram vítimas da grande batucada (peles rompidas) e ficarão para reparação. Visitamos o Centro de Saúde, para ver os estragos anunciados nas coberturas tradicionais dos pre fabricados; atravessamos o mercado cheio de gente a esta hora do Domingo e fazemos-nos à pista, em muito mau estado, em direcção a Mocuba e Quelimane. Aparece o sol e paramos no blindado abandonado à entrada da vila, fóssil da guerra civil, para registo memorável.
sexta-feira, 25 de junho de 2010
Rica terra
Até à capital de Moçambique, proposta por Samora Machel por se encontrar no centro do país, são 2 horas de alcatrão bem liso sem problemas. Atravessamos a ponte nova e depois de hora e meia para fazer 50 km desde Mocuba, na pista má, cheia de buracos, zonas de lama funda, algumas derrapagens (tração não estava ligada), “tole ondulée”, pequenos choviscos, chegamos a Lugela ao fim da tarde. No “Mussaca”, albergue construido com materiais e arquitectura local, estavam à nossa espera e escolhemos os quartos. Os lençois são de pano muito branco e grossos, cheiram tão bem a lavado! O moço pergunta logo se quero ver os batuques que tinha já antes encomendado e pago, ao que respondo imediatamente que sim. Os 7 batuques encontram-se muito bem expostos, alinhados num banco na cabana dos jogos: muito potentes, baixos, pesados, fechados na base, 2 com um alto relevo rectangular, os mais pequenos. Chegam os 4 rapazes, muito jovens, que vão tocar e veêm cumprimentar. Pouco depois, apresenta-se a autoridade comunitária, o Sr. Francisco Lampião Alfaiate, líder do grupo de música, dança e cantares. Passamos à refeição, de arroz, chima, galinha, caril, ensopado de cabrito, piri piri, cerveja, refresco, água, na cabana destinada a restaurante. Vamos falando das histórias da terra, dele, um senhor de 65 anos muito bem conservado, da guerra, dos locais, caminhos e tradições, mitos até e histórias para crianças. Duvidam que eu não acredite na cobra de 7 cabeças que saiu da pedra da montanha e causou muito prejuízo. Depois da fruta, passamos ao exterior, para o pequeno recinto plano onde se prepara a batucada: 5 batuqueiros, 7 batuques, 10 dançarinas cantadeiras, 1 mestre de grupo, arrancam em cheio, com energia, muito ritmo e ótimo som. Os coros das mulheres, desafiados pelo solo do homem, clamam heróis antigos. As vozes daquelas mulheres, em melodias polifónicas, ressoam com a terra e o ar denso. As canções falam sobre histórias passadas há muito tempo, das famílias, suas alegrias e tristezas, amores e traições. As danças são agitadas e rápidas. As dançarinas principais, que alternam, vão desafiando e provocando os batuqueiros. As obras duram quase sempre muito (10 min) e os intervalos são curtos. O grupo irá actuar toda a noite, durante cerca de 7 horas, bebendo zed, sempre com alto nível! O céu agora limpo e estrelado, vai-se cobrindo e começa a chuviscar. Ninguém parece notar, um pouco abrigados pelo cajueiro. Acende-se um fogo para dar algum calor e claridade. Está fresco – vestir blusão! O ritmo acelera, o tom aumenta. A noite de Lugela, no meio da floresta tropical húmida, leva-nos ao centro da mãe terra.
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Tratado de História das Religiões 2
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Tratado de História das Religiões
quinta-feira, 17 de junho de 2010
História das Religiões 2
Hierofania = crença no sagrado
Hierologia = estudo das diversas religiões
Cratofania = “adoração” da terra
segunda-feira, 14 de junho de 2010
História das Religiões
Soteriologia = estudo da doutrina da salvação
terça-feira, 25 de maio de 2010
Filmes 3
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Filmes 2
sábado, 22 de maio de 2010
Filmes 1
sábado, 20 de março de 2010
Para onde vamos?
segunda-feira, 15 de março de 2010
Estreia
Ainda está escuro mas existem logo acima do horizonte Este alguns pedaços de céu azul claro. A tripulação está a postos e saímos lentamente do Porto de Pesca para os Bons Sinais. Será uma viagem de cerca de 100 km, quase todos no mar. Aparece o clarão amarelo avermelhado a bombordo quando avançamos pelo canal em direção ao Índico, estando já o dia pleno quando aí chegamos. Pouco movimento, raras canoas, algumas pessoas nas aldeias da margem esquerda.
O vasto oceano está calmo, as ondas são seguras, o céu bem azul forte sem nuvens. Viramos a estibordo, direção Sudoeste, contornando Inhassunge, passamos em frente da Capitania de Olinda, farol branco, é visível o estrago dos coqueiros. Passamos a entrada para o canal de atalho (em direção ao Seminário de Mucupia e Quelimane) e continuamos ao longo de uma costa de dunas impressionantes. Lentamente (9 km / h) o barco vai baloiçando em direção à foz do Rio Zambéze ao longo da linha amarelo verde baixa a oeste, já Distrito de Chinde.
Avistamos primeiro uma faixa de casuarinas ainda em praias de Micaun, entramos numa zona bem delimitada de àgua castanha, logo a seguir avistamos o grande espaço liso correspondente à entrada do Zambéze e à esquerda a antena de comunicação da Vila de Chinde, rodeada de coqueiros. Aproximamos-nos da foz mas somos obrigados a recuar, pelas ondas agitadas em rebentação criadas pelos bancos de areia, refazendo a aproximação mais a norte em zona mais calma. Algumas pessoas tomam banho na praia, várias canoas de pescadores trabalham com redes, um grupo grande de pessoas perto de uma tenda no alto da duna são os deslocados das inundações.
domingo, 14 de março de 2010
Cabotagem
Vamos a pé do centro da vila até ao porto improvisado. A maré começou a vazar e fá-lo rápidamente. Temos pressa em sair mas houve alguns atrazos. Está muito humido e enevoado. Largamos a praia de Chinde em direção ao mar, prescutando a linha de rebentação ondulante branca no horizonte. A agua cor de barro quando se eleva imita um morro a subir. Tentamos aquilo que parece a zona mais calma e seguimos. Mas as ondas começam a crescer, o barco executa piruetas, o piloto vai parando o motor e retomando a rota perpendicular aceleradamente para vencer o obstaculo. Pouco mais e estamos fora da zona agitada, virando a bombordo rumo a nordeste.
Mais à frente passamos o limite bem definido entre as águas do Zambéze e o mar, com uma mudança radical de cor para o esverdeado, numa linha espumosa interminável. A umas 8 milhas da costa avistam-se 2 pesqueiros industriais de porte médio. Passam alguns barcos de pescadores ao longe, vela triangular; está bastante calor apesar do vento fresco. As medusas na àgua são raras. Os cumulos brancos dispersos e baixos enfeitam o céu muito azul e temperam o clima.
Pouco antes da entrada dos Bons Sinais – Rio Cuacua, a sul ainda em frente a Inhassunge, depara-se com uma nova linha de cristas brancas, elevando-se harmoniosa e concertadamente no horizonte. As ondas, altas de 4 ou 5 metros, chegam-nos paralelas ao barco, tornando-se imperioso distanciar-nos da costa virando a estibordo. O perigo destas situações é que correspondem à existência de bancos de areia, que podem ser fatais no caso de ondulações extremas. O piloto concentra-se e após algumas subidas e descidas imponentes saímos da zona de agitação sem problema.
Mais a Norte temos a primeira boia e viramos a bombordo, entrando no canal para chegar a Quelimane em cerca de uma hora. Não é difícil de imaginar que há 500 anos atráz esta era a foz do Rio Zambéze e não Chinde, 80 Km mais a Sul. Vamos cruzando com um tráfico intenso, canoas e barcos de pescadores, uns remam, outros com velas triangulares multicores de farrapos vários de pano e plástico, outros arrastam as redes, outros transportam os sacos de carvão para as cozinhas da cidade. Sobre o mangal do horizonte destacam-se os 2 volumes principais da urbe, o Banco de Moçambique e o Hotel Chuabo.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Saída do estaleiro a subir
sábado, 20 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
É Natal
Prepara-se um grande parto. O estaleiro no topo da duna, junto ao farol da praia do bairro de Paquitequete, apronta-se a lançar nas águas da baia de Pemba, o veleiro ainda sem mastros, construido em madeira durante seis anos pelos carpinteiros navais locais. São os últimos preparativos, alguns toques de calafetagem, pintura do branco, remoção das canas e chapas de sombra. A cerimónia é conduzida pelo velho lendo os capítulos apropriados do alcorão, ajudado pelo jovem que acentua o coro e coloca os paus de incenso.
São várias tentativas sem resultado. A corda é manifestamente muito insuficiente. O percurso inicia com uma ligeira subida. Decide-se amarrar também a grossa corrente metálica da âncora. Aplica-se oleo nos rolos. Concentração geral. Ritmo gritado cadenciado. O enorme esforço arrasta o barco quinze centimetros. O pessoal anima, mais vinte centimetros. Mudam-se tabuas e rolos. Continuamos, o entusiasmo acentua-se. Fazem 10 metros, insistindo na curva a bombordo para encurtar caminho para a água. O movimento “rápido” e a falta de atenção na colocação do rolo para o estabilizador de bombordo, provoca a queda do barco e a fractura daquele.
O desânimo é pesado e a agitação está no auge. Devem estar por aí 150 pessoas, entre os 70 homens contratados, mulheres, crianças e espetadores. Fala-se e grita-se muito. Vários grupos empreendem acaloradas discussões. Mãos à obra, quer dizer, à madeira, com toda à gente a endireitar o barco. Ritmo cadenciado. Palavras gritadas, coro surdo. Mexe. Cunhas preparadas. E sobe 5 centimetros. Outra vez, mais 10. Mas descai um pouco. O pessoal está cansado. Volta a insistir e melhorou. Concentram-se na popa. Em coro. Fica direito. O estrago no estabilisador não é catastrófico, será possível resolver sem grandes contrariedades.
A tarefa não foi concluida. Estamos a 50 m do mar. O Chefe de 10 Casas arranjou alguma confusão com os pagamentos do pessoal ficando decidido adiar para amanhã de manhã. Ámanhã será sobretudo necessário reparar o estabilizador, prevendo-se que o barco só possa sair para o mar dia 26.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Esforço muscular humano
A manhã está quente, embora com algumas nuvens para abrandar a potência solar. O Índico cercado na baia é de prata calma. Desço à praia, paro na sombra da acácia. Duas tripulações ocupam-se de pequenos arranjos nas embarcações encalhadas da maré baixa. Contorno a baía e seus naufrágios.
O estabilizador do veleiro foi bem reparado e teve tempo de secar a cola. Muitas crianças, alguns adultos, neste momento disputam-se as sombras todas, escassas. Tinha já sido escavado um leito na areia mole, em forma do casco, ligeiramente descendente até à linha de água, em que as tábuas e rolos foram sendo acomodados. A população juntou-se, a corda e a corrente estavam preparadas. Em coro comandado, incita-se o grupo. 50 homens concentram o esforço muscular ao som da voz cantada bem ritmada. Nem mexe. Nova tentativa. Zero centímetros. O pessoal desanima, a gritaria aumenta. Discute-se.
Já tinhamos pensado, combinado. Traz-se o 4x4. Liga-se a corrente. Puxa. Nem mexe. Precisamos do carro, mas só com a ajuda de todos poderá resultar. Volta-se a reunir o pessoal, todos pegam na corda, alguns na corrente. Coordena-se o comando de voz com o sinal gestual para o “driver”. Mas a população parece que tem medo, a corrente em extensão não oferece confiança. O 4x4 patina. A população observa. Puxa. Patina. Colocam-se tabuas e barrotes, o carro continua a enterrar-se e nem consegue estremecer o barco. Desânimo é geral. Não têm problema, amanhã vamos buscar um tractor potente. O barco vai para a água!
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Paciência
Domingo de manhã a cidade está vazia. Da Mesquita próxima chamam para a oração. Desço para a marginal por uma secundária com algumas sombras e as pessoas já dizem bom dia. Nas rochas da linha de água, duas pessoas em “fecalismo a céu aberto” como se diz aqui, hábito generalizado nos Mwani, Nahara e Khoti.
A maré ainda está meia e o veleiro recorta-se no horizonte da praia. Chega um “dhow” carregado de gente do outro lado da baía. Num barco de pesca á rede encalhado ao lado, o mecânico tenta por o motor a funcionar sem resultado. Visitantes vem apreciar os trabalhos de lançamento.
O comandante já se atarefa para um lado e outro, junto dos dois carpinteiros, do chefe de dez casas, do capitão. Sai para ir buscar um trator de um certo amigo, que aparece ao final da manhã, amarelo, rodas grandes, girando na areia ao longo da linha de água, vindo da direcção do Porto. Prepara-se e liga-se a corrente e reforça-se a corda. Combinam-se os sinais que devem marcar o arranque e a paragem da máquina, tendo em conta o correto apoio dos estabilizadoes e a facilidade de deslize da quilha. Ajeitam-se os tubos metálicos e as tabuas. Estica-se a corrente. A população, pouca gente, muito calor, assiste.
Mete a primeira, patina. Reforça-se o piso com mais paus e tábuas. Mete a primeira. De cada lado do barco, um “controlador” levanta o braço indicando autorização para puxar; conforme combinado, braço em baixo é para parar. Arranca, estica, estala a corrente. Nada feito, nem mexe. As pessoas reunem-se à volta da popa para empurrar. Reforçamos o piso em frente dos pneus do trator. Mete primeira, ao levantar o braço, ditado pela voz do coro que comanda os homens à popa, desembraia, patina, nada.
A população concentra-se na popa. Arranque à voz! Esticam-se os cabos. O trator patina. Nada feito, o barco nem mexe. Manobra-se a maquina e reforçamos mais uma vez os trilhos das rodas com paus, sacos de plastico, tabuas, lixo! Novo arranque, estrondo, rebentou uma das cordas de apoio, chicoteou um jovem: pequena tumefação na coxa direita, nada de grave. Voltamos a preparar os cabos. Arranca-se desta vez, com melhor coordenação com o povo que empurra na popa! E vai, estremece, mas não avança. Coragem, nova tentativa, coordenada, em coro. O esforço é grande, sem recompensa. Esta máquina não consegue ajudar, deveremos encontrar um trator com tração às 4 rodas e bem mais pesado.
E está na altura de tomar um banho para refrescar, nas águas transparentes azuladas e macias, limpando o falhanço e lavando a paciência. A tarde vai escurecendo e o trabalho ficará para amanhã! Vamos procurar de comer
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Entusiasmo
Na cidade baixa as lojas estão concorridas, grupos de homens sentados na sombra dos armazéns, cabras passeiam nos jardins, duas pessoas levantam dinheiro no ATM. Como prioridade antes de descer à praia, comprar garrafa de água.
O amigo francês sentado à sombra do telheiro de bambu da sua lancha em reabilitação parece dormitar. Presentes o Capitão e os 2 carpinteiros principais. Vamos então buscar um tractor mais potente, com tração 4x4, pesado, rodas grandes.
Dispoem-se as pranchas. Estica-se a corrente, as cordas ficarão para as pessoas. Combinam-se os sinais. O homem tenor arranca a fala sincopada. O coro eleva-se, o trator mete primeira, o barco deliza 20, mais 15, mais 10 centimetros. Parar. Retirar troncos, rolos e tábuas, escavar mais á frente, voltar a colocar. Novo posicionamento. Voz, arranque, fazemos 1 metro, parar. O processo vai-se repetindo. O entusiasmo é geral. Cinco mulheres protagonizam a liderança e incitam a continuar para o mar, carregando tabuas e rolos. Com a ajuda da população animada, do trator, arrastamos as 30 toneladas do veleiro cerca de 15 m. No próximo movimento, a desatenção num rolo de Bombordo provoca a segunda queda. O desãnimo é geral, o ruido aumenta, a agitação atinge o auge. A queda sobre uma das estacas de apoio arrancou parte do corrimão de bombordo e o aspecto é de naufragio, confrangedor.
Mas os homens de Paquitequete não se deixam vencer: mãos à obra, melhor à madeira do veleiro, estacas e cunhas preparadas, voz de coro, e upa; centímetro a centímetro, lenta mas decididamente, a população remete o barco em posição vertical. Estamos mais descansados, o estrago não é catastrófico. Já tínhamos combinado para hoje – dois cabritos, seis galinhas, um saco de arroz, cinco litros de oleo, seis latas de tomate, alho e cebola, as mulheres trouxeram as panelas e o carvão - e serve-se a grande refeição comunitária de arroz com caril de cabrito e galinha. Em todo o areal à volta do veleiro, grupos atarefam-se em redor de pratos de folha avantajados, crianças, jovens e adultos. A boa disposição é geral!
A avaria do estabilisador poderia ter sido evitada se os parafusos tivessem sido substituidos, na medida em que depois de torcidos uma vez, ficam logo mais frageis. Mas enfim, aprender é até morrer e amanhã há mais. O mecânico sobe ao barco para pôr o motor a trabalhar uns minutos; já tinha preparado um recipiente de duzentos litros de água, ligado por um tubo à maquina, para refrigeração. Arranca, ruminante, soltando um fumo cinzento. OK!
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Persistência
Saio da Hospedaria procurando as escassas e interruptas zonas de sombra junto às fachadas. As mulheres vestidas nas suas capulanas de cores vivas e contrastantes sobem a avenida. O sol ilumina tudo drásticamente e o calor é muito. Curvo á esquerda tomando uma transversal virada ao porto. Numa oficina mecânica improvisada de rua, três viaturas, dois motores à vista, um grupo de homens e jovens. Bom dia! Desço a colina da cidade baixa até à marginal, entrando na praia.
Ontem o barco parecia um naufrágio na praia. Hoje, os dois carpinteiros principais já repararam o corrimão de bombordo (até parece que não houve nada) e atarefam-se sobre o estabilizador de bombordo, ainda desmontado. Num toldo improvisado, a máquina de soldar fornece o apoio derradeiro. O povo circula, discute, o comandante pede espaço de manobra. Quadro homens orientados pelo carpinteiro chefe aplicam o estabilizador ao casco, com cola especial e a força do macaco. Apertam-se os parafusos a partir do interior. Parece novo. Agora deverá secar!
Vamos buscar água que a transpiração aperta. O chefe de dez casas está preocupado com a saída do barco para o mar e o ilustre muçulmano diz que tudo sairá bem. No final do dia o estabilizador está bem reparado e calafetado, fixado com boa cola impelida pelo “macaco” de trinta toneladas, com parafusos novos e mais fortes. Vai funcionar! O mecânico sobe ao convés, deche ao porão das máquinas, faz arrancar o motor. Trabalha regular, ruido fundo, expelindo jatos de água. Ótimo. Amanhã o barco poderá entrar no mar!
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Batucada
Quarta-feira na cidade de Pemba, capital da Província de Cabo Delgado, acordo com o chilrreio dos pássaros. Depois do mata-bicho, faço-me ao calor do verão africano. Passo a levantar um “cash” no “ATM”, aproveito a sombra da acácia enorme, flores vermelhas, aprecio os padrões arquitectonicos dos “setentas", marcas do esforço do “Estado Novo” para segurar a antiga “colonia”. As viaturas insólitas, ecoam na subida para a cidade alta. Remeto-me à costa, vagarosamente e saboreando só o tempo. Lá em baixo, o Índico reflete lápis lazuli.
Contorno a baia, paralelo à barreira de caniço do bairro e chego à zona do farol. Alguns miudos brincam na areia em pleno sol escaldante. O comandante ainda não tinha chegado. O capitão atarefa-se no convés. Os carpinteiros decansam à sombra no antigo estaleiro. Chega um barco de vela árabe da outra margem com várias pessoas que transportam fardos. Embora à sombra, a transpiração abunda. Tiro a roupa. A água é transparente e suave. Um banho no azul está mesmo a calhar!
Aparece o Comandante agitado, as coisas não correm bem com os locais, o trator não apareceu. O receio de um novo desastre é muito: não há duas, sem três. Decide-se aguardar pela próxima maré alta. Que será esta noite, pelas duas horas e vinte minutos, segundo as tabelas, diáriamente vigiadas pelo Comandante.
Entretanto várias crianças da Madrassa aproximam-se do toldo, transportando batuque largos, baixos e redondos, pintados de vermelho tijolo. Maioria de pequenas raparigas, de cinco a dez anos, cobertas de véus vaporosos azuis, cor de rosa ou verde claros, iniciam a cantiga em coro. Os rapazes, orientados pelo professor, percutem nos batuques, fazendo aquele a voz solo. Uma mulher mais velha, aproxima-se, vai cantando e dançando junto ao grupo. O fim de tarde de tons rosa laranja vermelhos, mistura-se com os sons do pequeno ponto de cores multiplas sobre a areia da praia
Então, vamos até à “Wimby Beach”, zona “queque” de Pemba, para uma boa refeição! Lulas!!! A Oriente a lua quase cheia está enorme ao sair do mar. A Laurentina está fresca mas deitamos cedo, daqui a pouco há que levantar!
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Celebração
A maré alta subiu bem e às duas horas da manhã o veleiro está, miraculosamente, a flutuar. Rápidamente dispõem-se as duas ancoras. Dá-se ao motor de arranque. Nada, uma, duas, três vezes, nada. O Comandante agita-se, o mecânico aplica-se, o motor arranca e o veleiro sai para a baia. Ensaiam-se as mudanças e o acelarador, tudo com muita cautela. A roda do leme responde muito bem e a estabilidade do barco é notável. Navega-se para o largo da baia, retorna-se para Oriente e depois regressamos à praia. Desligar o motor, lançar as âncoras, descansar um pouco – das emoções!
Às treze horas acompanho o Patrão Mor, o engenheiro e o carpinteiro navais, ao porto estaleiro para realizar a Inspeção da Autoridade Marítima ao Capulana. Na praia entramos num frágil plástico insuflavel de crianças. O Patrão Mor, descalça-se e pouco depois subimos na escada de popa do veleiro ainda sem mastros. Dão a volta, inspecionam: há uma entrada de água junto á quilha de popa. Convés, cabine, porões. Arrancamos com rota dirigida, bombordo, estibordo: o navio responde bem e rápido, o Patrão Mor aprecia. Muito bem, podemos celebrar com um pouco de branco fresco, temos liçença para circular na baia, até reparar a entrada de água e colocar o radio a funcionar.
Saímos então em bom ritmo para a praia de Wimby, passando pelo porto comercial, diante do cabo de Paquitequete, ao longo da marginal, pemba beach hotel, a uma velocidade de nove kilometros horários. Ancoragem, sempre a dobrar. Está maré quase vazia quando saimos no bote de plástico para a praia. O sol está a pôr-se e ao mesmo tempo aparece a lua cheia.
Jantar melhorado e bem regado, não fosse noite de festa. Ao longe, do complexo turístico, o fogo de artifício enche de cores reflexas o céu da baia. Céu limpo estrelado e muita animação. Música de todos os lados, quantidade de gente circulando em toda a praia e avenida, lindas raparigas!
Mais um copo e aparecem as nuvens. O Comandante está cansado e pede para o Capitão o levar para o barco para dormir. Quando volta, lamenta que o Comandante tenha caido ao mar quando subia do bote para o veleiro, molhando telemovel e documentos. Começa a chover. A Lua cheia, vai aparecendo entre as nuvens, mas a chuva tropical copiosa, puxada a vento, insiste em impôr-se. Afastamos as cadeiras e as mesas mais para tráz na esplanada. Cachoeiras aparecem em alguns pontos da cobertura de capim. Começam os relâmpagos e trovões, cada veis mais seguidos e potentes. O espetaculo é belo e intenso. Nisto, no centro do cenário, um raio cai mesmo a cem metros à nossa frente, com um ruido seco e estranho, sobre o barco!!!
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
sábado, 12 de dezembro de 2009
Aprendendo a vida
domingo, 29 de novembro de 2009
Eleições em Moçambique
domingo, 8 de novembro de 2009
A descoberta de Iunga
sábado, 7 de novembro de 2009
Buscando raízes
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Ilha Deserta
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
A Serra que Canta
Saímos de Morrumbala passando o aerodromo pela picada em direcção a Oeste, para o rio Chire, descendo alguns montes em curvas até Pinda, na planicie vasta, para falar com o Chefe de Posto primeiro, o Régulo mais à frente, solicitar o seu filho para nos acompanhar. Existem alguns Ebondeiros magestosos, agora prateados à luz do sol, dois deles cheios de pássaros enormes, brancos e negros, de pescoço comprido, habitantes do rio. É uma zona de reassentamento de deslocados das cheias, com muitas casas em tijolo, centro de saúde e escola. Fazemos uma oferta para a cerimónia e seguimos em direcção a Micaula, ao longo da margem esquerda do Rio Chire, pouco antes de chegar à sua confluência com o Rio Zambéze. Aparece um corte perpendicular à pista com cerca de 50 m de largura, aparentemente rio seco, areia e pedras miudas. O jovem relata que há mais de 10 anos surgiu durante uma noite um bicho cobra com rosto de pessoa, que inrrompeu montanha abaixo, causando caos e destruição, abrindo este largo rasto até ao rio; e que a sua esposa ou esposo, poderá surgir a qualquer momento, saindo ali ou próximo, causando grande prejuízo. A população deve estar atenta. Mais à frente, as águas quentes, sulfurosas, brotam em três tanques forrados de ondulados sedimentos ocre esverdeado, junto a ruinas agro industriais imponentes da antiga Companhia da Zambézia. As mulheres lavam as capulanas e os filhos. Raros campos de algodão já apanhado, farrapos brancos dispersos nos ramos médios dos arbustos nas margens da pista. Pouco mais de 15 km e paramos na aldeia de Munguira. Sentamos nas cadeiras à sombra debaixo da Mangueira com o Chefe de Posto, o Secretário de Posto, o Regulo, o Fumo, o Secretário de Bairro, explicamos o motivo do nosso desejo de subir à serra. Adquirem-se os produtos para a cerimónia. Designa-se o guia. Saímos às 10h e 30 minutos, sol e calor abrasador. O guia inicia um ritmo rápido, contornando o Centro de Saúde para sair da aldeia e subindo de forma mais acentuada através da floresta. Fazemos duas paragens rápidas antes de chegar ao primeiro terço, relevo marcado percebido lá em baixo. Respiração ofegante, pulsação rápida, corpo muito quente. Temos a primeira desistência. A inclinação acentua-se, as sombras são raras. Água, respiração apropriada, esforço controlado. Aparece um macaco grande a comer Massalas que foge monte acima. Cruza-se a descer uma mulher bem disposta. Primeira machamba, mais acima duas casas, uma familia alargada, um homem escava à mão um buraco para a colocação de mais um pau em nova palhota em construção. Um fruto vermelho oval com polpa granulosa doce amarga. Persiste a inclinação difícil, carreiro entre o capim alto, terra solta com palha, desliza. Os musculos começam a doer. Para cima, nem o Diabo empurra. Pequeno corgo com bananeiras, está ali a água fresca. Bebemos bastante e abastecemos as garrafas. Carreiro estreito em falésia marcada, rochas e pedras grandes. Nova machamba, milho, mandioca, amendoim, mais uma casa um homem. Passamos o segundo colo. Atravessamos o vale e aparece então ao longe, pequenina, a antena no horizonte alto. Carreiro sinuoso, muita pedra, zona queimada, faz-se longo, mas ao fim de 3 horas, chegamos a Saikuni, também nome do Fumo local, disciplo do Regulo Sapanda. Lindos, minusculos, vermelhos e doces tomates abundam inexplicavelmente entre as pedras médias. Uma tenda de paus e plastico, vazia, com uns restos de fogo e lenha, dois tachos, uma mochila, um cartão grande dobrado no chão. Comemos tomates deliciosos, bebemos água, mastigamos umas bolachas. Quando chega o guarda das 4 antenas, vem de arco e flechas – atira bem longe, serve de arma de caça para coelhos, galinhas do mato e gazelas. Rimos de histórias da construção das antenas, falamos sobre os vários locais da serra – o pico das cobras, a origem do canto. Temos amendois e bolachas ainda para partilhar. A pouco mais de mil metros de altitude, apesar do fumo das inúmeras queimadas dispersas em todo o horizonte, avistamos a Oeste o Rio Zambéze, limitando Tete com Sofala, onde conflui ao longe a Sul o Chire, limitando a Zambézia. A Norte, as silhuetas das casas e os reflexos dos telhados de chapa da Vila de Morrumbala, sede do Distrito. A Sudeste, muito ao longe, os picos rochosos de Mopeia. Uma hora de descanso deve chegar, despedimos-nos e iniciamos a descida. Bebemos e abastecemos de água no mesmo sítio. Passamos a família que permanece tranquilamente sentada à sombra. A miuda dos seus sete anos no alto dos ramos da mangueira colhe alguns frutos, aparentemente muito verdes. Saudamos e seguimos monte abaixo. Primeira paragem após uma hora, com os joelhos de manteiga. Sentar, esticar as pernas. Temos pressa. Para baixo todos os santos ajudam. Mantemos um ritmo rápido, esforçado, escorrega-se às vezes. Mais 45 minutos e estamos na aldeia. Foi um passeio duro, agradecemos o apoio do Regulo, Fumo e companhia, retiramos-nos satisfeitos e bem cansados. A montanha só canta em certas épocas do ano. Voltaremos!
domingo, 11 de outubro de 2009
Preguiça de Domingo
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Asterix
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Massacrado pelos mosquitos
MAINDÓ
Bisso - olhos.
Bodo - joelho.
Cotomoia - tosse.
Dereto -bom.
Enzai - ovo.
Fiua - comichão.
Irido - arrepio.
Jala - unha.
Mainje - àgua.
Manda - mão.
Mimba - barriga.
Moindo - perna.
Murobue - medicamento.
Mussolo - cabeça.
Nhalo - pé.
Nhama - carne.
Numba - casa.
Oba - peixe.
Ocalau - vida.
Ocoma - gordo.
Ocua - morte.
Oladiua - tratamento.
Onda - magro.
Oudja - alimento.
Reda -doença.
Ridua - fraco.
Tovanda - forte.
Upa - dor.
Wabore - mau.
Zino - dente.
domingo, 13 de setembro de 2009
Ebondo
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Batucada especial
domingo, 23 de agosto de 2009
Iniciação
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
O Céu na Terra
sábado, 18 de julho de 2009
Final da época das chuvas
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Provérbio Etxwabo
domingo, 5 de julho de 2009
Músicos de Quelimane
terça-feira, 23 de junho de 2009
Cacimba
A Via Láctea impõe-se monumento principal. O Cruzeiro do Sul evita perder o norte. Ás vezes, Orion defronta a Ursa Maior. A noite avança, os cães ladram, as folhas das palmeiras roçam ao vento, Nzu dorme no tronco do Coqueiro.