A Poente...

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Na Baía de Nacala!

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Luso calaico

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terça-feira, 1 de maio de 2018

1 de Maio: trabalhadores sustentam o mundo!


O objetivo está claramente traçado: ambicioso mas possível!


Avenida do Trabalho.


Docentes de vários Regulados!


Tribuna do Governador.


Autoridades tradicionais!


O camião de carvão não está na marcha!


Universidade Católica!


Teatro!


Muita assistência!


Grande caravana!

Acabando a primeira semana de Abril...


O In e o Iang do Taoísmo, o frenético desequilíbrio dinamicamente equilibrado do preto e do branco, do sim e do não, do um ou nada, feliz ou infeliz, rico ou pobre, satisfeito ou revoltado. Os Portugueses no século XVI, que não eram excecionalmente atrasados relativamente aos restantes europeus, quando chegaram à China descobriram o expoente da organização humana; o maior grupo populacional mundial mais organizado há mais tempo, não admira que a sua “religião” seja um dos processos mais antigos e eficazes de acalmia das angustias humanas.

Aparece agora a Baía e o antigo ministro da cultura do Brasil: falar de amor em Itapuã. Amanhã comemora-se o Dia Mundial da Saúde, o dia da mulher Moçambicana; A. está fora; diz que não podem celebrar o dia em que morreu a mulher do Machel (Josina); em Nampula, anunciam muitos divórcios: mulheres queimam maridos com óleo, quando não oferecem capulana; homens batem nas mulheres que chegam tarde, alcoolizadas; mas a vida está difícil, o cash dos homens anda curto, prevê-se mais descontentamento!

segunda-feira, 30 de abril de 2018

30 de Abril



Toquinho transporta-me para longe, outra época, outros continentes. Emparelha com Chico Buarque. A música continua a afirmar-se na rotina quotidiana; os batuques um pouco abandonados, entre sol e chuva. Na reflexão da prática, a espiral eleva-se progressivamente… poderá ser até ao ponto de, um ponto da curva, já não vê, enxerga, distingue o lado oposto?! Em casa a TV reduz-se ao básico sem antena: a do quarto, não funciona; a da sala, dá TVM1 (governo) e STV (oposição) de baixa qualidade (programática e imagem); no quarto das raparigas apanham Miramar, idem. Limito-me ao telejornal das 20 h mais o ruído de fundo.


terça-feira, 24 de abril de 2018

Abril em Portugal!



Há 44 anos, poucos residentes da Caravela de Granito poderiam imaginar o que se ia passar dentro de poucas horas: o golpe de Estado militar do MFA, que na manhã seguinte seria cognominado de “Revolução dos Cravos” pela tentativa de apropriação popular, de uma liberdade há muito desejada! Tudo muda, nada permanece e todos os sistemas tem o seu tempo de vida. Bons momentos e boas coisas acontecerem, mas tal como ensina o símbolo taoísta, o branco fica preto e o contrário tem que acontecer. Qual será o novo sistema?

sábado, 14 de abril de 2018

2 de Abril de 2018

Ontem foi dia das mentiras, hoje cartas na mesa: toda a verdade!


No geral, raptaram numa rua principal da capital e espancaram e torturaram na nova circular um comentador da STV, uma epidemia de violações de mulheres em Gaza, o exército em Mocimboa da Praia à caça dos bandidos armados Al Shabat, um filho de boss com carro de 340 km / h que se despista e mata 23 pessoas em Maputo. Nada de novo no paraíso. O que me faz considerar se a ausência generalizada de sentido de risco, pela grande maioria da população, se deverá ao risco permanente a que tem estado historicamente sujeita, interpretado assim como normalidade. Uma vacina perigosa; eu já tinha há muito gabado a capacidade de resistência aqui da malta. Mas…há limites.

terça-feira, 10 de abril de 2018

Estação quente (com chuva)!



Um Cohibas cubano, traz um aroma das caraíbas e um sabor de Pinar del Rio!

MFC Moçambique.



A equipa de Medicina Familiar e Comunitária da Faculdade de Ciências de Saúde da UniLúrio reuniu para avaliar os requisitos para o início da residência médica em Nampula. A aposta nesta especialização dos Médicos garantirá a fidelização da filosofia da UniLúrio à sua missão de desenvolvimento das comunidades e terá um impacto altamente positivo no Sistema Nacional de Saúde.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Medicina Familiar e Comunitária



A Residência (formação em serviço) para os Médicos Generalistas que se querem especializar em Medicina Familiar e Comunitária é uma condição necessária para a melhoria do estado de saúde das populações de todos os países do Mundo. A Assembleia da República de Moçambique aprovou (2013) o Estatuto do Médico Moçambicano e a primeira das cinco carreiras, a Medicina Familiar e Comunitária. A Ordem dos Médicos de Moçambique, definiu as condições necessárias e suficientes para a creditação dos Especialistas (2017). Em Nampula, Moçambique, uma carga pesada de doença torna esta estratégia em urgência!



Como fazer as coisas andar?

No final das tardes...


Eu, no meu calção habitual desde que chego a casa, transpiro pouco. Hora aeroZen não está a dar – muito matope, chuva miúda. Os insetos fazem sonatas incríveis e o Felini é excelente na cinematografia.


African beauties, 1.

segunda-feira, 26 de março de 2018

Architects may come in...


And architects may go out...


A peregrinação dos jovens aqui ontem deixou marcas.


Também os vendavais!


Mas o homem persiste: a jovem freira de 27 anos aproxima-se, cumprimentamos, observa "é tão parecido com Padre Paulo" (não estava a falar de mim!).






terça-feira, 20 de março de 2018

Research going on!

Paulo Pires on ResearchGate


Finalmente, preparar a publicação!


Recolha de dados.


Preparação do trabalho de terreno.

quarta-feira, 14 de março de 2018

À volta do ano 0 da era de Cristo!


Como Astérix adentro do Império Romano!


segunda-feira, 12 de março de 2018

Geomancias 4.



A perspectiva tão longamente adiada, agora muito mais próxima, da mudança radical da montanha para o mar, constitui uma componente de força no movimento do leão na jaula do reboque do circo ambulante.

Mesmo não acreditando em milagres...

Ele há coisas!


Fevereiro, sempre o mesmo início?


Além da magia dos 7 anos – in the same place - fui à DPFN às 15h para buscar o comprovativo do pagamento do Imposto “voluntário” do 4º trimestre 2017, mas o balcão já estava fechado. Procurei a ficha do fogão em 5 lojas, nada, na sexta 550 Mt (fabrico chinês), passei à compra de comida e voltei a casa pelo acesso miserável da nacional a Marrere. As raparigas cozinharam cool e a chuva está “low profile”.

quinta-feira, 8 de março de 2018

Who are we?



Na continuidade do “The state of Africa”, o meu amigo e colega de Cartão FRE contou-me sobre as misérias do serviço de urgências e sobre a delapidação aceleradíssima do Município (terrenos, dinheiro, motores de carros e autocarros); ontem, os comentaristas políticos da TV mostraram uma nuvem democrática no compromisso Nyussi – Djaklama. News are fake, let’s make real ones! Mas, o leão está na jaula, e contra isso não há invenções! Get out!

Querem apostar?

São 7 anos de persistência e produção,




A Residência (formação em serviço) para os Médicos Generalistas que se querem especializar em Medicina Familiar e Comunitária é uma condição necessária para a melhoria do estado de saúde das populações de todos os países do Mundo. A Assembleia da República de Moçambique aprovou (2013) o Estatuto do Médico Moçambicano e a primeira das cinco carreiras, a Medicina Familiar e Comunitária. A Ordem dos Médicos de Moçambique, definiu as condições necessárias e suficientes para a creditação dos Especialistas (2017). Em Nampula, Moçambique, uma carga pesada de doença torna esta estratégia em urgência!

18 Janeiro 2018: Fátima Valentim, muitos parabéns!



Trabalhos gerais em arranque, A. não tinha malária, contacto da Z., conversas de jantar, eleições intercalares de Nampula em curso (democracia alegada, eleger um presidente do município por 6 meses, mesmo antes de saber quem assassinou o precedente! – inédito!).

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

14 de Fevereiro de 2018


Em África (Banto), o futuro não é premeditado, não existe. O presente resume-se a um resultado fugaz e com pouco valor, de um passado vastíssimamente complexo e pesado.


Rede integrada de apoio a referencia e contra referencia.

Pretende-se reduzir a mortalidade materna e neo-natal.


O mais rapidamente possível, os distritos de Mecuburi, Murrupula, Nampula (exclusivamente CS 25 de Setembro na Cidade e Rapale), terão o Hospital Geral de Marrere como referência.


As dificuldades são muitas.


Será necessária a intervenção política das Administrações Distritais.


Imprescindível a decisão da Direcção Provincial de Saúde de Nampula para a colocação dos recursos humanos indispensáveis.


Os parceiros (MCSP, Maternal and Children Survival Program, JPIEGO, UniLúrio) garantem o acompanhamento e o desenvolvimento profissional contínuo.



sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

17 (!)nde Janeiro 2018



As quantidades de água caídas do céu, de facto contribuem para uma mentalidade de que não há necessidade de poupar: Deus a dá, tal como os filhos. Só 2 % dos inquiridos no Posto Administrativo de Natikiri, cidade de Nampula (adolescentes, jovens e adultos dos dois géneros) acham que o PF serve para “ter menos filhos”. Os outros, é para domesticar os desígnios de Mulugo (espaçar as gravidezes).
Como sabemos não são exclusivamente os animistas: seitas judaicas, católicas e islâmicas, têm o mesmo conceito; mas como são menos, o impacto planetário é ligeiramente menor. O meu amigo anarquista ugandês dizia que a super população adolescente e jovem pode ser a solução do continente - limpar os antigos “combatentes”!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Tropical húmido...


A chuva não para há dias. No mapa de África específico à cobertura vegetal, temos uma enorme área central, na África Centro Oeste, em verde mais escuro, floresta tropical húmida; os mais atentos descobrem também, uma estreita faixa costeira, bem mais a sul, na Tanzânia e Moçambique. Embora mais perto do Trópico de Capricórnio do que do Equador, o clima aqui, desafia!



terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Black out!



Estou quase sem carga no portátil e o smartphone já era; está a carregar agora no portátil! Estive a ler, aquele livro “The state of Africa” é asfixiante e arrasador, não consigo parar: o poder mais negro no sentido simbólico da palavra, incluindo os brancos da África do Norte e do Sul e os mistos do Corno, a delapidação total dos recursos e o genocídio generalizados dominam o continente há 60 anos! Parece que a única “excepção” será o Botswana, já menos a Namíbia. Mas depois descasquei as batatas, limpei a cenoura e as cebolas, pus na água. Está na hora de iniciar o ritual de preparação da “Janta”, à luz da vela.

Saúde Mental.

Na região Norte e parte do Centro de Moçambique (províncias de Niassa, Cabo Delgado, Nampula, Tete e Zambézia) existe uma única unidade de saúde dedicada a pacientes psiquiátricos e "neurológicos" (epilepsia!).


Esta unidade de saúde tem menos de 100 camas e teoricamente cobre uma população superior a 15 milhões de habitantes.



As instalações estão limpas e organizadas, geridas pelos Irmãos S. João de Deus.


Internados serão poucos (50 homens, 20 mulheres) mas o trabalho mais pesado está nas consultas externas.


Imprevistos, constituem a única coisa previsível por aqui!




sábado, 20 de janeiro de 2018

África no início do 3º milénio!


“A maior parte dos países africanos sofreram de forma gravosa nas mãos dos seus Grandes Homens e as suas elites reinantes. A sua preocupação acima de todas as coisas, tem sido segurar o poder para se enriquecerem. O sistema patrimonial que utilizam para se sustentar no poder sugou enormes quantias dos recursos dos estados. Adquiriram ainda outras riquezas actuando como “porteiros” para as empresas estrangeiras. Muita desta riqueza adquirida foi mal gasta em vidas de luxo e desviada para o estrangeiro em contas bancárias e investimentos. O Banco Mundial estima que 40 % da riqueza privada africana se encontra em paraísos fiscais. A sua cobiça pela riqueza disseminou uma cultura de corrupção que penetrou todos os níveis da sociedade. Um relatório da União Africana em 2002 estimava que a corrupção custava anualmente à África 148 biliões de dólars americanos – mais de um quarto do produto interno bruto do continente. Resultados de uma investigação publicada em 2010 estimavam que pelo menos 850 biliões $EUA tinham sido desviados de África desde 1970.”


Martin Meredith. Black Gold. The State of Africa. Simons & Schuster. London. 2011.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Onde está o problema? Aprendamos com África!


“A enorme ajuda externa que entra em África, quer seja da China ou do Ocidente, não traz soluções definitivas. Porque o somatório das infelicidades africanas durante o meio século passado - as guerras, os déspotas, a corrupção, as secas, a violência diária – configura uma crise de dimensão muito maior. No centro da crise está o falhanço dos líderes africanos na prestação de uma governação efectiva. Poucos países tiveram a experiência de uma liderança sábia ou competente. A África do Sul, na era pós-apartheid, surge como um estado democrático bem gerido, com instituições fortes e um sistema de controlo e balanço bem apoiado numa Constituição moderna. O Botswana destaca-se sendo o único exemplo de uma democracia multipartidária resistente, com um registo de gestão económica com bons resultados, que utilizou a riqueza diamantífera para o desenvolvimento nacional e manteve uma administração livre de corrupção.”


Martin Meredith. Black Gold. The State of Africa. Simons & Schuster. London. 2011.

22.12.2017


Água na torneira, não há. Energia, melhorou. Um rato, anda à solta. A lua está crescente; as nuvens acumularam-se e os trovões, fortes, fizeram a sua aparição; a chuva reteve-se. Espera-se El Nina!

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Clima de floresta tropical húmida!


Ventos fortes,


Muita água nos rios,

Barragem de Nacala tem que descarregar...


Outras situações?

Moçambique, anos 90!

“Na década de 90, a comunidade internacional inicia um processo para pôr fim à Guerra civil em Moçambique. Em 15 anos tinha reduzido o país a um caos. No início dos anos 90 tinham morrido mais de um milhão de pessoas e cinco milhões foram arrancados das suas casas, numa população total de 18 milhões. Mais de 90 % da população vivia abaixo do limiar de pobreza e desses 60 % estavam na pobreza absoluta. Para evitar a fome das massas, Moçambique precisava da ajuda externa.
O Governo da Frelimo e o movimento rebelde da Renamo foram incitados pelos parceiros internacionais à negociação, que se foi prolongando. Tendo a Renamo iniciado como um movimento regional, primeiro com os brancos da Rodésia e depois da África do Sul, ganhou uma reputação de crueldade extrema, realizando massacres brutais, mutilações e militarizando crianças; mas também conseguiu apanhar o descontentamento enraizado nas comunidades com as políticas autoritárias da Frelimo, ficando a controlar vastos territórios no centro e norte de Moçambique. Quando se propõe à Renamo de participar numa nova ordem política em 1992, ela está de acordo em desmobilizar o exército, transformar-se num partido político e concorrer a eleições. O acordo de paz foi assinado em Roma a 4 de outubro.”


Martin Meredith. Black Gold. The State of Africa. Simons & Schuster. London. 2011.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Moçambique, 1975.


“Em setembro de 1974 Portugal concedeu o poder à Frelimo, mediante um período de transição de nove meses. Poucas horas depois da notícia, brancos de direita iniciaram uma revolta que foi derrotada. O êxodo dos brancos aumentou. Na altura em que Moçambique fica independente, junho 1975, o país tinha perdido a maioria dos funcionários administrativos, gerentes, técnicos, operários e comerciantes. Cerca de 200.00 brancos fugiram de Moçambique, abandonando quintas, fábricas e casas.
Desafiando as carências críticas de pessoal especializado, o líder da Frelimo, Samora Machel, lançou-se na transformação da luta de libertação numa revolução total, utilizando o Marxismo-Leninismo como a linha orientadora. A Frelimo legisla uma série de Decretos lei nacionalizando quintas, negócios e fábricas; introduz a planificação económica centralizada; determina produção agrícola coletiva; e tenta uma estratégia de “aldeamento” semelhante ao programa ujamaaa da Tanzânia. Grupos de ativistas partidários (grupos dinamizadores) foram enviados para fábricas, escritórios, negócios, hospitais, escolas e municípios para reforçar a linha do Governo. No seu objetivo de modernização, a Frelimo também se lançou na limpeza dos tradicionalismos culturais e fundiários para eliminar a influência dos Régulos e dirigentes locais. A Igreja Católica e os seus aderentes foram outro alvo. A Frelimo decretou o fim dos festivais e cerimónias religiosas, apoderou-se das propriedades da igreja e proibiu as atividades na educação e no casamento. As religiões tradicionais foram também proscritas.
“”O nosso fim””, declara Machel em 1977, “”não é ostentar uma bandeira diferente da dos Portugueses, ou realizar eleições gerais – mais ou menos honestas – em que os pretos, no lugar dos brancos, são eleitos, ou ter um presidente preto em vez de um governador branco…afirmamos que o nosso objetivo é conseguir a independência total, para estabelecer o poder do povo, para construir uma nova sociedade sem exploração, para benefício de todos aqueles que se consideram Moçambicanos!””.
Estes sentimentos excelentes, demonstraram-se ruinosos. As políticas de Machel provocaram um descontentamento geral que eventualmente alimentou a guerra civil.”


Martin Meredith. White Dominoes. The State of Africa. Simons & Schuster. London. 2011.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Esta não sabiam de certeza!


“Mobuto in Congo in the 1970s, changed the name of the country to Zaire, a name derived by the Portuguese from a Kikongo word, Nzadi, meaning vast river”. 

Martin Meredith, The State of Africa.

Africa first...


“In Benin in the 1970s, the institutions were found to be hierarchical, authoritarian and highly bureaucratic, leading to failure to perform essential tasks, to waste and inefficiency. The personnel, apart from being in many cases unqualified or ill-qualified, tended to be idle, undisciplined, arrogant and above all corrupt, so that fraud as well as inefficiency abounded within the parastatal sector.” 

Martin Meredith, The State of Africa.

Dezembro 2017

Primeira chuva equatorial, grande ventania, relâmpagos perto e trovões, ruas cobertas de água, caem árvores e voam telhados de chapa desde o fim da tarde, energia vai e vem, quando vem em baixa tensão…Mais tarde acalmou, limpou um pouco, veem-se estrelas por cima, Orion está lá. A poente, nuvens muito negras; as nuvens brancas vêm rápido do mar, mas a noite está clara; ao longe a claridade dourada da cidade de cimento, abre-se uma nesga nas nuvens e sai a lua grande que inicia o quarto decrescente. O concerto dos pássaros é intenso e variado; a amiga águia pia no alto do penedo. Está uma temperatura ótima!

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Etiopia.

Não tive oportunidade de ver as igrejas subterrâneas, contentei-me com a catedral na praça central de Addis. Cheguei no Domingo a Nampula 10 minutos adiantada a LAM de Nairobi, depois de ter que comprar um visto de transito por 20 $US porque a mala não cabia na cabine do avião da Etiópia e tiveram que pôr no porão. Atravessei a praça, perguntei duas vezes, fumei um cigarro depois de comprar fósforos porque o isqueiro mini ficou retido na saída de Addis. Em Pemba foi rápido e em Nampula parece que só saímos nós os dois. A semana foi produtiva, com o brother IH, aprendemos a escrever investigação para as revistas de marca! Podíamos com certeza dar um contributo óptimo para a formação dos docentes e para o desenvolvimento da política científica da FCS. Hwo knows? O grupo era animado, de muitos países, organização do Kenia, African Population Health Research. O Hotel estava nice, bons pequenos-almoços e refeições, vi muitos noticiários, euro news, al jaezera, BBC and so on. Apaguei o AC no segundo dia. Os cortes de energia repetidos no inicio da noite lembravam Nampula. Daí uma vez ao fim da tarde com o Manuel, acompanhou-nos por acaso um dos empregados do restaurante que ia para casa, passámos pela catedral, em que o Padre falava alto no altifalante, muitos a orarem à volta, pequena rua de barracas de venda de quadros, fotografias, adereços de santos, virgem, pessoas vestidas singularmente a que se agradecem preces; estamos na praça principal, onde passa em viaduto o eléctrico; em frente o Museu do Terror Vermelho e o Museu de Addis Ababa, O Parque Desportivo; continuamos para entrar, depois de revistados, em um parque de casamentos, jardim e árvores enormes, com hotel e câmbio (o IH foi trocar dolars em Birr); depois o estádio de futebol e por baixo um bar popular, uma cerveja cold gold, consistente; tranquilo, boa música, conversa ligeira. Regressámos na boa, o IH deu-lhe alguma coisa para a passagem, subimos a colina!

Passados 717 anos do plano do Rei D. Dinis, o reino da Etiópia está muito diferente. No entanto, a presença cristã ortodoxa é manifesta. Conta-se que o enviado do Rei de Portugal chegou aqui com os homens das Caravelas, que ficou bastante tempo e chegou mesmo a converter o Soberano reinante ao cristianismo católico; episódio que terá durado uns 30 anos, sendo finalmente resolvido com guerra para a reposição da Igreja Ortodoxa. O país dos mais antigos de África, talvez anterior ao Egipto, nunca colonizado (ocupado 3 anos pelos Italianos na segunda guerra mundial). Addis Ababa, “nova flor”, situada a uma altitude de 2.800 m, rodeada de montanhas com florestas, capital criada há 100 e tal anos por Mengisto, unificador do reino, retirando a antiga capital do Norte para o Centro. Apoio de Cuba (influencia socialista da década de 60 / 70), 30 anos de guerra com a Somália, uma guerra civil de 100 anos. Os monumentos antigos encontram-se a 300 ou 1.000 km daqui. O país tem 102 milhões e a cidade talvez 6. O Armárico, língua oficial, é completamente inteligível para mim, o alfabeto é um enigma – não se consegue perceber nada. Embora haja negros Banto e várias misturas, a fisionomia dominante é “Nilótica”: cor escura, feições esbeltas, cabelos lisos. As mulheres podem ser bonitas, homens menos. Construções astronómicas por todo o lado, arranha céus, muitas aparentemente paradas; a China está a construir uma sede moderna monumental para a União Africana; tem viadutos, eléctrico, transporte urbano e chapa, táxi por todo o lado, tráfico intenso, montes de gente na rua, desportistas, pobres, sem abrigo, negócios de banca 0,5 m2, pedintes, disponíveis para ajudar, soldados armados, muita polícia, proíbem fotografias.

Comprei 4 cds mas um não funciona. A música mostra uma forte influência oriental, com bocados muito bons, quer na mais tradicional ou na moderna. Para as Panteras custou-me os olhos da cara os vestidos tradicionais com a cruz ortodoxa, mas ficaram bonitas. Não podia faltar o café, dizem eles o primeiro e o melhor do mundo, para o qual tem até uma cerimónia. Os homens mostraram o modo de dança muito particular com a articulação ritmada e alternada dos ombros.

Na quinta-feira à noite, buffet animado com música e drinks, a malta conversou e dançou, riu-se bastante. Mas já tinha encontrado um anarquista, do Uganda, o Patrick, no pátio para fumar, onde á noite, com um frio desgraçado, acendiam vários bicos sofisticados e potentes de gaz; ele esteve sempre sentado ao meu lado, sem de facto termos previamente contactado. Aí encontravam-se Etíopes corpulentas, a oferecer massagens magníficas e completas, mesmo a sugerir outras intervenientes. Mas a hora de despertar era ás 7 para estar a funcionar às 8:30, uma hora mais tarde que em Moçambique. Estes Etíopes são loucos! Mas conduzem pela direita.


De regresso re instalo a sandes de presunto e uma tónica, a hora aerozen diária, tendo em conta o deficit da semana passada. Tudo normal, gris gris dos insectos nocturnos, todos à espera de chuva!

Festas 17 para 18!







quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Não há Natal para todos...

Urban family’s food insecurity, Mozambique, 2015.

Abstract

Context: Nampula is the third largest city in Mozambique, under a strong rural – urban migration. Here is Mutauanha neighbourhood, highly populated with several weak urban, demographic and social factors associated with food insecurity. Surrounding Lúrio University Health Sciences Faculty facilities, made it eligible to develop a research and health education program, "One student, one family". Its main objective is students’ interaction with local communities, providing close and continuous contact throughout the students' training process, with the community’s daily problems, following 350 families. In Mozambique, there is not a validated method to assess food insecurity, but international methods can be adapted successfully to evaluate food insecurity, allowing an accurate assessment (prevalence and determinants) in urban families living in Nampula.

Methods: descriptive, cross-sectional study with informed consent of 103 families, followed by undergraduate students in 3rd year Nutrition Course, duly guided and accompanied. We applied the American Food Security Scale to determine food insecurity and a structured interview about social and economic information. To evaluate food insecurity determinants, Chi-square tests were used for categorical and Pearson correlation for numerical variables. A significance level of 5 % was adopted.

Results: food insecurity attains 65 % of families in Nampula city. Average families’ monthly income per capita was 697.52 Meticais (± 10 US$, 0,33 US$ / day). Children under five years of age low weight, chronic undernutrition and overweight prevalence were 5.2 %, 24.2 % and 20.7 % respectively.

Discussion: food security was associated with domestic food production (p < 0.05) and use of treated water for food preparation (p < 0.05). Correlation test regarding numerical variables showed that the lower the yield, the greater the food insecurity (r = - 2.92; 0.01). The most important determinant of food insecurity was low household income per capita.

Conclusion: we demonstrate a high prevalence of food insecurity among urban families in Nampula, Mozambique. Low family income may be the main barrier to access adequate food.


Key words: family, food insecurity, hunger, nutrition, poverty, undernutrition, urban.

Acessível em https://edupediapublications.org/journals/index.php/IJR/

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Educação para a saúde!


Casa cheia!

Estágio "rural", sim mas mais propriamente suburbano.


As mensagens são repetidas em Macua.


Os estagiários do 6º ano de Medicina transmitem com entusiasmo!


No Centro de Saúde 25 de Setembro, o movimento é sempre muito, há quem o diga!


quinta-feira, 30 de novembro de 2017

5 de Outubro, 2017!

Ontem celebraram 25 anos dos acordos de paz em Roma, feriado nacional, fui com as 3 panteras pequenas dar um passeio na cidade quase deserta e comer um gelado; visitámos a exposição do J. no museu e regressámos. Na abertura do telejornal anunciam que assassinaram Hamurane, o presidente do Município, com 3 tiros. Simultaneamente, conflitos em Mocuba, Zambézia (parece que mataram 4 militantes da Renamo), Mandinga (Niassa) onde a população se revoltou e atacou a polícia e Mocimboa da Praia (Cabo Delgado), notícias de um ataque pesado, parece da Al Shabat!? Depois de terminado o XI Congresso do Partido Frelimo, as coisas parecem estar a piorar. Hoje na cidade de Nampula houve manifestações e tiros da polícia para dispersar, avisei os meus estudantes que não ia ao Hospital dar a aula, que adiamos para a próxima segunda-feira!

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

717 anos depois...


49 anos depois...


1968.


Viagem no tempo.

1969?



Natal na Casa da Tia Fernanda e do Tio João em Queluz, eu com as primas Luísa e Cristina, a prima Maria João com a Elsa e o Vasco, já espreguiçado!

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Abalos tectónicos?


A confirmação da inevitável mudança, atrasando-se na atualização documental da burrocracia ecofágica, parece não se incomodar com a velocidade planetária. O Pós-Doutoramento em Ciências da Paz (Paciência) cristaliza-se na produção de livros na cultura oral; será o cristal estudado? Bem falado? Vilipendiado? Na medida em que o imprevisto é a única coisa previsível, ficamos no “cara ou coroa”!

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Preâmbulo.


Na minha hora (45 min) aeróbica (5 km) interferi com os cães vadios na rua ao lado dos dormitórios dos estudantes e também com os duetos de segurança e polícia armados, não vi mais ninguém! As estrelas agora, com o quarto em crescente, esmorecem. A Via Láctea está discreta, o Cruzeiro do Sul não falha, deitado a ocidente, mas a UM? Virá?

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

20 de Setembro 2017


Quarta-feira depois de jantar, duas horas a jobar e uma hora de marcha rápida ~ 5 - 6 km naquela meditação das dezenas de ideias brilhantes que nunca serão conhecidas! Agora acelerei para 3 vezes uma hora por semana, mínimo!

Luto.

Passagem, para a outra margem.

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Parto...

NESSE DIA PARTI PARA OUTRA VIDA.

Francamente, não estava preparada. Flutuava descansada no líquido amniótico, sem qualquer outra preocupação, mas a hipófise da minha mãe pensava que era a altura certa e o útero dela começou a expulsar-me. Não tive outra solução que enfiar a cabeça e toca a sair, abrir a boca e inspirar fundo, expirar, engasguei-me um pouco, tossi e começa uma nova fase, tudo diferente. A enfermeira de branco rodou-me, puxou-me um pouco pela cabeça, os ombros saíram certinhos e o resto foi fácil. Já embrulhada na toalha, a enfermeira colocou-me calmamente em cima da barriga da minha mãe. Pensei em chorar, mas de facto não tinha grande vontade. Por cima da minha cabeça, estava um cheiro sedutor e um mamilo apetitoso que me cativou os sentidos. Estiquei o pescoço e a minha boca apanhou o alvo. Pronto, devagarinho reencontrei o meio habitual. Barriga cheia está-se muito melhor. Minha mãe chegou-me um pouco acima, deu-me duas palmadas no rabo e eu arrotei. Nisto, deu-me vontade de dar uma mijinha. Descuidei-me, e molhei a barriga da minha mãe. Chegou o médico para fazer o exame clínico; sacudiu-me um pouco, esticou-me os braços e pernas, colocou-me na balança e depois escreveu no cartão. A enfermeira pegou em mim e colocou-me na cama ao lado da minha mãe. Entrei num sono profundo. Sonhava ainda com aqueles sons fortes do coração da minha mãe, do ruído de fundo da galáxia desconhecida, da circulação rápida no cordão umbilical. Deixei-me ir!”