domingo, 21 de fevereiro de 2010
Saída do estaleiro a subir
sábado, 20 de fevereiro de 2010
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
É Natal
Prepara-se um grande parto. O estaleiro no topo da duna, junto ao farol da praia do bairro de Paquitequete, apronta-se a lançar nas águas da baia de Pemba, o veleiro ainda sem mastros, construido em madeira durante seis anos pelos carpinteiros navais locais. São os últimos preparativos, alguns toques de calafetagem, pintura do branco, remoção das canas e chapas de sombra. A cerimónia é conduzida pelo velho lendo os capítulos apropriados do alcorão, ajudado pelo jovem que acentua o coro e coloca os paus de incenso.
São várias tentativas sem resultado. A corda é manifestamente muito insuficiente. O percurso inicia com uma ligeira subida. Decide-se amarrar também a grossa corrente metálica da âncora. Aplica-se oleo nos rolos. Concentração geral. Ritmo gritado cadenciado. O enorme esforço arrasta o barco quinze centimetros. O pessoal anima, mais vinte centimetros. Mudam-se tabuas e rolos. Continuamos, o entusiasmo acentua-se. Fazem 10 metros, insistindo na curva a bombordo para encurtar caminho para a água. O movimento “rápido” e a falta de atenção na colocação do rolo para o estabilizador de bombordo, provoca a queda do barco e a fractura daquele.
O desânimo é pesado e a agitação está no auge. Devem estar por aí 150 pessoas, entre os 70 homens contratados, mulheres, crianças e espetadores. Fala-se e grita-se muito. Vários grupos empreendem acaloradas discussões. Mãos à obra, quer dizer, à madeira, com toda à gente a endireitar o barco. Ritmo cadenciado. Palavras gritadas, coro surdo. Mexe. Cunhas preparadas. E sobe 5 centimetros. Outra vez, mais 10. Mas descai um pouco. O pessoal está cansado. Volta a insistir e melhorou. Concentram-se na popa. Em coro. Fica direito. O estrago no estabilisador não é catastrófico, será possível resolver sem grandes contrariedades.
A tarefa não foi concluida. Estamos a 50 m do mar. O Chefe de 10 Casas arranjou alguma confusão com os pagamentos do pessoal ficando decidido adiar para amanhã de manhã. Ámanhã será sobretudo necessário reparar o estabilizador, prevendo-se que o barco só possa sair para o mar dia 26.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010
Esforço muscular humano
A manhã está quente, embora com algumas nuvens para abrandar a potência solar. O Índico cercado na baia é de prata calma. Desço à praia, paro na sombra da acácia. Duas tripulações ocupam-se de pequenos arranjos nas embarcações encalhadas da maré baixa. Contorno a baía e seus naufrágios.
O estabilizador do veleiro foi bem reparado e teve tempo de secar a cola. Muitas crianças, alguns adultos, neste momento disputam-se as sombras todas, escassas. Tinha já sido escavado um leito na areia mole, em forma do casco, ligeiramente descendente até à linha de água, em que as tábuas e rolos foram sendo acomodados. A população juntou-se, a corda e a corrente estavam preparadas. Em coro comandado, incita-se o grupo. 50 homens concentram o esforço muscular ao som da voz cantada bem ritmada. Nem mexe. Nova tentativa. Zero centímetros. O pessoal desanima, a gritaria aumenta. Discute-se.
Já tinhamos pensado, combinado. Traz-se o 4x4. Liga-se a corrente. Puxa. Nem mexe. Precisamos do carro, mas só com a ajuda de todos poderá resultar. Volta-se a reunir o pessoal, todos pegam na corda, alguns na corrente. Coordena-se o comando de voz com o sinal gestual para o “driver”. Mas a população parece que tem medo, a corrente em extensão não oferece confiança. O 4x4 patina. A população observa. Puxa. Patina. Colocam-se tabuas e barrotes, o carro continua a enterrar-se e nem consegue estremecer o barco. Desânimo é geral. Não têm problema, amanhã vamos buscar um tractor potente. O barco vai para a água!
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Paciência
Domingo de manhã a cidade está vazia. Da Mesquita próxima chamam para a oração. Desço para a marginal por uma secundária com algumas sombras e as pessoas já dizem bom dia. Nas rochas da linha de água, duas pessoas em “fecalismo a céu aberto” como se diz aqui, hábito generalizado nos Mwani, Nahara e Khoti.
A maré ainda está meia e o veleiro recorta-se no horizonte da praia. Chega um “dhow” carregado de gente do outro lado da baía. Num barco de pesca á rede encalhado ao lado, o mecânico tenta por o motor a funcionar sem resultado. Visitantes vem apreciar os trabalhos de lançamento.
O comandante já se atarefa para um lado e outro, junto dos dois carpinteiros, do chefe de dez casas, do capitão. Sai para ir buscar um trator de um certo amigo, que aparece ao final da manhã, amarelo, rodas grandes, girando na areia ao longo da linha de água, vindo da direcção do Porto. Prepara-se e liga-se a corrente e reforça-se a corda. Combinam-se os sinais que devem marcar o arranque e a paragem da máquina, tendo em conta o correto apoio dos estabilizadoes e a facilidade de deslize da quilha. Ajeitam-se os tubos metálicos e as tabuas. Estica-se a corrente. A população, pouca gente, muito calor, assiste.
Mete a primeira, patina. Reforça-se o piso com mais paus e tábuas. Mete a primeira. De cada lado do barco, um “controlador” levanta o braço indicando autorização para puxar; conforme combinado, braço em baixo é para parar. Arranca, estica, estala a corrente. Nada feito, nem mexe. As pessoas reunem-se à volta da popa para empurrar. Reforçamos o piso em frente dos pneus do trator. Mete primeira, ao levantar o braço, ditado pela voz do coro que comanda os homens à popa, desembraia, patina, nada.
A população concentra-se na popa. Arranque à voz! Esticam-se os cabos. O trator patina. Nada feito, o barco nem mexe. Manobra-se a maquina e reforçamos mais uma vez os trilhos das rodas com paus, sacos de plastico, tabuas, lixo! Novo arranque, estrondo, rebentou uma das cordas de apoio, chicoteou um jovem: pequena tumefação na coxa direita, nada de grave. Voltamos a preparar os cabos. Arranca-se desta vez, com melhor coordenação com o povo que empurra na popa! E vai, estremece, mas não avança. Coragem, nova tentativa, coordenada, em coro. O esforço é grande, sem recompensa. Esta máquina não consegue ajudar, deveremos encontrar um trator com tração às 4 rodas e bem mais pesado.
E está na altura de tomar um banho para refrescar, nas águas transparentes azuladas e macias, limpando o falhanço e lavando a paciência. A tarde vai escurecendo e o trabalho ficará para amanhã! Vamos procurar de comer
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
Entusiasmo
Na cidade baixa as lojas estão concorridas, grupos de homens sentados na sombra dos armazéns, cabras passeiam nos jardins, duas pessoas levantam dinheiro no ATM. Como prioridade antes de descer à praia, comprar garrafa de água.
O amigo francês sentado à sombra do telheiro de bambu da sua lancha em reabilitação parece dormitar. Presentes o Capitão e os 2 carpinteiros principais. Vamos então buscar um tractor mais potente, com tração 4x4, pesado, rodas grandes.
Dispoem-se as pranchas. Estica-se a corrente, as cordas ficarão para as pessoas. Combinam-se os sinais. O homem tenor arranca a fala sincopada. O coro eleva-se, o trator mete primeira, o barco deliza 20, mais 15, mais 10 centimetros. Parar. Retirar troncos, rolos e tábuas, escavar mais á frente, voltar a colocar. Novo posicionamento. Voz, arranque, fazemos 1 metro, parar. O processo vai-se repetindo. O entusiasmo é geral. Cinco mulheres protagonizam a liderança e incitam a continuar para o mar, carregando tabuas e rolos. Com a ajuda da população animada, do trator, arrastamos as 30 toneladas do veleiro cerca de 15 m. No próximo movimento, a desatenção num rolo de Bombordo provoca a segunda queda. O desãnimo é geral, o ruido aumenta, a agitação atinge o auge. A queda sobre uma das estacas de apoio arrancou parte do corrimão de bombordo e o aspecto é de naufragio, confrangedor.
Mas os homens de Paquitequete não se deixam vencer: mãos à obra, melhor à madeira do veleiro, estacas e cunhas preparadas, voz de coro, e upa; centímetro a centímetro, lenta mas decididamente, a população remete o barco em posição vertical. Estamos mais descansados, o estrago não é catastrófico. Já tínhamos combinado para hoje – dois cabritos, seis galinhas, um saco de arroz, cinco litros de oleo, seis latas de tomate, alho e cebola, as mulheres trouxeram as panelas e o carvão - e serve-se a grande refeição comunitária de arroz com caril de cabrito e galinha. Em todo o areal à volta do veleiro, grupos atarefam-se em redor de pratos de folha avantajados, crianças, jovens e adultos. A boa disposição é geral!
A avaria do estabilisador poderia ter sido evitada se os parafusos tivessem sido substituidos, na medida em que depois de torcidos uma vez, ficam logo mais frageis. Mas enfim, aprender é até morrer e amanhã há mais. O mecânico sobe ao barco para pôr o motor a trabalhar uns minutos; já tinha preparado um recipiente de duzentos litros de água, ligado por um tubo à maquina, para refrigeração. Arranca, ruminante, soltando um fumo cinzento. OK!
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Persistência
Saio da Hospedaria procurando as escassas e interruptas zonas de sombra junto às fachadas. As mulheres vestidas nas suas capulanas de cores vivas e contrastantes sobem a avenida. O sol ilumina tudo drásticamente e o calor é muito. Curvo á esquerda tomando uma transversal virada ao porto. Numa oficina mecânica improvisada de rua, três viaturas, dois motores à vista, um grupo de homens e jovens. Bom dia! Desço a colina da cidade baixa até à marginal, entrando na praia.
Ontem o barco parecia um naufrágio na praia. Hoje, os dois carpinteiros principais já repararam o corrimão de bombordo (até parece que não houve nada) e atarefam-se sobre o estabilizador de bombordo, ainda desmontado. Num toldo improvisado, a máquina de soldar fornece o apoio derradeiro. O povo circula, discute, o comandante pede espaço de manobra. Quadro homens orientados pelo carpinteiro chefe aplicam o estabilizador ao casco, com cola especial e a força do macaco. Apertam-se os parafusos a partir do interior. Parece novo. Agora deverá secar!
Vamos buscar água que a transpiração aperta. O chefe de dez casas está preocupado com a saída do barco para o mar e o ilustre muçulmano diz que tudo sairá bem. No final do dia o estabilizador está bem reparado e calafetado, fixado com boa cola impelida pelo “macaco” de trinta toneladas, com parafusos novos e mais fortes. Vai funcionar! O mecânico sobe ao convés, deche ao porão das máquinas, faz arrancar o motor. Trabalha regular, ruido fundo, expelindo jatos de água. Ótimo. Amanhã o barco poderá entrar no mar!
sábado, 13 de fevereiro de 2010
Batucada
Quarta-feira na cidade de Pemba, capital da Província de Cabo Delgado, acordo com o chilrreio dos pássaros. Depois do mata-bicho, faço-me ao calor do verão africano. Passo a levantar um “cash” no “ATM”, aproveito a sombra da acácia enorme, flores vermelhas, aprecio os padrões arquitectonicos dos “setentas", marcas do esforço do “Estado Novo” para segurar a antiga “colonia”. As viaturas insólitas, ecoam na subida para a cidade alta. Remeto-me à costa, vagarosamente e saboreando só o tempo. Lá em baixo, o Índico reflete lápis lazuli.
Contorno a baia, paralelo à barreira de caniço do bairro e chego à zona do farol. Alguns miudos brincam na areia em pleno sol escaldante. O comandante ainda não tinha chegado. O capitão atarefa-se no convés. Os carpinteiros decansam à sombra no antigo estaleiro. Chega um barco de vela árabe da outra margem com várias pessoas que transportam fardos. Embora à sombra, a transpiração abunda. Tiro a roupa. A água é transparente e suave. Um banho no azul está mesmo a calhar!
Aparece o Comandante agitado, as coisas não correm bem com os locais, o trator não apareceu. O receio de um novo desastre é muito: não há duas, sem três. Decide-se aguardar pela próxima maré alta. Que será esta noite, pelas duas horas e vinte minutos, segundo as tabelas, diáriamente vigiadas pelo Comandante.
Entretanto várias crianças da Madrassa aproximam-se do toldo, transportando batuque largos, baixos e redondos, pintados de vermelho tijolo. Maioria de pequenas raparigas, de cinco a dez anos, cobertas de véus vaporosos azuis, cor de rosa ou verde claros, iniciam a cantiga em coro. Os rapazes, orientados pelo professor, percutem nos batuques, fazendo aquele a voz solo. Uma mulher mais velha, aproxima-se, vai cantando e dançando junto ao grupo. O fim de tarde de tons rosa laranja vermelhos, mistura-se com os sons do pequeno ponto de cores multiplas sobre a areia da praia
Então, vamos até à “Wimby Beach”, zona “queque” de Pemba, para uma boa refeição! Lulas!!! A Oriente a lua quase cheia está enorme ao sair do mar. A Laurentina está fresca mas deitamos cedo, daqui a pouco há que levantar!
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
Celebração
A maré alta subiu bem e às duas horas da manhã o veleiro está, miraculosamente, a flutuar. Rápidamente dispõem-se as duas ancoras. Dá-se ao motor de arranque. Nada, uma, duas, três vezes, nada. O Comandante agita-se, o mecânico aplica-se, o motor arranca e o veleiro sai para a baia. Ensaiam-se as mudanças e o acelarador, tudo com muita cautela. A roda do leme responde muito bem e a estabilidade do barco é notável. Navega-se para o largo da baia, retorna-se para Oriente e depois regressamos à praia. Desligar o motor, lançar as âncoras, descansar um pouco – das emoções!
Às treze horas acompanho o Patrão Mor, o engenheiro e o carpinteiro navais, ao porto estaleiro para realizar a Inspeção da Autoridade Marítima ao Capulana. Na praia entramos num frágil plástico insuflavel de crianças. O Patrão Mor, descalça-se e pouco depois subimos na escada de popa do veleiro ainda sem mastros. Dão a volta, inspecionam: há uma entrada de água junto á quilha de popa. Convés, cabine, porões. Arrancamos com rota dirigida, bombordo, estibordo: o navio responde bem e rápido, o Patrão Mor aprecia. Muito bem, podemos celebrar com um pouco de branco fresco, temos liçença para circular na baia, até reparar a entrada de água e colocar o radio a funcionar.
Saímos então em bom ritmo para a praia de Wimby, passando pelo porto comercial, diante do cabo de Paquitequete, ao longo da marginal, pemba beach hotel, a uma velocidade de nove kilometros horários. Ancoragem, sempre a dobrar. Está maré quase vazia quando saimos no bote de plástico para a praia. O sol está a pôr-se e ao mesmo tempo aparece a lua cheia.
Jantar melhorado e bem regado, não fosse noite de festa. Ao longe, do complexo turístico, o fogo de artifício enche de cores reflexas o céu da baia. Céu limpo estrelado e muita animação. Música de todos os lados, quantidade de gente circulando em toda a praia e avenida, lindas raparigas!
Mais um copo e aparecem as nuvens. O Comandante está cansado e pede para o Capitão o levar para o barco para dormir. Quando volta, lamenta que o Comandante tenha caido ao mar quando subia do bote para o veleiro, molhando telemovel e documentos. Começa a chover. A Lua cheia, vai aparecendo entre as nuvens, mas a chuva tropical copiosa, puxada a vento, insiste em impôr-se. Afastamos as cadeiras e as mesas mais para tráz na esplanada. Cachoeiras aparecem em alguns pontos da cobertura de capim. Começam os relâmpagos e trovões, cada veis mais seguidos e potentes. O espetaculo é belo e intenso. Nisto, no centro do cenário, um raio cai mesmo a cem metros à nossa frente, com um ruido seco e estranho, sobre o barco!!!
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
sábado, 12 de dezembro de 2009
Aprendendo a vida
domingo, 29 de novembro de 2009
Eleições em Moçambique
domingo, 8 de novembro de 2009
A descoberta de Iunga
sábado, 7 de novembro de 2009
Buscando raízes
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Ilha Deserta
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
A Serra que Canta
Saímos de Morrumbala passando o aerodromo pela picada em direcção a Oeste, para o rio Chire, descendo alguns montes em curvas até Pinda, na planicie vasta, para falar com o Chefe de Posto primeiro, o Régulo mais à frente, solicitar o seu filho para nos acompanhar. Existem alguns Ebondeiros magestosos, agora prateados à luz do sol, dois deles cheios de pássaros enormes, brancos e negros, de pescoço comprido, habitantes do rio. É uma zona de reassentamento de deslocados das cheias, com muitas casas em tijolo, centro de saúde e escola. Fazemos uma oferta para a cerimónia e seguimos em direcção a Micaula, ao longo da margem esquerda do Rio Chire, pouco antes de chegar à sua confluência com o Rio Zambéze. Aparece um corte perpendicular à pista com cerca de 50 m de largura, aparentemente rio seco, areia e pedras miudas. O jovem relata que há mais de 10 anos surgiu durante uma noite um bicho cobra com rosto de pessoa, que inrrompeu montanha abaixo, causando caos e destruição, abrindo este largo rasto até ao rio; e que a sua esposa ou esposo, poderá surgir a qualquer momento, saindo ali ou próximo, causando grande prejuízo. A população deve estar atenta. Mais à frente, as águas quentes, sulfurosas, brotam em três tanques forrados de ondulados sedimentos ocre esverdeado, junto a ruinas agro industriais imponentes da antiga Companhia da Zambézia. As mulheres lavam as capulanas e os filhos. Raros campos de algodão já apanhado, farrapos brancos dispersos nos ramos médios dos arbustos nas margens da pista. Pouco mais de 15 km e paramos na aldeia de Munguira. Sentamos nas cadeiras à sombra debaixo da Mangueira com o Chefe de Posto, o Secretário de Posto, o Regulo, o Fumo, o Secretário de Bairro, explicamos o motivo do nosso desejo de subir à serra. Adquirem-se os produtos para a cerimónia. Designa-se o guia. Saímos às 10h e 30 minutos, sol e calor abrasador. O guia inicia um ritmo rápido, contornando o Centro de Saúde para sair da aldeia e subindo de forma mais acentuada através da floresta. Fazemos duas paragens rápidas antes de chegar ao primeiro terço, relevo marcado percebido lá em baixo. Respiração ofegante, pulsação rápida, corpo muito quente. Temos a primeira desistência. A inclinação acentua-se, as sombras são raras. Água, respiração apropriada, esforço controlado. Aparece um macaco grande a comer Massalas que foge monte acima. Cruza-se a descer uma mulher bem disposta. Primeira machamba, mais acima duas casas, uma familia alargada, um homem escava à mão um buraco para a colocação de mais um pau em nova palhota em construção. Um fruto vermelho oval com polpa granulosa doce amarga. Persiste a inclinação difícil, carreiro entre o capim alto, terra solta com palha, desliza. Os musculos começam a doer. Para cima, nem o Diabo empurra. Pequeno corgo com bananeiras, está ali a água fresca. Bebemos bastante e abastecemos as garrafas. Carreiro estreito em falésia marcada, rochas e pedras grandes. Nova machamba, milho, mandioca, amendoim, mais uma casa um homem. Passamos o segundo colo. Atravessamos o vale e aparece então ao longe, pequenina, a antena no horizonte alto. Carreiro sinuoso, muita pedra, zona queimada, faz-se longo, mas ao fim de 3 horas, chegamos a Saikuni, também nome do Fumo local, disciplo do Regulo Sapanda. Lindos, minusculos, vermelhos e doces tomates abundam inexplicavelmente entre as pedras médias. Uma tenda de paus e plastico, vazia, com uns restos de fogo e lenha, dois tachos, uma mochila, um cartão grande dobrado no chão. Comemos tomates deliciosos, bebemos água, mastigamos umas bolachas. Quando chega o guarda das 4 antenas, vem de arco e flechas – atira bem longe, serve de arma de caça para coelhos, galinhas do mato e gazelas. Rimos de histórias da construção das antenas, falamos sobre os vários locais da serra – o pico das cobras, a origem do canto. Temos amendois e bolachas ainda para partilhar. A pouco mais de mil metros de altitude, apesar do fumo das inúmeras queimadas dispersas em todo o horizonte, avistamos a Oeste o Rio Zambéze, limitando Tete com Sofala, onde conflui ao longe a Sul o Chire, limitando a Zambézia. A Norte, as silhuetas das casas e os reflexos dos telhados de chapa da Vila de Morrumbala, sede do Distrito. A Sudeste, muito ao longe, os picos rochosos de Mopeia. Uma hora de descanso deve chegar, despedimos-nos e iniciamos a descida. Bebemos e abastecemos de água no mesmo sítio. Passamos a família que permanece tranquilamente sentada à sombra. A miuda dos seus sete anos no alto dos ramos da mangueira colhe alguns frutos, aparentemente muito verdes. Saudamos e seguimos monte abaixo. Primeira paragem após uma hora, com os joelhos de manteiga. Sentar, esticar as pernas. Temos pressa. Para baixo todos os santos ajudam. Mantemos um ritmo rápido, esforçado, escorrega-se às vezes. Mais 45 minutos e estamos na aldeia. Foi um passeio duro, agradecemos o apoio do Regulo, Fumo e companhia, retiramos-nos satisfeitos e bem cansados. A montanha só canta em certas épocas do ano. Voltaremos!
domingo, 11 de outubro de 2009
Preguiça de Domingo
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Asterix
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Massacrado pelos mosquitos
MAINDÓ
Bisso - olhos.
Bodo - joelho.
Cotomoia - tosse.
Dereto -bom.
Enzai - ovo.
Fiua - comichão.
Irido - arrepio.
Jala - unha.
Mainje - àgua.
Manda - mão.
Mimba - barriga.
Moindo - perna.
Murobue - medicamento.
Mussolo - cabeça.
Nhalo - pé.
Nhama - carne.
Numba - casa.
Oba - peixe.
Ocalau - vida.
Ocoma - gordo.
Ocua - morte.
Oladiua - tratamento.
Onda - magro.
Oudja - alimento.
Reda -doença.
Ridua - fraco.
Tovanda - forte.
Upa - dor.
Wabore - mau.
Zino - dente.
domingo, 13 de setembro de 2009
Ebondo
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Batucada especial
domingo, 23 de agosto de 2009
Iniciação
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
O Céu na Terra
sábado, 18 de julho de 2009
Final da época das chuvas
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Provérbio Etxwabo
domingo, 5 de julho de 2009
Músicos de Quelimane
terça-feira, 23 de junho de 2009
Cacimba
A Via Láctea impõe-se monumento principal. O Cruzeiro do Sul evita perder o norte. Ás vezes, Orion defronta a Ursa Maior. A noite avança, os cães ladram, as folhas das palmeiras roçam ao vento, Nzu dorme no tronco do Coqueiro.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Vocabulário
Kumbaisa: adivinho, pessoa que se acredita possa descobrir coisas ocultas como a causa da doença, quem foi o causador da doença, o autor da desgraça, o autor da morte, onde foram ocultadas coisas roubadas, quem detém a chuva. Ritual com objectos físicos.
Proverbio Etxwabo: Kumbaisa onomukutha Mukwiri (o adivinho descobre o autor da desgraça).
Mulaula: adivinho, pessoa que pretende desvendar coisas ocultas ou futuras, descobrir quem roubou ou fez feitiço; ás vezes indica o curandeiro apto ao caso.
Exemplo: Wafema eliwe omutomeya muzogwe, mudhele mulaula kamubulile muzogweya (Uafema foi acusado de deter a chuva, mas o adivinho quando chegou não desvendou chuva nenhuma).
Sinónimos: Kumbaisa, Muliba makaga, muliba makaga manddimuwa.
Mukwiri: pessoa que segundo a crença popular, possui o feitiço e pode dar a outrém qualquer espécie de mal, ele é tido como o responsável último do mal físico e moral. Secreto.
Provérbio Etxwabo: Mukwiri kanlowa nzuwa (a pessoa que possui a força de fazer o mal não aguenta enfeitiçar o sol).
Nahana ou Namusorho: curandeira / o que trata a doença do "histerismo" (Mazoka ou Matoa). Cura atravéz dos batuques.
Provérbio Etxwabo: Maliana Nahana, okana makobwa aye, onolaba na bafu, onotxetha marhombo (Maliana é curandeira, tem os seus cestinhos com remédios, faz o sufumígio, dança o Marombo e a Zoka).
Namabaliha: parteira.
Ñganga: curandeiro, herbanário, médico que dá remédio, tendo ás vezes em conta as indicações do adivinho, utilizando escarificações, plantas e raízes, um ritual.
domingo, 7 de junho de 2009
MUSICAS DAS CARAÍBAS
Temos o tradicional, o popular, o jazz, o reagge, a salsa, o regueton e o son, entre outras. Os músicos, funcionários públicos em grupos bem compostos, percorrem as salas e os palcos dos bares do país, animando as danças mexidas e retorcidas da ilha. A cultura e a história são muito promovidas, com inúmeros museus e conjuntos arquitectónicos de significado marcante no passado recente, grandes empresas de produção e distribuição de música e espectáculos, programas de documentário na rádio e televisão frequentes e interessante, inúmeras edições e outras publicações, obras plásticas e exposições, pintura, artesanato, fotografia, vestuário design, feiras e exposições, regionais, nacionais e internacionais.
MUSICAS DAS CARAÍBAS
EDUCAÇÃO PARA TODOS
O nível cultural médio em geral é deveras elevado. Os Cubanos tem das mais altas taxas de esperança média de vida de todas as Américas.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
O outro lado da moeda
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Acesso aos serviços de saúde
Em qualquer lugar, é fácil encontrar um Centro de Saúde. A entrada é livre, a informação imediatamente disponível, o tempo de espera mínimo. Os médicos são simpáticos, o serviço eficaz e gratuito, a consulta não demora. Alguns problemas de disponibilidade de medicamentos, não atingem normalmente os princípios activos mais correntes. Na maior ilha das Caraíbas...
domingo, 24 de maio de 2009
The best of
Não tem publicidade, não existe desemprego, não há pedintes, não se vêem sem abrigo. Todos tem uma casa, alimentação essencial, saúde e ensino gratuitos. A música é muito boa, o rum aprecia-se os charutos dos melhores. A população é hospitaleira, circula-se em completa tranquilidade, as praias bonitas, as cubanas lindas, o desporto nacional o baseball. País único no mundo!
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Sonhamos o futuro
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Ritmos da terra
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Típico português...
sábado, 21 de março de 2009
Obras de Fernando Pessoa
A sociedade governar-se-ia espontaneamente a si própria, se não contivesse gente de sensibilidade e de inteligência. Acreditem que é a única coisa que a prejudica. As sociedades primitivas tinham uma feliz existência mais ou menos assim.
Pena é que a expulsão dos superiores da sociedade resultaria em eles morrerem, porque não sabem trabalhar. E talvez morressem de tédio, por não haver espaços de estupidez entre eles. Mas eu falo do ponto de vista da felicidade humana.
Cada superior que se manifestasse na sociedade seria expulso para a Ilha dos superiores. Os superiores seriam alimentados, como animais em jaula, pela sociedade normal.
Acreditem: se não houvesse gente inteligente que apontasse os vários mal-estares humanos, a humanidade não dava por eles. E as criaturas de sensibilidade fazem sofrer os outros por simpatia.
Por enquanto, visto que vivemos em sociedade, o único dever dos superiores é reduzirem ao mínimo a sua participação na vida da tribo. Não ler jornais, ou lê-los só para saber o que de pouco importante e curioso se passa. Ninguém imagina a volúpia que arranco ao noticiário sucinto das províncias. Os meros nomes abrem-me portas sobre o vago.
O supremo estado honroso para um homem superior é não saber quem é o chefe de Estado do seu país, ou se vive sob monarquia ou sob república.
Toda a sua atitude deve ser colocar-se a alma de modo que a passagem das coisas, dos acontecimentos não o incomode. Se o não fizer terá que se interessar pelos outros, para cuidar de sí próprio."
Obras de Fernando Pessoa
quarta-feira, 4 de março de 2009
Diálogo de gerações
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Pessoa
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Livro do desassossego
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
A vida é bela !
domingo, 14 de dezembro de 2008
História da Zambézia 6
Entre 1986 e 1930, o Estado Português, realiza a ocupação e submissão militar progressiva do território actual; entretanto, evitando o modelo colonizador de exploração da terra aposta na exportação de mão de obra.
1890 – Um Decreto da Coroa cria trabalho rural obrigatório e promove a ocupação efectiva das áreas fora dos Prazos.
1892 – Fundação da Companhia da Zambézia, que administra o território entre o Rio Zambeze e o Rio Ligonha, cobrando um imposto de 400 Reis per capita, do qual entrega 50% ao Estado, criando uma área de especialização económica regional com as extensas plantações de monoculturas.
1894 – Alfredo Aguiar (um misto Angolano que depois foi preso) publica um periódico em Quelimane, “O Clamor Africano”, uma das primeiras formulações nacionalistas.
1898 – Fundação da Companhia da Boror.
1899 – As companhias da Zambézia e os Proprietários protestam junto do Governo contra a actividade dos contratantes (“engajadores”) da África do Sul que vem buscar muita mão-de-obra.
1904 – Fundação da Sociedade Madal.
1908 – Fundação da Empresa Agrícola do Lugela.
1909 – Os Portugueses dominam o “Muenes” Ossiuo e Unrugula na antiga Capitania Mor do Baixo Molocoé (hoje Pebane).
1910 – Os Portugueses dominam a região do Sultanato de Angoche.
1915 – Empresa Agrícola do Lugela exporta 30.400 Moçambicanos para a ilha de São Tomé.
1918 – Primeira Guerra Mundial: força militar Alemã desce da Tanzânia e destrói grande parte do património de Namacurra.
1920 – Derrota de Barué: as forças Zambezianas são vencidas pelo exército português, que incorporava grande número de soldados Nguni e tropas mercenárias. Foi o fim da resistência primária armada contra a implantação do domínio colonial no território.
1922 – As Companhias cobravam um imposto de 10$00 (dez escudos) por pessoa e por ano; entregavam ao estado 8$80 (oito escudos e oitenta centavos).
1923 – O Governo do Distrito de Quelimane emite um decreto que proíbe o costume do uso de argolas e anilhas nas pernas como ornamento.
História da Zambézia 6
Entre 1986 e 1930, o Estado Português, realiza a ocupação e submissão militar progressiva do território actual; entretanto, evitando o modelo colonizador de exploração da terra aposta na exportação de mão de obra.
1890 – Um Decreto da Coroa cria trabalho rural obrigatório e promove a ocupação efectiva das áreas fora dos Prazos.
1892 – Fundação da Companhia da Zambézia, que administra o território entre o Rio Zambeze e o Rio Ligonha, cobrando um imposto de 400 Reis per capita, do qual entrega 50% ao Estado, criando uma área de especialização económica regional com as extensas plantações de monoculturas.
1894 – Alfredo Aguiar (um misto Angolano que depois foi preso) publica um periódico em Quelimane, “O Clamor Africano”, uma das primeiras formulações nacionalistas.
1898 – Fundação da Companhia da Boror.
1899 – As companhias da Zambézia e os Proprietários protestam junto do Governo contra a actividade dos contratantes (“engajadores”) da África do Sul que vem buscar muita mão-de-obra.
1904 – Fundação da Sociedade Madal.
1908 – Fundação da Empresa Agrícola do Lugela.
1909 – Os Portugueses dominam o “Muenes” Ossiuo e Unrugula na antiga Capitania Mor do Baixo Molocoé (hoje Pebane).
1910 – Os Portugueses dominam a região do Sultanato de Angoche.
1915 – Empresa Agrícola do Lugela exporta 30.400 Moçambicanos para a ilha de São Tomé.
1918 – Primeira Guerra Mundial: força militar Alemã desce da Tanzânia e destrói grande parte do património de Namacurra.
1920 – Derrota de Barué: as forças Zambezianas são vencidas pelo exército português, que incorporava grande número de soldados Nguni e tropas mercenárias. Foi o fim da resistência primária armada contra a implantação do domínio colonial no território.
1922 – As Companhias cobravam um imposto de 10$00 (dez escudos) por pessoa e por ano; entregavam ao estado 8$80 (oito escudos e oitenta centavos).
1923 – O Governo do Distrito de Quelimane emite um decreto que proíbe o costume do uso de argolas e anilhas nas pernas como ornamento.
Roteiro dos caminhos difíceis
Saída de Quelimane às 6h 30, com a cidade já bem movimentada, as bicicletas circulam ligeiras, percorremos as rectas planíssimas entre os palmares e os terrenos inundáveis, passamos a lixeira, a quinta das vacas, a antiga fábrica de tijolo, até Nicoadala. Entramos em velocidade lenta passando o controlo da PT, atravessamos a zona do mercado cheia de gente. Deixamos à esquerda a estrada nacional 1 para o Zambeze, iniciando o ligeiro ondular da baixa Zambézia, rio após rio, vemos os artesãos das caixas de madeira, passamos Namacurra, subimos pouco a pouco, até avistar os primeiros montes, rochosos, a Norte. Chegamos então à poeirenta “Cidade” de Mocuba, um dia suposta capital de Moçambique, para tomar café. Atravessamos a velha ponte do tempo dos colonos sobre o rio Licungo, entrando na Alta Zambézia. A partir daqui a estrada deixa de o ser, passando, alternadamente, a uma manta de buracos profundos ou a uma pista escalavrada e irregular, poeirenta e barulhenta; muitas bicicletas, muitos peões. Os camiões arrastam longas nuvens de pó vermelho. Passamos Mugema (desvio para Gilé à direita), Nampevo (desvio para Ilé e Gurué à esquerda), mais picos de rocha, imponentes, vão aparecendo. Está calor mas a cassete de música moçambicana tempera o ambiente. Chegamos à vila de Alto Molocue: é preciso re atestar de gasóleo, pelo sim pelo não, o nível do óleo está a meio, leva 1 litro; a compra de amendoins no mercado, pouco assados, grandes e saborosos, conclui os afazeres. Continuamos largando a Praça para a estrada principal, viramos á esquerda: a via está renovada, óptimo piso, vamos rápido chegando a Alto Ligonha (do Distrito de Gilé); a “Cabeça do Macaco” anuncia a passagem para a província de Nampula. Passamos Murrupula mas a estrada já esteve melhor, agora tem muitos buracos e fundos, o que leva a diminuir a velocidade. Chegamos à cidade de Nampula, marcando logo o quarto, antes de entrar no centro, na habitual residencial Recol. O restaurante é uma grande esplanada de vários níveis, lago central, comida moçambicana, portuguesa e outras, razoável e a preço normal. Foram 600 km em 9 horas. Prepara-se o começo da nova viagem de batida.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Roteiro dos caminhos difíceis
Não havia pressa. São só 400 km e a estrada não está má até Pemba. Sacar cash no ATM em vista da escassez prevista de acesso no Norte. Descendo a Avenida Central, a feira espalha-se nos 4 passeios, á sombra das árvores: milhares de sapatos, roupa, artesanato, muita gente e cores. Mobiliário elegante, pau preto, cestaria, caixas, marfim. Não compramos nada. Saída de Nampula após atestar o tanque, boas rectas, bom piso, castanha de caju à venda, imponentes picos rochosos, até Namialo; viramos à esquerda (em frente continua para Nacala), directos a Norte; nas aldeias junto à estrada – processo local de urbanização - os artesões de esteiras, de uma certa palha bem parecida e macia, expõem os seus produtos; discutimos o preço e compramos 2; mais à frente, vendedores de frutos de Baobab (Ebondeiro), já com a polpa branca bem apresentada em sacos de plástico da mesma cor, montaram expositores. Os Baobabs, uns, apresentam grandes flores brancas; outras, oblongos frutos aveludados e escuros; as sementes, com sal, fazem bem à tosse. Perguntamos para que serve, como se faz, compramos seis frutos grandes, castanhos-escuros, pele de veludo. Mais estrada, está calor, passamos Nacaroa, bastantes buracos, Alua, Namapa e chegamos ao Rio Lúrio, que marca a fronteira entre as duas províncias, Nampula e Cabo Delgado. Continuamos até Chiure, deixando á direita um desvio em pista para as Quedas do Lúrio, local de concentração de praticantes de medicina tradicional e de espaço de tratamento. Finalmente chegamos a Metoro e viramos à direita, para Este, para Pemba, onde totalizamos 1.027 Km, só para começar a viagem. Aproveito logo para marcar 2 mergulhos no C. I. Divers para amanhã. A Residencial está cheia e vamos dormir nos bungalows do hotel mesmo em cima da praia.
sábado, 6 de dezembro de 2008
História da Zambézia 5
1836 – Proibição do Tráfico de Escravos pelas potenciais ocidentais. Sabemos que foi um negócio que continuou ainda durante muitos anos de forma intensa.
1858 – Dia 4 de Fevereiro, um diploma régio (do Rei de Portugal) cria o toponímico “Zambézia”.
1875 – Os camponeses (“colonos”) podem pagar o “mussoco” (imposto per capita), em géneros ou em trabalho. Assiste-se a uma emigração massiva dos produtores.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Roteiro dos caminhos difíceis
A marginal e a praia têm pouco movimento a esta hora. Algumas mulheres vendem amendoins na esquina da entrada para o mar. Em frente à residencial, a empresa de mergulho, aluga equipamento, dá cursos, apneia e pesca. Pertence a um sul africano. Saída às 10h 30min em barco de fibra com motor de 25 hp, durante cerca de 10 min para Sudeste, num grupo de 4, um casal americano e o monitor sul-africano. Mar calmo, céu bem azul e sol forte. O monitor fez o briefing do mergulho e pôs-me o americano como buddy; a moça era pouco experiente e necessitava fazer alguns exercícios no fundo de areia com ele. Mergulhamos por cima das Shallows, localizadas com o GPS, lentamente até uma profundidade confortável, os 10,7 m: fauna piscícola variada, de muitíssimas formas e cores, pequenos; começo a tirar fotografias, pensando que a pouca profundidade e a muita luz podem dar alguns bons resultados; também às estrelas-do-mar, anémonas, corais, de muitas outras formas e cores; entretanto, perdi o “buddy”, circulei 3min, subi lentamente à superfície onde cheguei com 51 min de mergulho. O barco estava a 100 m, veio ao meu encontro. O regresso foi soft. Uma salada de polvo na esplanada com uma cervejinha fresquinha, um café, estou pronto para outra. A segunda saída foi às 14h 30min, eu, o monitor e o piloto moçambicano, para um percurso Este de 15 min. À paragem na Wall, parede de coral que desce até aos 150 m, descemos até aos 18, rapidamente, sem fio. A Este, a escuridão azul ao lado da parede bem inclinada, dá uma ideia da profundidade do desnível. Muitos peixes miúdos de cores brilhantes e contrastadas, uma lagosta grande. Ouvem-se as baleias, ao longe na massa líquida, uivando sinfónica mente. Os corais tem também todas as formas e cores e albergam todo o tipo de bicharada colorida, peixes leão, alguns altamente alergénicos. A máxima é não deixar nada a não ser bolhas, não levar nada a não ser fotografias. Don’t toutch anything ! Circulamos bastante e subimos após 45 min; fiquei ainda com 100 bar no tanque, de tão tranquilo que andei. Encontramos os amigos com quem tivemos uma apetitosa conversa e o jantar na esplanada do bar da praia estava bem “nice” (peixe grelhado); fomos dormir na pacata Residencial Wimbi.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Roteiro dos caminhos difíceis
Saímos de Pemba cedo, mas na aldeia logo a seguir, a polícia manda parar e mostra detector de velocidade, 68 km / h, seja 18 km acima do último sinal; 15 minutos para passar e pagar a multa de 1.000 meticais, continuamos ao sol; viragem à direita em Metuge, abandonando a estrada principal alcatroada, para chegar à entrada do Parque Nacional das Quirimbas; construção elevada em troncos e capim, homem fardado deitado por cima do portal; a pista está má, com piso ondulado fino e valas muitas e profundas obrigando a passar em segunda e diminuindo drasticamente a velocidade de cruzeiro. Em Mahate passamos pelo monumento Indígena e seguimos para Quissanga, onde apanha o barco quem quer ir para a Ilha do Ibo. A vila tinha pouca gente e os vários informadores todos garantiram que a pista para Mocojo estava intransitável há muitos anos; está no mapa, mas já não existe. Decepcionados por abandonar o litoral, voltamos para trás para apanhar o primeiro desvio à direita para Macomia e poupando uns 70 km de pista; que de facto também já não existia. No mapa sim, na realidade a floresta e os ribeiros tomaram conta. Obrigados a regressar a Mahate, viramos à direita para Dali, Bilibiza até Muaguide, saindo do parque nacional e passando à estrada de alcatrão muito razoável; subimos para Norte, contornando á nossa direita, o Parque, até Macomia. Entramos na vila bastante povoada. No cruzamento, mesmo à borda da estrada, uma pequena construção de blocos e cimento, pintada de amarelo, o “tak away” oferece biscoitos e latas, sandes variadas (!), outras comidas e bebidas frescas; o proprietário português informa que a pista para Mocojo está boa e se passa até Quiterajo (que vem indicado no mapa com alojamento, parque de campismo e possibilidade de mergulho). Voltamos a entrar no Parque Nacional, até Mucojo, 45 Km de pista renovada, areia vermelha, larga e boa. Chegamos à vila já de noite e viramos à esquerda para mais 38 Km até Quiterajo; a pista é difícil, com muita areia, terreno duro e com corgas, muitas curvas, mato denso e apertado, pontes e muita bosta de elefante, mais e menos fresca. Estamos já fora do Parque Nacional das Quirimbas. Muito contentes de chegar a Quiterajo, deparamos com uma única pessoa; o próprio guarda do Parque de Campismo, que só funciona durante o dia e mediante aviso da sede em Pemba. Outro alojamento não há, mergulho nem pensar, e onde comer, só amanhã. O Guarda procura informar-se sobre os nossos objectivos: queríamos subir junto à costa. Mas para Mocimboa da Praia não se passa, há vários anos que a pista está intransitável. Convida-nos a parquear nas suas instalações, indicando o caminho para a entrada na vedação singela e estacionamos debaixo da mangueira. Diz-nos que vai informar o Chefe de Posto que chegaram dois visitantes enganados, um casal, que ficarão esta noite para amanhã retomar caminho. Preparamos o acampamento inside Surf, comemos bolachas, amendoim, caju e bananas, água e sumo de maracujá. O guarda regressou e ligou a música. A noite é bela e as estrelas incontáveis.
Roteiro dos caminhos difíceis
Saímos de Pemba cedo, mas na aldeia logo a seguir, a polícia manda parar e mostra detector de velocidade, 68 km / h, seja 18 km acima do último sinal; 15 minutos para passar e pagar a multa de 1.000 meticais, continuamos ao sol; viragem à direita em Metuge, abandonando a estrada principal alcatroada, para chegar à entrada do Parque Nacional das Quirimbas; construção elevada em troncos e capim, homem fardado deitado por cima do portal; a pista está má, com piso ondulado fino e valas muitas e profundas obrigando a passar em segunda e diminuindo drasticamente a velocidade de cruzeiro. Em Mahate passamos pelo monumento Indígena e seguimos para Quissanga, onde apanha o barco quem quer ir para a Ilha do Ibo. A vila tinha pouca gente e os vários informadores todos garantiram que a pista para Mocojo estava intransitável há muitos anos; está no mapa, mas já não existe. Decepcionados por abandonar o litoral, voltamos para trás para apanhar o primeiro desvio à direita para Macomia e poupando uns 70 km de pista; que de facto também já não existia. No mapa sim, na realidade a floresta e os ribeiros tomaram conta. Obrigados a regressar a Mahate, viramos à direita para Dali, Bilibiza até Muaguide, saindo do parque nacional e passando à estrada de alcatrão muito razoável; subimos para Norte, contornando á nossa direita, o Parque, até Macomia. Entramos na vila bastante povoada. No cruzamento, mesmo à borda da estrada, uma pequena construção de blocos e cimento, pintada de amarelo, o “tak away” oferece biscoitos e latas, sandes variadas (!), outras comidas e bebidas frescas; o proprietário português informa que a pista para Mocojo está boa e se passa até Quiterajo (que vem indicado no mapa com alojamento, parque de campismo e possibilidade de mergulho). Voltamos a entrar no Parque Nacional, até Mucojo, 45 Km de pista renovada, areia vermelha, larga e boa. Chegamos à vila já de noite e viramos à esquerda para mais 38 Km até Quiterajo; a pista é difícil, com muita areia, terreno duro e com corgas, muitas curvas, mato denso e apertado, pontes e muita bosta de elefante, mais e menos fresca. Estamos já fora do Parque Nacional das Quirimbas. Muito contentes de chegar a Quiterajo, deparamos com uma única pessoa; o próprio guarda do Parque de Campismo, que só funciona durante o dia e mediante aviso da sede em Pemba. Outro alojamento não há, mergulho nem pensar, e onde comer, só amanhã. O Guarda procura informar-se sobre os nossos objectivos: queríamos subir junto à costa. Mas para Mocimboa da Praia não se passa, há vários anos que a pista está intransitável. Convida-nos a parquear nas suas instalações, indicando o caminho para a entrada na vedação singela e estacionamos debaixo da mangueira. Diz-nos que vai informar o Chefe de Posto que chegaram dois visitantes enganados, um casal, que ficarão esta noite para amanhã retomar caminho. Preparamos o acampamento inside Surf, comemos bolachas, amendoim, caju e bananas, água e sumo de maracujá. O guarda regressou e ligou a música. A noite é bela e as estrelas incontáveis.