domingo, 18 de maio de 2008
Medicina tradicional
O encontro com 27 médicos e parteiras tradicionais de Namacurra, iniciou-se com os cânticos e o ritual de boas vindas das 9 mulheres presentes. As doenças que curam são em número limitado mas variadas e existem diferentes grupos de praticantes. 26 utilizam além de partes diversas de plantas, árvores e arbustos, escarificações com lâminas. 5 protegem-se do sangue, 1 com luvas e 4 com sacos de plástico. Mostraram o seu interesse em ser formados e em colaborar como promotores de saúde nas suas comunidades.
terça-feira, 13 de maio de 2008
Mukwiri avirhimevi, mulugu munddimuwa
A feiticeira gosta de matar pessoas, mas deus é grande.
= grandes voos param baixo, cá se fazem cá se pagam.
= grandes voos param baixo, cá se fazem cá se pagam.
domingo, 11 de maio de 2008
Arrozais
Estendem-se a perder de vista, em planicies estreitas delineadas por elevações dunares povoadas de árvores. As espigas gordas de cereal meio maduro pendem auguriosas. Embora tenha chovido pouco, a água está por todo o lado. Verde malhado de amarelo acastanhado domina até ao horizonte. Em Chirimane evitamos enterrar-nos no matope e apanhamos a lancha, 2 remadores. O estuario esvazia-se pouco a pouco com a maré e o mangal respira ao sol quente. "Caranquejos" de uma só mandíbula, enorme, amarela, azul ou vermelha, deslocam-se rápidamente na vertente inclinada. Pacientemente dobramos as curvas e chegamos a Olinda. Aqui não há automóveis.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Africa Europa
O casamento do último Almosharif em Portugal, moçarabe de Alcafache bem conhecido, decorreu no local mesmo da implantação da torre da gávea da caravela de granito, no centro das terras lusas, terras dos donos da nação, consolidadando a velha aliança luso-galaica com uma brácara das antigas, conservadora das letras da fundação. A força da nação do Viriato, falando luso-galaico com os da Galécia e seguindo a mesma tradição, viria a beneficiar da engenharia africana na revolução agrícola, nas artes e na medicina. A presença musulmana liquefez-se nas termas, penetrando grande parte do território e continuando a dar os seus frutos.
Nossa Senhora dos Prazeres, tradição católica pagã, bem no âmbito dos milagres da Galecia, serviu de quadro exemplar. A banda de Ti Baldinho assumiu as honras da bravura lusa. A inovação tecnológica despertou evocações e sonhos de passado. A boa tradição celta, do javali assado no fim de todas as aventuras, marcou todos os convivas. Gente gira, da revolução, das alternativas, dos projectos, da cooperação e da construção. Longa vida aos noivos ! Longa vida às ideias, atitudes, comportamentos, pessoas, positivas.
Foi no passado dia 25 de Abril. Dia de Luta contra a Malária em Moçambique. Dia em que Portugal celebra a construção e a destruição da utopia democratica. Celebraremos nós a permanente construção do presente utópico...
Nossa Senhora dos Prazeres, tradição católica pagã, bem no âmbito dos milagres da Galecia, serviu de quadro exemplar. A banda de Ti Baldinho assumiu as honras da bravura lusa. A inovação tecnológica despertou evocações e sonhos de passado. A boa tradição celta, do javali assado no fim de todas as aventuras, marcou todos os convivas. Gente gira, da revolução, das alternativas, dos projectos, da cooperação e da construção. Longa vida aos noivos ! Longa vida às ideias, atitudes, comportamentos, pessoas, positivas.
Foi no passado dia 25 de Abril. Dia de Luta contra a Malária em Moçambique. Dia em que Portugal celebra a construção e a destruição da utopia democratica. Celebraremos nós a permanente construção do presente utópico...
domingo, 13 de abril de 2008
TEMPO
O tempo parece não existir aqui. só acontecendo quando se passa algo.
Na velha Europa medieval, a apropriação do tempo pelos Burgueses comerciantes urbanos, em rápida ascensão económica, substituiu os sinos das torres pelos grandes relógios de pesos; numa época mais moderna, em que as comunicações promoveram a acumulação material, o tempo transformou-se em dinheiro.
Aqui, o tempo continua a ser uma dádiva para todos. Ninguém conhece a sua data de nascimento - não há um ponto temporal de partida, ninguém se preocupa com a morte - o ponto de partida não será registado.
Na velha Europa medieval, a apropriação do tempo pelos Burgueses comerciantes urbanos, em rápida ascensão económica, substituiu os sinos das torres pelos grandes relógios de pesos; numa época mais moderna, em que as comunicações promoveram a acumulação material, o tempo transformou-se em dinheiro.
Aqui, o tempo continua a ser uma dádiva para todos. Ninguém conhece a sua data de nascimento - não há um ponto temporal de partida, ninguém se preocupa com a morte - o ponto de partida não será registado.
segunda-feira, 31 de março de 2008
Pista brava
De manhã antes do nascer do sol, o capim escorre água e as pegadas muito frescas na areia mostram a passagem de Cudos, Pivas, Urupis, Changos e também do Gato bravo. Os bandos de macacos deixaram marcas fortes em áreas limitadas e os cogumelos, brancos, amarelos, vermelhos, castanhos surgem por toda a parte. Os pássaros tem cantos intrigantes e os perus selvagens fogem espavoridos. Aranhas grandes e coloridas estendem redes armadilhas no trilho.
De regresso à pista os obstaculos aumentam. Troncos enormes atravessam-se impedindo qualquer tentativa de passagem, somos obrigados a contornar embrenhados na floresta. Nesta época de chuvas, lamaçais escondidos no mato ameaçam qualquer tracção. Rios caudalosos, com pontes de troncos mal seguros, desafiam o equilibrio e a perícia; ravinas escavadas obrigam a manobras impensaveis; areias soltas e profundas provocam desafios de velocidade; a mecãnica é posta à prova; os jogos de luz baralham a vista; a atenção é levada ao rubro.
No Posto de Fiscalização de Lisse, na periferia do terreiro bem limpo, o único fiscal da reserva ainda residente, preparou na cerimónia um cone perfeito de farinha bem branca de mandioca, para afastar os maus espíritos, as cobras, os leões e os leopardos. Os hipopotamos tem destruido algumas machambas de arroz, milho e amendoin da população da comunidade envolvente do outro lado do rio. Os leões rugiram de manhã cedo hà dois dias.
A festa anunciou-se pelo grupo de mulheres a cantar. Na noite escura de céu muitíssimo estrelado, o prato de lata no topo do pote esférico de barro, cadenciadamente batido e variado, marca o ritmo da terra. O coro polifonico repetido e prolongado, atinge tons inesperados, surpeendentes, maravilhosos. As palavras traduzem-se em erotismo e destino, multiplicação e celebração. O monte Gilé perfila-se no azul universal.
De regresso à pista os obstaculos aumentam. Troncos enormes atravessam-se impedindo qualquer tentativa de passagem, somos obrigados a contornar embrenhados na floresta. Nesta época de chuvas, lamaçais escondidos no mato ameaçam qualquer tracção. Rios caudalosos, com pontes de troncos mal seguros, desafiam o equilibrio e a perícia; ravinas escavadas obrigam a manobras impensaveis; areias soltas e profundas provocam desafios de velocidade; a mecãnica é posta à prova; os jogos de luz baralham a vista; a atenção é levada ao rubro.
No Posto de Fiscalização de Lisse, na periferia do terreiro bem limpo, o único fiscal da reserva ainda residente, preparou na cerimónia um cone perfeito de farinha bem branca de mandioca, para afastar os maus espíritos, as cobras, os leões e os leopardos. Os hipopotamos tem destruido algumas machambas de arroz, milho e amendoin da população da comunidade envolvente do outro lado do rio. Os leões rugiram de manhã cedo hà dois dias.
A festa anunciou-se pelo grupo de mulheres a cantar. Na noite escura de céu muitíssimo estrelado, o prato de lata no topo do pote esférico de barro, cadenciadamente batido e variado, marca o ritmo da terra. O coro polifonico repetido e prolongado, atinge tons inesperados, surpeendentes, maravilhosos. As palavras traduzem-se em erotismo e destino, multiplicação e celebração. O monte Gilé perfila-se no azul universal.
domingo, 9 de março de 2008
Estaleiro de Democracia
DEMOCRACIA EM CONSTRUÇÃO
MOÇAMBIQUE
O processo de construção do sistema democrático em Moçambique encontra-se em fase de aceleração. Após o censo populacional de 2007 decorre actualmente o recenseamento eleitoral e em breve, pela primeira vez, as eleições Provinciais.
Os direitos e os deveres dos cidadãos vão sendo a pouco e pouco divulgados nas áreas mais periféricas e aparecem iniciativas sociais organizadas.
Na Organização Cooperativa dos Países de Língua Oficial Portuguesa destaca-se o grupo de empresas cooperativas de Moçambique, que representa um volume de negócios e de emprego muito significativo, mas ainda muito aquém do seu potencial de crescimento económico. Este seria um domínio a privilegiar em termos de cooperação para o desenvolvimento com Portugal.
Existe já actualmente um número considerável de organizações da sociedade civil nas mais variadas áreas de actividade. No entanto, uma grande maioria, não foi ainda legalmente constituída e não dispõe dos recursos necessários à devida realização dos seus objectivos. Torna-se necessário um esforço suplementar na desburocratização e diminuição de custos do processo de registo e uma capacitação prática dos membros dos corpos sociais em temas como diagnóstico de problemas, elaboração de projectos, preparação de candidaturas a programas de financiamento, articulação de parcerias, avaliação, gestão económica. A implementação dos comités de gestão de áreas comunitárias na Zambézia mostra já exemplos de sucesso, onde carvoeiros tradicionais evoluíram em modernos fruticultores. Como se pode ver aqui, o trabalho de animação de iniciativas nas bases produtivas da população moçambicana em meio rural, deve ser feito com parceiros locais experientes e comprometidos com o desenvolvimento das comunidades de base (neste caso, a Radeza, rede das associações ambientais e de desenvolvimento comunitário sustentável da Zambézia). Os conselhos comunitários de saúde, os núcleos multisectoriais para a protecção de órfãos e crianças vulneráveis e muitos mais, representam fóruns maioritariamente de iniciativa pública onde cooperativas, associações e representantes da sociedade civil ocupam posição destacada. Com uma organização suficiente apesar dos escassos recursos, a participação é elevada. As mulheres constituem a maioria das organizações de base, mas o seu protagonismo vai diminuindo à medida que se sobe na pirâmide; no entanto, é de salientar que Moçambique é um dos países com melhor proporção de mulheres na Assembleia Nacional. As vontades de aprender, agir e melhorar dominam. Falta muitas vezes a capacidade de execução prática, determinada por condicionantes internas e externas ao grupo, predominando a inexistência de financiamento. E educação para a cidadania passará forçosamente pela capacitação institucional da sociedade civil.
MOÇAMBIQUE
O processo de construção do sistema democrático em Moçambique encontra-se em fase de aceleração. Após o censo populacional de 2007 decorre actualmente o recenseamento eleitoral e em breve, pela primeira vez, as eleições Provinciais.
Os direitos e os deveres dos cidadãos vão sendo a pouco e pouco divulgados nas áreas mais periféricas e aparecem iniciativas sociais organizadas.
Na Organização Cooperativa dos Países de Língua Oficial Portuguesa destaca-se o grupo de empresas cooperativas de Moçambique, que representa um volume de negócios e de emprego muito significativo, mas ainda muito aquém do seu potencial de crescimento económico. Este seria um domínio a privilegiar em termos de cooperação para o desenvolvimento com Portugal.
Existe já actualmente um número considerável de organizações da sociedade civil nas mais variadas áreas de actividade. No entanto, uma grande maioria, não foi ainda legalmente constituída e não dispõe dos recursos necessários à devida realização dos seus objectivos. Torna-se necessário um esforço suplementar na desburocratização e diminuição de custos do processo de registo e uma capacitação prática dos membros dos corpos sociais em temas como diagnóstico de problemas, elaboração de projectos, preparação de candidaturas a programas de financiamento, articulação de parcerias, avaliação, gestão económica. A implementação dos comités de gestão de áreas comunitárias na Zambézia mostra já exemplos de sucesso, onde carvoeiros tradicionais evoluíram em modernos fruticultores. Como se pode ver aqui, o trabalho de animação de iniciativas nas bases produtivas da população moçambicana em meio rural, deve ser feito com parceiros locais experientes e comprometidos com o desenvolvimento das comunidades de base (neste caso, a Radeza, rede das associações ambientais e de desenvolvimento comunitário sustentável da Zambézia). Os conselhos comunitários de saúde, os núcleos multisectoriais para a protecção de órfãos e crianças vulneráveis e muitos mais, representam fóruns maioritariamente de iniciativa pública onde cooperativas, associações e representantes da sociedade civil ocupam posição destacada. Com uma organização suficiente apesar dos escassos recursos, a participação é elevada. As mulheres constituem a maioria das organizações de base, mas o seu protagonismo vai diminuindo à medida que se sobe na pirâmide; no entanto, é de salientar que Moçambique é um dos países com melhor proporção de mulheres na Assembleia Nacional. As vontades de aprender, agir e melhorar dominam. Falta muitas vezes a capacidade de execução prática, determinada por condicionantes internas e externas ao grupo, predominando a inexistência de financiamento. E educação para a cidadania passará forçosamente pela capacitação institucional da sociedade civil.
sexta-feira, 7 de março de 2008
Help
We need somebody's...!
Conhecidas palavras de velha musica,
já nem me lembra os artistas !
Mas acontece. Todos os dias. Em milhares de vidas reais.
As mudanças acontecem rápidamente, más e boas. Façamos difundir a consciencia dos direitos e a informação indispensável, apoiemos a educação para a vida e a inteligencia prática, cultivemos a nossa realização eficiente, a aprendizagem da diferença e a dialectica do desenvolvimento. A raça precisa de apoio.
Conhecidas palavras de velha musica,
já nem me lembra os artistas !
Mas acontece. Todos os dias. Em milhares de vidas reais.
As mudanças acontecem rápidamente, más e boas. Façamos difundir a consciencia dos direitos e a informação indispensável, apoiemos a educação para a vida e a inteligencia prática, cultivemos a nossa realização eficiente, a aprendizagem da diferença e a dialectica do desenvolvimento. A raça precisa de apoio.
sábado, 1 de março de 2008
Boa vontade
Boa vontade, sinceridade e respeito, são as qualidades que o treinador Caboverdiano considera necessárias para o sucesso dos desportistas das 10 ilhas. Simples, directo e eficaz este povo exemplar da raça. Fazer é melhor maneira de dizer.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Descentralização
A equipa chega pela terceira vez ao Centro de Saúde da sede do segundo Posto Administrativo do Distrito. A enfermeira, em Etxwabo, dirige-se a cerca de 60 pacientes reunidos rápidamente a partir dos 3 núcleos de acção mais frequentados na unidade (consulta criança saudável, consulta pre-natal, triagem) sobre a transmissão, a prevenção e a fisiopatologia do VIH, a vantagem do teste e os serviços do Hospital de Dia. 30 voluntários aceitam fazer o teste. 16 são positivos, 4 desaparecem, 12 vão à consulta, 2 recusam seguimento, 1o pretendem encarar a situação. Há pessoas corajosas.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
pela Saúde de Moçambique
A saúde da população moçambicana está neste momento bastante debilitada. A maioria das pessoas recorre aos praticantes de “medicina tradicional” para resolver muitos dos seus problemas, físicos e psicológicos. O sistema nacional de saúde serve menos de metade da população, em grande parte rural e isolada. A maioria dos partos decorre no domicílio, com o apoio de parteiras tradicionais. A água é inexistente na maioria dos lares. As mortalidades infantil e materna são elevadas. A malária continua a ser a principal causa de morte mas a tuberculose é também muito frequente, com alguns casos já de multi-resistencia às drogas habituais. A epidemia de VIH veio agravar a situação, reduzindo a classe produtiva, des estruturando as famílias e provocando o aparecimento de um grupo enorme de órfãos num sistema sem capacidade de cobertura pela assistência social. O Governo desencadeia um processo de formação acelerada de técnicos de saúde (em número actualmente muito reduzido para os 18 milhões de habitantes), de reabilitação da infra estrutura de prestação de cuidados e de inovação de processos. Mas na Zambézia existe 1 médico tradicional para 500 habitantes e 1 Médico convencional para 150.000. As escarificações rituais são uma prática generalizada e recorrente. A prevalência do VIH subiu a 18% e os casos de SIDA, agravados pela mal nutrição, inundam os serviços de saúde. O desafio é enorme, as respostas muitas vezes inadequadas, as estratégias demasiadas vezes alteradas, sem uma correcta avaliação de resultados, não chegando à maioria da população que não fala português. Será necessário reunir vários e importantes esforços para inverter esta situação. A construção de infra-estruturas mínimas de água, saneamento e habitação, a investigação sobre os factores disseminadores, culturais e sistémicos, a utilização de mensagens compreensíveis nos vários dialectos (32), o desenvolvimento económico das comunidades locais, a educação nutricional, a educação para a promoção da saúde, são alguns dos investimentos necessários. Todas as contribuições são benvindas. O apoio nutricional é urgente, a construção de “casas mãe espera” em materiais locais (100 euros) aumentará imediatamente o número de partos institucionais. Criatividade, persistência, solidariedade, precisam-se.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Feiticeiro
Vindo da Tanzania a falar swaili, instalou-se em Namacurra um novo "médico tradicional", trata tudo, abre, corta e cose os corpos, mas também faz feitiços... Na sessão pública (20 Mt o bilhete), a multidão que se acumula à porta é dominada pela companheira do artista, vestida simples salpicada de bastante sangue. Ouve-se um burburinho. Um estrondo profundo, mesmo estranho e desconhecido, de ossos, musculos e articulações, as centenas de pessoas, sobretudo jovens e crianças, que simultaneamente efectuam um movimento brusco e rápido de fuga: o feiticeiro, descalço de calções, tinha saído à porta e dado duas ou três palavras.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Florestas de Sofala
A floresta é baixa e densa, muito verde e cerrada. As trepadeiras cobrem arbustos e árvores. Muito ao longe, a serra cinzenta da Gorongosa, cumes enublados, domina a paisagem. A pista não é das piores, alguns valados profundos com água bastante, zonas de areia, nesta época bem encharcada. Ao lado, a linha do comboio, em reabilitação. Um bando de macacos pequenos dispersa-se rápidamente á direita. Um macaco grande, solitário, atravessa ao longe. O carro enterra-se, a ambulancia de Marromeu reboca para tráz e resolve a situação. Cai a protecção do carter, ata-se com uma corda. Acelera-se o veículo para evitar a noite. A Beira ainda está longe.
domingo, 27 de janeiro de 2008
sons da cidade
Escuta-se a radio cruzada de vozes amenas. As bicicletas circulam ligeiras nas ruas planas com muitos e grandes buracos, agoram bem cheios de água da chuva. Os cães, muitos e vadios, desafiam-se a ladrar. Raros carros roncam os motores. As chamadas para as oraçoes dos musulmanos nas mesquitas ecoam das torres ao longe. O avião descola uma vez ao dia. Ás vezes, a sirene do barco soa repetida do porto.
sábado, 26 de janeiro de 2008
começou o Carnaval
As barracas de paus e palha instalaram-se na praça da independencia. Músicas africanas, altas e várias, pequenos grupos que bebem cerveja, os roadies montam o palco. O "pequeno Brazil", alcunha para Quelimane, não se distrai e antes que acabem as férias, celebra o Carnaval.
Movimento inusitado de monhés em todo-terreno caros ao longo da marginal, chuva forte, relampagos muitos e trovões potentes. Funana e Coladeira, Marrabenta ou Passada, o ritmo domina.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Crianças
No distrito de Namacurra, existem 4.800 órfãos no Posto Administrativo da Sede e 5.300 no Posto Administrativo de Macuse.
São várias (cerca de 40) as associações que se dedicam a este grupo vulnerável, algumas legalizadas outras informais, algumas poucas apoiadas outras em auto-gestão.
Que vamos fazer ?
São várias (cerca de 40) as associações que se dedicam a este grupo vulnerável, algumas legalizadas outras informais, algumas poucas apoiadas outras em auto-gestão.
Que vamos fazer ?
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
00 ZULU Missão Impossível, o Oeste do Índico
O coro de rãs, alterna na estação das chuvas, com o chiar dos morcegos no cio.
A chuva tropical refresca, os mosquitos atacam, a transpiração abundante domina.
A jangada humana, embalada pelas ondas, ameaça partir.
A lua cheia, anima os mukwiri, aparecem crianças.
Os órfãos lutam pela sobrevivencia.
A chuva tropical refresca, os mosquitos atacam, a transpiração abundante domina.
A jangada humana, embalada pelas ondas, ameaça partir.
A lua cheia, anima os mukwiri, aparecem crianças.
Os órfãos lutam pela sobrevivencia.
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