quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
sábado, 12 de dezembro de 2009
Aprendendo a vida
domingo, 29 de novembro de 2009
Eleições em Moçambique
domingo, 8 de novembro de 2009
A descoberta de Iunga
sábado, 7 de novembro de 2009
Buscando raízes
quinta-feira, 5 de novembro de 2009
Ilha Deserta
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
A Serra que Canta
Saímos de Morrumbala passando o aerodromo pela picada em direcção a Oeste, para o rio Chire, descendo alguns montes em curvas até Pinda, na planicie vasta, para falar com o Chefe de Posto primeiro, o Régulo mais à frente, solicitar o seu filho para nos acompanhar. Existem alguns Ebondeiros magestosos, agora prateados à luz do sol, dois deles cheios de pássaros enormes, brancos e negros, de pescoço comprido, habitantes do rio. É uma zona de reassentamento de deslocados das cheias, com muitas casas em tijolo, centro de saúde e escola. Fazemos uma oferta para a cerimónia e seguimos em direcção a Micaula, ao longo da margem esquerda do Rio Chire, pouco antes de chegar à sua confluência com o Rio Zambéze. Aparece um corte perpendicular à pista com cerca de 50 m de largura, aparentemente rio seco, areia e pedras miudas. O jovem relata que há mais de 10 anos surgiu durante uma noite um bicho cobra com rosto de pessoa, que inrrompeu montanha abaixo, causando caos e destruição, abrindo este largo rasto até ao rio; e que a sua esposa ou esposo, poderá surgir a qualquer momento, saindo ali ou próximo, causando grande prejuízo. A população deve estar atenta. Mais à frente, as águas quentes, sulfurosas, brotam em três tanques forrados de ondulados sedimentos ocre esverdeado, junto a ruinas agro industriais imponentes da antiga Companhia da Zambézia. As mulheres lavam as capulanas e os filhos. Raros campos de algodão já apanhado, farrapos brancos dispersos nos ramos médios dos arbustos nas margens da pista. Pouco mais de 15 km e paramos na aldeia de Munguira. Sentamos nas cadeiras à sombra debaixo da Mangueira com o Chefe de Posto, o Secretário de Posto, o Regulo, o Fumo, o Secretário de Bairro, explicamos o motivo do nosso desejo de subir à serra. Adquirem-se os produtos para a cerimónia. Designa-se o guia. Saímos às 10h e 30 minutos, sol e calor abrasador. O guia inicia um ritmo rápido, contornando o Centro de Saúde para sair da aldeia e subindo de forma mais acentuada através da floresta. Fazemos duas paragens rápidas antes de chegar ao primeiro terço, relevo marcado percebido lá em baixo. Respiração ofegante, pulsação rápida, corpo muito quente. Temos a primeira desistência. A inclinação acentua-se, as sombras são raras. Água, respiração apropriada, esforço controlado. Aparece um macaco grande a comer Massalas que foge monte acima. Cruza-se a descer uma mulher bem disposta. Primeira machamba, mais acima duas casas, uma familia alargada, um homem escava à mão um buraco para a colocação de mais um pau em nova palhota em construção. Um fruto vermelho oval com polpa granulosa doce amarga. Persiste a inclinação difícil, carreiro entre o capim alto, terra solta com palha, desliza. Os musculos começam a doer. Para cima, nem o Diabo empurra. Pequeno corgo com bananeiras, está ali a água fresca. Bebemos bastante e abastecemos as garrafas. Carreiro estreito em falésia marcada, rochas e pedras grandes. Nova machamba, milho, mandioca, amendoim, mais uma casa um homem. Passamos o segundo colo. Atravessamos o vale e aparece então ao longe, pequenina, a antena no horizonte alto. Carreiro sinuoso, muita pedra, zona queimada, faz-se longo, mas ao fim de 3 horas, chegamos a Saikuni, também nome do Fumo local, disciplo do Regulo Sapanda. Lindos, minusculos, vermelhos e doces tomates abundam inexplicavelmente entre as pedras médias. Uma tenda de paus e plastico, vazia, com uns restos de fogo e lenha, dois tachos, uma mochila, um cartão grande dobrado no chão. Comemos tomates deliciosos, bebemos água, mastigamos umas bolachas. Quando chega o guarda das 4 antenas, vem de arco e flechas – atira bem longe, serve de arma de caça para coelhos, galinhas do mato e gazelas. Rimos de histórias da construção das antenas, falamos sobre os vários locais da serra – o pico das cobras, a origem do canto. Temos amendois e bolachas ainda para partilhar. A pouco mais de mil metros de altitude, apesar do fumo das inúmeras queimadas dispersas em todo o horizonte, avistamos a Oeste o Rio Zambéze, limitando Tete com Sofala, onde conflui ao longe a Sul o Chire, limitando a Zambézia. A Norte, as silhuetas das casas e os reflexos dos telhados de chapa da Vila de Morrumbala, sede do Distrito. A Sudeste, muito ao longe, os picos rochosos de Mopeia. Uma hora de descanso deve chegar, despedimos-nos e iniciamos a descida. Bebemos e abastecemos de água no mesmo sítio. Passamos a família que permanece tranquilamente sentada à sombra. A miuda dos seus sete anos no alto dos ramos da mangueira colhe alguns frutos, aparentemente muito verdes. Saudamos e seguimos monte abaixo. Primeira paragem após uma hora, com os joelhos de manteiga. Sentar, esticar as pernas. Temos pressa. Para baixo todos os santos ajudam. Mantemos um ritmo rápido, esforçado, escorrega-se às vezes. Mais 45 minutos e estamos na aldeia. Foi um passeio duro, agradecemos o apoio do Regulo, Fumo e companhia, retiramos-nos satisfeitos e bem cansados. A montanha só canta em certas épocas do ano. Voltaremos!
domingo, 11 de outubro de 2009
Preguiça de Domingo
quarta-feira, 7 de outubro de 2009
Asterix
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Massacrado pelos mosquitos
MAINDÓ
Bisso - olhos.
Bodo - joelho.
Cotomoia - tosse.
Dereto -bom.
Enzai - ovo.
Fiua - comichão.
Irido - arrepio.
Jala - unha.
Mainje - àgua.
Manda - mão.
Mimba - barriga.
Moindo - perna.
Murobue - medicamento.
Mussolo - cabeça.
Nhalo - pé.
Nhama - carne.
Numba - casa.
Oba - peixe.
Ocalau - vida.
Ocoma - gordo.
Ocua - morte.
Oladiua - tratamento.
Onda - magro.
Oudja - alimento.
Reda -doença.
Ridua - fraco.
Tovanda - forte.
Upa - dor.
Wabore - mau.
Zino - dente.
domingo, 13 de setembro de 2009
Ebondo
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
Batucada especial
domingo, 23 de agosto de 2009
Iniciação
quinta-feira, 6 de agosto de 2009
O Céu na Terra
sábado, 18 de julho de 2009
Final da época das chuvas
segunda-feira, 6 de julho de 2009
Provérbio Etxwabo
domingo, 5 de julho de 2009
Músicos de Quelimane
terça-feira, 23 de junho de 2009
Cacimba
A Via Láctea impõe-se monumento principal. O Cruzeiro do Sul evita perder o norte. Ás vezes, Orion defronta a Ursa Maior. A noite avança, os cães ladram, as folhas das palmeiras roçam ao vento, Nzu dorme no tronco do Coqueiro.
terça-feira, 9 de junho de 2009
Vocabulário
Kumbaisa: adivinho, pessoa que se acredita possa descobrir coisas ocultas como a causa da doença, quem foi o causador da doença, o autor da desgraça, o autor da morte, onde foram ocultadas coisas roubadas, quem detém a chuva. Ritual com objectos físicos.
Proverbio Etxwabo: Kumbaisa onomukutha Mukwiri (o adivinho descobre o autor da desgraça).
Mulaula: adivinho, pessoa que pretende desvendar coisas ocultas ou futuras, descobrir quem roubou ou fez feitiço; ás vezes indica o curandeiro apto ao caso.
Exemplo: Wafema eliwe omutomeya muzogwe, mudhele mulaula kamubulile muzogweya (Uafema foi acusado de deter a chuva, mas o adivinho quando chegou não desvendou chuva nenhuma).
Sinónimos: Kumbaisa, Muliba makaga, muliba makaga manddimuwa.
Mukwiri: pessoa que segundo a crença popular, possui o feitiço e pode dar a outrém qualquer espécie de mal, ele é tido como o responsável último do mal físico e moral. Secreto.
Provérbio Etxwabo: Mukwiri kanlowa nzuwa (a pessoa que possui a força de fazer o mal não aguenta enfeitiçar o sol).
Nahana ou Namusorho: curandeira / o que trata a doença do "histerismo" (Mazoka ou Matoa). Cura atravéz dos batuques.
Provérbio Etxwabo: Maliana Nahana, okana makobwa aye, onolaba na bafu, onotxetha marhombo (Maliana é curandeira, tem os seus cestinhos com remédios, faz o sufumígio, dança o Marombo e a Zoka).
Namabaliha: parteira.
Ñganga: curandeiro, herbanário, médico que dá remédio, tendo ás vezes em conta as indicações do adivinho, utilizando escarificações, plantas e raízes, um ritual.
domingo, 7 de junho de 2009
MUSICAS DAS CARAÍBAS
Temos o tradicional, o popular, o jazz, o reagge, a salsa, o regueton e o son, entre outras. Os músicos, funcionários públicos em grupos bem compostos, percorrem as salas e os palcos dos bares do país, animando as danças mexidas e retorcidas da ilha. A cultura e a história são muito promovidas, com inúmeros museus e conjuntos arquitectónicos de significado marcante no passado recente, grandes empresas de produção e distribuição de música e espectáculos, programas de documentário na rádio e televisão frequentes e interessante, inúmeras edições e outras publicações, obras plásticas e exposições, pintura, artesanato, fotografia, vestuário design, feiras e exposições, regionais, nacionais e internacionais.
MUSICAS DAS CARAÍBAS
EDUCAÇÃO PARA TODOS
O nível cultural médio em geral é deveras elevado. Os Cubanos tem das mais altas taxas de esperança média de vida de todas as Américas.
segunda-feira, 1 de junho de 2009
O outro lado da moeda
quarta-feira, 27 de maio de 2009
Acesso aos serviços de saúde
Em qualquer lugar, é fácil encontrar um Centro de Saúde. A entrada é livre, a informação imediatamente disponível, o tempo de espera mínimo. Os médicos são simpáticos, o serviço eficaz e gratuito, a consulta não demora. Alguns problemas de disponibilidade de medicamentos, não atingem normalmente os princípios activos mais correntes. Na maior ilha das Caraíbas...
domingo, 24 de maio de 2009
The best of
Não tem publicidade, não existe desemprego, não há pedintes, não se vêem sem abrigo. Todos tem uma casa, alimentação essencial, saúde e ensino gratuitos. A música é muito boa, o rum aprecia-se os charutos dos melhores. A população é hospitaleira, circula-se em completa tranquilidade, as praias bonitas, as cubanas lindas, o desporto nacional o baseball. País único no mundo!
quarta-feira, 20 de maio de 2009
Sonhamos o futuro
quinta-feira, 9 de abril de 2009
Ritmos da terra
quarta-feira, 1 de abril de 2009
Típico português...
sábado, 21 de março de 2009
Obras de Fernando Pessoa
A sociedade governar-se-ia espontaneamente a si própria, se não contivesse gente de sensibilidade e de inteligência. Acreditem que é a única coisa que a prejudica. As sociedades primitivas tinham uma feliz existência mais ou menos assim.
Pena é que a expulsão dos superiores da sociedade resultaria em eles morrerem, porque não sabem trabalhar. E talvez morressem de tédio, por não haver espaços de estupidez entre eles. Mas eu falo do ponto de vista da felicidade humana.
Cada superior que se manifestasse na sociedade seria expulso para a Ilha dos superiores. Os superiores seriam alimentados, como animais em jaula, pela sociedade normal.
Acreditem: se não houvesse gente inteligente que apontasse os vários mal-estares humanos, a humanidade não dava por eles. E as criaturas de sensibilidade fazem sofrer os outros por simpatia.
Por enquanto, visto que vivemos em sociedade, o único dever dos superiores é reduzirem ao mínimo a sua participação na vida da tribo. Não ler jornais, ou lê-los só para saber o que de pouco importante e curioso se passa. Ninguém imagina a volúpia que arranco ao noticiário sucinto das províncias. Os meros nomes abrem-me portas sobre o vago.
O supremo estado honroso para um homem superior é não saber quem é o chefe de Estado do seu país, ou se vive sob monarquia ou sob república.
Toda a sua atitude deve ser colocar-se a alma de modo que a passagem das coisas, dos acontecimentos não o incomode. Se o não fizer terá que se interessar pelos outros, para cuidar de sí próprio."
Obras de Fernando Pessoa
quarta-feira, 4 de março de 2009
Diálogo de gerações
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
Pessoa
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
Livro do desassossego
quarta-feira, 31 de dezembro de 2008
A vida é bela !
domingo, 14 de dezembro de 2008
História da Zambézia 6
Entre 1986 e 1930, o Estado Português, realiza a ocupação e submissão militar progressiva do território actual; entretanto, evitando o modelo colonizador de exploração da terra aposta na exportação de mão de obra.
1890 – Um Decreto da Coroa cria trabalho rural obrigatório e promove a ocupação efectiva das áreas fora dos Prazos.
1892 – Fundação da Companhia da Zambézia, que administra o território entre o Rio Zambeze e o Rio Ligonha, cobrando um imposto de 400 Reis per capita, do qual entrega 50% ao Estado, criando uma área de especialização económica regional com as extensas plantações de monoculturas.
1894 – Alfredo Aguiar (um misto Angolano que depois foi preso) publica um periódico em Quelimane, “O Clamor Africano”, uma das primeiras formulações nacionalistas.
1898 – Fundação da Companhia da Boror.
1899 – As companhias da Zambézia e os Proprietários protestam junto do Governo contra a actividade dos contratantes (“engajadores”) da África do Sul que vem buscar muita mão-de-obra.
1904 – Fundação da Sociedade Madal.
1908 – Fundação da Empresa Agrícola do Lugela.
1909 – Os Portugueses dominam o “Muenes” Ossiuo e Unrugula na antiga Capitania Mor do Baixo Molocoé (hoje Pebane).
1910 – Os Portugueses dominam a região do Sultanato de Angoche.
1915 – Empresa Agrícola do Lugela exporta 30.400 Moçambicanos para a ilha de São Tomé.
1918 – Primeira Guerra Mundial: força militar Alemã desce da Tanzânia e destrói grande parte do património de Namacurra.
1920 – Derrota de Barué: as forças Zambezianas são vencidas pelo exército português, que incorporava grande número de soldados Nguni e tropas mercenárias. Foi o fim da resistência primária armada contra a implantação do domínio colonial no território.
1922 – As Companhias cobravam um imposto de 10$00 (dez escudos) por pessoa e por ano; entregavam ao estado 8$80 (oito escudos e oitenta centavos).
1923 – O Governo do Distrito de Quelimane emite um decreto que proíbe o costume do uso de argolas e anilhas nas pernas como ornamento.
História da Zambézia 6
Entre 1986 e 1930, o Estado Português, realiza a ocupação e submissão militar progressiva do território actual; entretanto, evitando o modelo colonizador de exploração da terra aposta na exportação de mão de obra.
1890 – Um Decreto da Coroa cria trabalho rural obrigatório e promove a ocupação efectiva das áreas fora dos Prazos.
1892 – Fundação da Companhia da Zambézia, que administra o território entre o Rio Zambeze e o Rio Ligonha, cobrando um imposto de 400 Reis per capita, do qual entrega 50% ao Estado, criando uma área de especialização económica regional com as extensas plantações de monoculturas.
1894 – Alfredo Aguiar (um misto Angolano que depois foi preso) publica um periódico em Quelimane, “O Clamor Africano”, uma das primeiras formulações nacionalistas.
1898 – Fundação da Companhia da Boror.
1899 – As companhias da Zambézia e os Proprietários protestam junto do Governo contra a actividade dos contratantes (“engajadores”) da África do Sul que vem buscar muita mão-de-obra.
1904 – Fundação da Sociedade Madal.
1908 – Fundação da Empresa Agrícola do Lugela.
1909 – Os Portugueses dominam o “Muenes” Ossiuo e Unrugula na antiga Capitania Mor do Baixo Molocoé (hoje Pebane).
1910 – Os Portugueses dominam a região do Sultanato de Angoche.
1915 – Empresa Agrícola do Lugela exporta 30.400 Moçambicanos para a ilha de São Tomé.
1918 – Primeira Guerra Mundial: força militar Alemã desce da Tanzânia e destrói grande parte do património de Namacurra.
1920 – Derrota de Barué: as forças Zambezianas são vencidas pelo exército português, que incorporava grande número de soldados Nguni e tropas mercenárias. Foi o fim da resistência primária armada contra a implantação do domínio colonial no território.
1922 – As Companhias cobravam um imposto de 10$00 (dez escudos) por pessoa e por ano; entregavam ao estado 8$80 (oito escudos e oitenta centavos).
1923 – O Governo do Distrito de Quelimane emite um decreto que proíbe o costume do uso de argolas e anilhas nas pernas como ornamento.
Roteiro dos caminhos difíceis
Saída de Quelimane às 6h 30, com a cidade já bem movimentada, as bicicletas circulam ligeiras, percorremos as rectas planíssimas entre os palmares e os terrenos inundáveis, passamos a lixeira, a quinta das vacas, a antiga fábrica de tijolo, até Nicoadala. Entramos em velocidade lenta passando o controlo da PT, atravessamos a zona do mercado cheia de gente. Deixamos à esquerda a estrada nacional 1 para o Zambeze, iniciando o ligeiro ondular da baixa Zambézia, rio após rio, vemos os artesãos das caixas de madeira, passamos Namacurra, subimos pouco a pouco, até avistar os primeiros montes, rochosos, a Norte. Chegamos então à poeirenta “Cidade” de Mocuba, um dia suposta capital de Moçambique, para tomar café. Atravessamos a velha ponte do tempo dos colonos sobre o rio Licungo, entrando na Alta Zambézia. A partir daqui a estrada deixa de o ser, passando, alternadamente, a uma manta de buracos profundos ou a uma pista escalavrada e irregular, poeirenta e barulhenta; muitas bicicletas, muitos peões. Os camiões arrastam longas nuvens de pó vermelho. Passamos Mugema (desvio para Gilé à direita), Nampevo (desvio para Ilé e Gurué à esquerda), mais picos de rocha, imponentes, vão aparecendo. Está calor mas a cassete de música moçambicana tempera o ambiente. Chegamos à vila de Alto Molocue: é preciso re atestar de gasóleo, pelo sim pelo não, o nível do óleo está a meio, leva 1 litro; a compra de amendoins no mercado, pouco assados, grandes e saborosos, conclui os afazeres. Continuamos largando a Praça para a estrada principal, viramos á esquerda: a via está renovada, óptimo piso, vamos rápido chegando a Alto Ligonha (do Distrito de Gilé); a “Cabeça do Macaco” anuncia a passagem para a província de Nampula. Passamos Murrupula mas a estrada já esteve melhor, agora tem muitos buracos e fundos, o que leva a diminuir a velocidade. Chegamos à cidade de Nampula, marcando logo o quarto, antes de entrar no centro, na habitual residencial Recol. O restaurante é uma grande esplanada de vários níveis, lago central, comida moçambicana, portuguesa e outras, razoável e a preço normal. Foram 600 km em 9 horas. Prepara-se o começo da nova viagem de batida.
domingo, 7 de dezembro de 2008
Roteiro dos caminhos difíceis
Não havia pressa. São só 400 km e a estrada não está má até Pemba. Sacar cash no ATM em vista da escassez prevista de acesso no Norte. Descendo a Avenida Central, a feira espalha-se nos 4 passeios, á sombra das árvores: milhares de sapatos, roupa, artesanato, muita gente e cores. Mobiliário elegante, pau preto, cestaria, caixas, marfim. Não compramos nada. Saída de Nampula após atestar o tanque, boas rectas, bom piso, castanha de caju à venda, imponentes picos rochosos, até Namialo; viramos à esquerda (em frente continua para Nacala), directos a Norte; nas aldeias junto à estrada – processo local de urbanização - os artesões de esteiras, de uma certa palha bem parecida e macia, expõem os seus produtos; discutimos o preço e compramos 2; mais à frente, vendedores de frutos de Baobab (Ebondeiro), já com a polpa branca bem apresentada em sacos de plástico da mesma cor, montaram expositores. Os Baobabs, uns, apresentam grandes flores brancas; outras, oblongos frutos aveludados e escuros; as sementes, com sal, fazem bem à tosse. Perguntamos para que serve, como se faz, compramos seis frutos grandes, castanhos-escuros, pele de veludo. Mais estrada, está calor, passamos Nacaroa, bastantes buracos, Alua, Namapa e chegamos ao Rio Lúrio, que marca a fronteira entre as duas províncias, Nampula e Cabo Delgado. Continuamos até Chiure, deixando á direita um desvio em pista para as Quedas do Lúrio, local de concentração de praticantes de medicina tradicional e de espaço de tratamento. Finalmente chegamos a Metoro e viramos à direita, para Este, para Pemba, onde totalizamos 1.027 Km, só para começar a viagem. Aproveito logo para marcar 2 mergulhos no C. I. Divers para amanhã. A Residencial está cheia e vamos dormir nos bungalows do hotel mesmo em cima da praia.
sábado, 6 de dezembro de 2008
História da Zambézia 5
1836 – Proibição do Tráfico de Escravos pelas potenciais ocidentais. Sabemos que foi um negócio que continuou ainda durante muitos anos de forma intensa.
1858 – Dia 4 de Fevereiro, um diploma régio (do Rei de Portugal) cria o toponímico “Zambézia”.
1875 – Os camponeses (“colonos”) podem pagar o “mussoco” (imposto per capita), em géneros ou em trabalho. Assiste-se a uma emigração massiva dos produtores.
sexta-feira, 5 de dezembro de 2008
Roteiro dos caminhos difíceis
A marginal e a praia têm pouco movimento a esta hora. Algumas mulheres vendem amendoins na esquina da entrada para o mar. Em frente à residencial, a empresa de mergulho, aluga equipamento, dá cursos, apneia e pesca. Pertence a um sul africano. Saída às 10h 30min em barco de fibra com motor de 25 hp, durante cerca de 10 min para Sudeste, num grupo de 4, um casal americano e o monitor sul-africano. Mar calmo, céu bem azul e sol forte. O monitor fez o briefing do mergulho e pôs-me o americano como buddy; a moça era pouco experiente e necessitava fazer alguns exercícios no fundo de areia com ele. Mergulhamos por cima das Shallows, localizadas com o GPS, lentamente até uma profundidade confortável, os 10,7 m: fauna piscícola variada, de muitíssimas formas e cores, pequenos; começo a tirar fotografias, pensando que a pouca profundidade e a muita luz podem dar alguns bons resultados; também às estrelas-do-mar, anémonas, corais, de muitas outras formas e cores; entretanto, perdi o “buddy”, circulei 3min, subi lentamente à superfície onde cheguei com 51 min de mergulho. O barco estava a 100 m, veio ao meu encontro. O regresso foi soft. Uma salada de polvo na esplanada com uma cervejinha fresquinha, um café, estou pronto para outra. A segunda saída foi às 14h 30min, eu, o monitor e o piloto moçambicano, para um percurso Este de 15 min. À paragem na Wall, parede de coral que desce até aos 150 m, descemos até aos 18, rapidamente, sem fio. A Este, a escuridão azul ao lado da parede bem inclinada, dá uma ideia da profundidade do desnível. Muitos peixes miúdos de cores brilhantes e contrastadas, uma lagosta grande. Ouvem-se as baleias, ao longe na massa líquida, uivando sinfónica mente. Os corais tem também todas as formas e cores e albergam todo o tipo de bicharada colorida, peixes leão, alguns altamente alergénicos. A máxima é não deixar nada a não ser bolhas, não levar nada a não ser fotografias. Don’t toutch anything ! Circulamos bastante e subimos após 45 min; fiquei ainda com 100 bar no tanque, de tão tranquilo que andei. Encontramos os amigos com quem tivemos uma apetitosa conversa e o jantar na esplanada do bar da praia estava bem “nice” (peixe grelhado); fomos dormir na pacata Residencial Wimbi.
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Roteiro dos caminhos difíceis
Saímos de Pemba cedo, mas na aldeia logo a seguir, a polícia manda parar e mostra detector de velocidade, 68 km / h, seja 18 km acima do último sinal; 15 minutos para passar e pagar a multa de 1.000 meticais, continuamos ao sol; viragem à direita em Metuge, abandonando a estrada principal alcatroada, para chegar à entrada do Parque Nacional das Quirimbas; construção elevada em troncos e capim, homem fardado deitado por cima do portal; a pista está má, com piso ondulado fino e valas muitas e profundas obrigando a passar em segunda e diminuindo drasticamente a velocidade de cruzeiro. Em Mahate passamos pelo monumento Indígena e seguimos para Quissanga, onde apanha o barco quem quer ir para a Ilha do Ibo. A vila tinha pouca gente e os vários informadores todos garantiram que a pista para Mocojo estava intransitável há muitos anos; está no mapa, mas já não existe. Decepcionados por abandonar o litoral, voltamos para trás para apanhar o primeiro desvio à direita para Macomia e poupando uns 70 km de pista; que de facto também já não existia. No mapa sim, na realidade a floresta e os ribeiros tomaram conta. Obrigados a regressar a Mahate, viramos à direita para Dali, Bilibiza até Muaguide, saindo do parque nacional e passando à estrada de alcatrão muito razoável; subimos para Norte, contornando á nossa direita, o Parque, até Macomia. Entramos na vila bastante povoada. No cruzamento, mesmo à borda da estrada, uma pequena construção de blocos e cimento, pintada de amarelo, o “tak away” oferece biscoitos e latas, sandes variadas (!), outras comidas e bebidas frescas; o proprietário português informa que a pista para Mocojo está boa e se passa até Quiterajo (que vem indicado no mapa com alojamento, parque de campismo e possibilidade de mergulho). Voltamos a entrar no Parque Nacional, até Mucojo, 45 Km de pista renovada, areia vermelha, larga e boa. Chegamos à vila já de noite e viramos à esquerda para mais 38 Km até Quiterajo; a pista é difícil, com muita areia, terreno duro e com corgas, muitas curvas, mato denso e apertado, pontes e muita bosta de elefante, mais e menos fresca. Estamos já fora do Parque Nacional das Quirimbas. Muito contentes de chegar a Quiterajo, deparamos com uma única pessoa; o próprio guarda do Parque de Campismo, que só funciona durante o dia e mediante aviso da sede em Pemba. Outro alojamento não há, mergulho nem pensar, e onde comer, só amanhã. O Guarda procura informar-se sobre os nossos objectivos: queríamos subir junto à costa. Mas para Mocimboa da Praia não se passa, há vários anos que a pista está intransitável. Convida-nos a parquear nas suas instalações, indicando o caminho para a entrada na vedação singela e estacionamos debaixo da mangueira. Diz-nos que vai informar o Chefe de Posto que chegaram dois visitantes enganados, um casal, que ficarão esta noite para amanhã retomar caminho. Preparamos o acampamento inside Surf, comemos bolachas, amendoim, caju e bananas, água e sumo de maracujá. O guarda regressou e ligou a música. A noite é bela e as estrelas incontáveis.
Roteiro dos caminhos difíceis
Saímos de Pemba cedo, mas na aldeia logo a seguir, a polícia manda parar e mostra detector de velocidade, 68 km / h, seja 18 km acima do último sinal; 15 minutos para passar e pagar a multa de 1.000 meticais, continuamos ao sol; viragem à direita em Metuge, abandonando a estrada principal alcatroada, para chegar à entrada do Parque Nacional das Quirimbas; construção elevada em troncos e capim, homem fardado deitado por cima do portal; a pista está má, com piso ondulado fino e valas muitas e profundas obrigando a passar em segunda e diminuindo drasticamente a velocidade de cruzeiro. Em Mahate passamos pelo monumento Indígena e seguimos para Quissanga, onde apanha o barco quem quer ir para a Ilha do Ibo. A vila tinha pouca gente e os vários informadores todos garantiram que a pista para Mocojo estava intransitável há muitos anos; está no mapa, mas já não existe. Decepcionados por abandonar o litoral, voltamos para trás para apanhar o primeiro desvio à direita para Macomia e poupando uns 70 km de pista; que de facto também já não existia. No mapa sim, na realidade a floresta e os ribeiros tomaram conta. Obrigados a regressar a Mahate, viramos à direita para Dali, Bilibiza até Muaguide, saindo do parque nacional e passando à estrada de alcatrão muito razoável; subimos para Norte, contornando á nossa direita, o Parque, até Macomia. Entramos na vila bastante povoada. No cruzamento, mesmo à borda da estrada, uma pequena construção de blocos e cimento, pintada de amarelo, o “tak away” oferece biscoitos e latas, sandes variadas (!), outras comidas e bebidas frescas; o proprietário português informa que a pista para Mocojo está boa e se passa até Quiterajo (que vem indicado no mapa com alojamento, parque de campismo e possibilidade de mergulho). Voltamos a entrar no Parque Nacional, até Mucojo, 45 Km de pista renovada, areia vermelha, larga e boa. Chegamos à vila já de noite e viramos à esquerda para mais 38 Km até Quiterajo; a pista é difícil, com muita areia, terreno duro e com corgas, muitas curvas, mato denso e apertado, pontes e muita bosta de elefante, mais e menos fresca. Estamos já fora do Parque Nacional das Quirimbas. Muito contentes de chegar a Quiterajo, deparamos com uma única pessoa; o próprio guarda do Parque de Campismo, que só funciona durante o dia e mediante aviso da sede em Pemba. Outro alojamento não há, mergulho nem pensar, e onde comer, só amanhã. O Guarda procura informar-se sobre os nossos objectivos: queríamos subir junto à costa. Mas para Mocimboa da Praia não se passa, há vários anos que a pista está intransitável. Convida-nos a parquear nas suas instalações, indicando o caminho para a entrada na vedação singela e estacionamos debaixo da mangueira. Diz-nos que vai informar o Chefe de Posto que chegaram dois visitantes enganados, um casal, que ficarão esta noite para amanhã retomar caminho. Preparamos o acampamento inside Surf, comemos bolachas, amendoim, caju e bananas, água e sumo de maracujá. O guarda regressou e ligou a música. A noite é bela e as estrelas incontáveis.
domingo, 30 de novembro de 2008
Roteiro dos caminhos difíceis
A noite foi tranquila, em cima das esteiras, apenas interrompida por algumas gotas de chuva nos dedos dos pés. O sol apareceu às cinco e meia por entre poucas nuvens. Havia água para beber, bolachas, amendoins e castanha de caju. Enrolamos as esteiras, embalámos o acampamento rapidamente, agradecemos a hospitalidade e iniciámos cedo na pista. Quiterajo estava tão calmo como o paraíso e a pista desafiava a condutora. O Índico, não longe, á esquerda. Até Mucojo, muita areia solta e funda, arenitos duros escavados, inclinados, mato cerrado roçando com estrondo, curvas apertadas, subidas e descidas, pontes e aldeias tranquilas. As crianças saúdam. Por todo o lado, bosta de Elefante. Ás vezes aparecem os macacos. Antes de virar à direita para Macomia, avista-se a Ilha das Rolas e a Ponta Pangane (a 11 Km). A pista para Macomia, atravessa o Parque Nacional das Quirimbas e foi reabilitada recentemente, bem larga e bastante lisa, fazemos facilmente 80 Km / h. Em Macomia, á esquerda no cruzamento principal, visitamos o “Tak Way” do português, para um sumo, uma sandes e um café. Pausa indispensável antes de nos fazer-mos a Chai mais a Norte – local do 1º tiro da guerra de independência, em direcção a Mocimboa da Praia. A estrada aqui está péssima, cheia de buracos fundos, tem que se ir com cuidado e devagar. Entra-se em Mocimboa numa avenida de 4 faixas, Vila principal da região, sede de distrito, tem gasolina, multibanco, 3 bares e 4 sítios para comer, ruas largas, casas de estilo com jardins grandes, árvores imponentes e um porto de pesca muito movimentado. Depois de visitarmos o hotel da Nancy, que estava cheio (4 quartos), ficamos no Complexo Turístico na marginal por cima da praia. Aqui fala-se Ki-mwani, aparentado ao Ki-swahili, e com variantes locais com Maconde, Makwa e também Lomwe. Mwani quer dizer gente da costa e Ki-mwani a sua língua. Os curandeiros chamam-se Fundi, os feiticeiros, N’sauoi e fazem Mava (feitiço). A ideia era visitar a ilha de Tambuzi, mas o próximo barco partirá só na sexta-feira à noite. Optamos por Muichamga, directamente a oeste, mais próxima de Mocimboa. Partida marcada para as seis da manhã.
Ba ka makaesu (até amanhã).
domingo, 23 de novembro de 2008
História da Zambézia
Em 1817 os portugueses criam o Distrito de Quelimane. Entretanto estava em curso, de forma difusa, a transferência dos trabalhadores rurais para as minas de ouro, a emigração para as colónias britânicas e alemã.
Em 1825, o chefe Makwa-Lomwe tinha uma das suas maiores fontes de prestígio e poder simbólico nos resultados do comércio de marfim.
Em 1832, a Coroa Portuguesa extingue os Prazos. Em 1835, a invasão dos Nguni, mais a Norte e na mesma altura também dos Yao, dá origem a novos estados militares, onde o culto dos antepassados e as práticas religiosas se misturaram com a islamização, e a caça ao escravo era uma actividade principal. Os Muzungos dominavam.
Roteiro dos caminhos difíceis
9 de Outubro de 2008, Quinta-feira
Levantámo-nos às 5 horas para tomar o mata-bicho preparado pela goesa obesa na sua cama de cozinha. Demorou, como habitual, mas cumpriu a sua função. A equipa já estava no local, apresentou-se o capitão e foi tratar dos preparativos. A praia de Mocimboa tinha já algum movimento, mulheres pescavam á rede na água pouco funda, o barco reclinava-se na areia. Para iniciar a viajem de dhow, vários homens vieram ajudar a empurrar, arrastando o barco na areia em água pouco profunda. Depois foi içar a vela, que contrariando o vento de nordeste, nos puxou silenciosamente, á bolina, em direcção à ilha Muichanga. Lentamente saímos da baía, a Sul avistamos a ilha de Nhunje, a sudeste a ilha de Tambuzi, a Norte Micungo. Após 3 h mudamos a vela e fazemos direcção a Norte, ultrapassando largamente Muichanga. Voltamos a mudar a vela e orientamos a sudeste, avistando a ilha de Yussune e o rochedo. Acostamos na praia da enseada oeste de Muichanga após 4 horas e meia de vela. O povo vem ver os brancos. Com fome e sede, desafiamos o sol violento, comemos umas bolachas com polvo logo ali na areia da praia. A água está morna mas sabe bem. Aqui o mar convida mas a visibilidade sub aquática não é a melhor e o fundo de areia fazem com que a caça em apneia seja medíocre; optamos por um passeio a pé ao longo da praia, visitamos as ruínas de casas dos portugueses na sombra das casuarinas, saudamos o casal de namorados, mulher com muciro, deparamos com o lago interior, verde, escavado na rocha e pouco profundo, de água salgada. O calor aperta, o sol escalda, mas parece que as cobras só saem à noite. Regressamos pelo carreiro interior, atravessamos a aldeia calma, talvez com 300 pessoas. O banho recompensa o esforço e os marinheiros desencaminham as garotas. O que dizem, amurimaia (não se sabe). O dhow chama-se Mungano ni bora (trabalhar juntos é bom) e a tripulação prepara-se para o regresso. Saímos para Mocimboa com mais 4 passageiros, 1 homem, 2 mulheres, 1 lactente. Com vento de feição, o barco galga as ondas em direcção à costa e em 2 horas e meia estamos em Mocimboa.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Roteiro dos caminhos difíceis
Saímos do Complexo Turístico na marginal de Mocimboa da Praia não muito cedo, para ir levantar cash no ATM e dirigimo-nos a Norte, em direcção a Palma; 80 km de pista bem boa, vermelha, larga e lisa, em 1 h e 30 min. Igreja branca e estilizada à entrada, damos uma volta á vila, descemos a Palma Praia, procuramos a pensão; era o local de contacto para o caçador. Na pensão única, que de facto já tínhamos passado mesmo á entrada, perguntamos pelo caçador. Mandam-nos à casa junto à Igreja. O segurança liga por rádio para o acampamento e informa, em linguagem pitoresca, que há 2 visitantes para o Chefe caçador. Há-de vir. Vamos dar uma volta á praia, passando pelo bairro de palhotas mais em baixo e separado da vila de cimento por um desnível de 10 m. A população é aqui mais muçulmana, sem dúvida, enquanto na vila alta, construções portuguesas de pedra e cimento, um centro de saúde ainda em acabamentos finais, avenidas e praças de árvores enormes, nota-se menos a influência árabe. Nos postes do antigo porto, pássaros castanhos de bico preto rectangular alinham perfeitos, contrastando com as aves brancas e pretas de bico vermelho que passeiam na areia. As mulheres nas soleiras das casas tecem as esteiras coloridas típicas da zona. Regressamos á Pensão e pouco depois, o land cruiser aparece com o caçador, 1 motorista e 1 pisteiro; depois de uma breve introdução, o caçador convida-nos a um passeio no mato. Vamos pela pista limpa mas com muita areia, lentamente, apanhando o vento fresco e encontramos macacos, facoceros (parecidos com javalis), uma cabrita do mato (tem nome difícil que não decorei), vários coelhos e aves variadas, como o peru e a galinha do mato, os pombos e pardais verdes, pássaros vermelhos e azuis. Neste litoral de Cabo Delgado fala-se Makwé (dialecto que mistura Makwa, Maconde, Swaili, Árabe), os curandeiros são os Fundi, os feiticeiros os Nhawi. Paramos numa aldeia junto á praia, na costa a norte de Palma, para ir ver a ruína da velha mesquita. Um bando de 20 crianças forma-se rápida e espontaneamente como turma de guias, com muitos risos, correrias, palavras em várias línguas, e conduz-nos no trilho através do mato denso; os macacos sobem nas árvores, e a ruína aparece á esquerda, em pedra cinzenta, paredes grossas, nicho orientado a Meca; dizem não haver muitas cobras; indicam-nos outro trilho que penetra na floresta mais densa, escuro, com muitas trepadeiras, para chegar a outra ruína; hesitamos, decidimos não arriscar; tiramos fotografias do grupo, passamos a outro local com enormes pedras, aparentemente ali colocadas pelos homens, mesmo á beira do mangal. A miudagem está bem disposta e comunicativa. O sol vai fugindo atrás do continente e a água azul calmo do Índico, de morna que está, sabe maravilha. Regressamos à vila para um peixe bem fresco e melhor assado.
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
Roteiro dos caminhos difíceis
Saímos pelas 7 h da Pensão em Palma, na entrada á esquerda da Igreja, em pista regular, bastantes curvas e areia, direcção noroeste, para a Tanzânia. Não se vêem mais palhotas, não se vê uma única bicicleta, não há mais pessoas. Após 50 km no Land Cruiser modificado, começamos a avistar vários lagos, em pequenas planícies de erva alta e verde, mais em baixo; viramos para Este e mais a norte avistamos um traço de areia amarela, assinalando o limite fronteiriço, mais à frente já visível, o Rio Rovuma, bem azul. As áreas de floresta são aqui mais densas, contrastando com zonas planas de erva verde salpicada de grandes pássaros brancos; o caçador pede ao pisteiro e prepara a arma; circulamos na crista do planalto sobre a planície dos lagos, paramos e observamos o horizonte com os binóculos: ao longe, o rio e o areal marcam a fronteira da Tanzânia; á direita, o Índico muito azul. Mais à frente descemos ao vale, deparamos com outro lago, subitamente avistamos um elefante, negro, enorme, calmamente a abanar a tromba junto á água, do outro lado do lago; um grupo de 5 adultos e 2 crianças estava sentado perto da pista, á sombra, a observar o animal e à nossa passagem gritam “elefante, elefante!” apontando para o bicho; contornamos o vale, passamos o ribeiro para o outro lado e paramos o carro. Silenciosamente descemos o monte a pé até ao lago, viramos à direita ao encontro do maior mamífero em terra. Paramos a cerca de 50 m, escondidos pelo mato, na retaguarda do paquiderme: imponente, abala de vez em quando as orelhas; como o vento vem do mar não consegue cheirar-nos; tiramos algumas fotografias; pouco a pouco o animal vai se virando, talvez por ter ouvido algum som estranho, deparando com o nosso pequeno grupo (5). Elefante solitário, velho, com presas de 1 m 20 cm, impõe logo todo o respeito. O caçador recomenda uma retirada discreta e rapidamente tranquila para o mato e para o monte. Subimos ao carro em silêncio; esperamos o tempo suficiente para que o animal, ao sair do lago, possa atravessar a pista sem nos encontrar. Mais à frente na borda da pista o caçador ensina a reconhecer um arbusto local, o Gonozororo, de casca parecida com o sobreiro da cortiça, que tem uma raiz com propriedades estimulantes sexuais, para os homens. O pisteiro recolhe algumas raízes após desenterra-las com a catana. Andamos mais um pouco e a carabina é desarmada. Chegamos logo a seguir a Mwambo, o posto de fronteira; algumas palhotas, 2 casas de alvenaria, 3 carrinhas, algum povo. Seguimos para Sul até Quionga, pequena aldeia toda em palhotas e com muita gente, ainda longe do mar. Aproximando-nos da costa chegamos a Palma. Descemos a Palma Praia e tentamos negociar um dhow para a ilha. Proposta pouco convincente, giramos pela praia, reparamos nos pássaros pousados em linha em cima dos postes do antigo cais, castanhos-escuros, brilhantes, de bico negro rectangular, um banho; a maré está vazia e é necessário andar mais de 500 m para ter água pela cintura. 3 Velas recortam-se na baia, os dhows estão a entrar. As palmeiras verdes em cima da linha branca de areia do cabo a sul, separam o azul-turquesa da água do azul vivo do céu.
domingo, 9 de novembro de 2008
Roteiro dos caminhos difíceis
Saímos de Palma com o Caçador, em direcção ao farol de Cabo Delgado, para uma saída exploratória de caça submarina. O percurso faz-se bem no Toyota aberto com banco elevado, bem arejado, há que concentrar e desviar dos ramos do mato; após 10 km de pista de areia com alguns trechos profundos e irregulares, desvios, muita maçala, a maior parte ainda verde (só cresce onde existem elefantes), galinhas do mato e pombos verdes, viramos à esquerda; 500m e entramos numa floresta galeria, de mangueiras gigantescas, árvores enormes, o Jardim das Mambas Verdes: atravessamos um túnel escuro e sinuoso, fresco e vibrante. Tomamos a primeira pista à direita depois da floresta totalizando mais 2 km: e chegamos a uma praia, a norte de Cabo Delgado, Mbuize. A maré está vazia e o carro chega perto da água. Equipamento ok e está a mergulhar na água turquesa, espingarda, bóia e anel; sobre o fundo de areia com erva verde aparecem os maciços rochosos, os corais e outra fauna; o peixe é miúdo, variado, colorido, pouco a pouco mais abundante; vêem-se muitas estrelas e apareceu também uma espécie de cobra; vi uma moreia e disparei; nada; aparece um mexilhão gigante (25 cm!); finalmente aparece um peixe um pouco maior (30 cm?), disparo, passa por cima; aparecem mais 5 idênticos, grandes, mas desviam rapidamente sem me dar tempo para armar. Após 2 h de apneia e caça 0, equipamento a secar, o caçador examina a arma e explica como está mal calibrada levantando o tiro; era a primeira vez que estava a ser utilizada. Regressamos à pensão em Palma com boas fotografias.
sábado, 8 de novembro de 2008
Roteiro dos caminhos difíceis
Saímos de Palma no Surf azul pela pista principal, boa mas com muita areia, em direcção á fronteira (Quionga); as palhotas sucedem-se dispersas, algumas crianças, raras bicicletas; virámos à direita a cerca de 19 km, existindo mesmo uma placa indicativa, o que é de facto muito raro neste país e nestas andanças, talvez ainda mais na Zambézia (…hábitos). Fazemos cerca de 10 km de pista de areia, por vezes profunda e sinuosa, em savana aberta, com muita massala, facoceros, galinhas do mato e pombos verdes, em direcção a Oriente, para o litoral. Pouco a pouco eleva-se e começa a aparecer a rocha no chão, cinzenta e cheia de buracos, dura e cortante; rochas longamente trabalhadas pelo mar; é perigoso sair do trilho, é fácil cortar um pneu; percorremos ainda, quase em linha recta, lentamente, com alguns degraus mais escarpados, 5 km desde o limite do continente, envolvidos de mato baixo e muito denso, para chegar ao Farol de Cabo Delgado. Avistamos primeiro os coqueiros e as casuarinas. Subitamente o traço branco, esguio e brilhante á luz do sol, eleva-se do verde espesso do mato cortando o azul do céu. Assim que paramos o carro perguntamos pelo responsável e o Faroleiro prontifica-se a conduzir-nos ao topo deste elegante monumento, visível mesmo de Palma. Após 170 degraus e 36m de altura, a paisagem é geográfica: a Oeste o cabo destaca-se rectângulo perfeito desde o continente; a Norte e a Sul, as costas de areias brancas, vegetação bem verde, o céu azul sem nuvens, o mar verde azul; a Este, o limite do recife na maré baixa, o Índico azul. O Faroleiro diz-nos que por vezes os elefantes vêm até ali, durante a noite. Ao lado de 3 casas brancas arruinadas (uma delas serve de residência ao faroleiro, natural de Pemba), existe uma pequena aldeia de pescadores. Boa tarde ou Salamalecum, tanto faz, passamos e vamos tomar um banho um pouco mais longe. Os pássaros marinhos, brancos e pretos, fazem voos baixos rasando a espuma das ondas. Trazem lagosta, compramos 3; tínhamos bom pão, limões – almoçamos sandes de lagosta, muito boa. Uma garrafa de água. Uma mulher tece a fita para uma esteira local. Regressamos pela pista rochosa, único caminho, virando para Quiwa, aldeia mesmo a sul de Cabo Delgado, no canto com o continente a 2 km á esquerda da pista principal; na praia estão barcos e alguns pescadores; entramos pela rua principal e manobramos para paragem á sombra; perguntamos pelas esteiras de cor; a gente junta-se, a miudagem farta-se de rir, as mulheres começam a mostrar as peças, um homem também. Negociamos e compramos duas, 200 meticais cada. Voltamos à pista principal e voltamos a sair, 1 km mais à frente, à direita para a praia de Mbuize; fica de facto antes do desvio para Quiwa para quem vem do continente, a cerca de 10 km da pista principal, á esquerda; após 500m atravessa-se a floresta galeria “Jardim das Mambas Verdes”, 100m após a saída do túnel verde, primeira à direita, 500m: praia deserta, areia branca, água verde turquesa azul, túmulo muçulmano, um embondeiro poderoso; existe também um pré-fabricado (!), 3 palhotas, onde habita uma família com muitas crianças. Distribuímos papel e canetas de cores, tomamos um banho, descansamos ao vento do mar, retemperamos. No regresso a Palma, é preciso meter a tracção que a areia aperta. Nada de grave. O azul porta-se bem e a musica Makwa anima.
Música de festa
História
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
História
terça-feira, 4 de novembro de 2008
Roteiro dos caminhos difíceis
O sol estava escondido pelas nuvens. O pequeno-almoço foi frugal e o Caçador chegou com o pisteiro que deveria viajar até ao Sul – para Maputo, com saudades da família. Saímos às 6 h 30 min de Palma, pela pista vermelha em bom estado, descendo um desnível de placa de arenito, em boa velocidade até Mocimboa da Praia. Paragem obrigatória para Café. A precocidade da saída não permitiu mata-bicho eficaz na Pensão, há que completar. Atestar, imediatamente, o depósito. Desta vez, o ATM não faz falta. Estrada principal, alcatroada, longas rectas, aldeias, vai subindo ligeiramente, até avistar o planalto. Traço amarelo avermelhado delimita no alto o horizonte de escarpa a oeste. A subida acentua-se, a perspectiva altera-se, estamos a chegar a Mueda. Vila com bastante gente, mercado bem abastecido. Íamos à procura dos artesãos do pau-preto; muito difícil, não há placas, a expressão em português é singular; após várias tentativas, um velhote leva-nos até um artesão com uma escultura de multidão humana em torre hiper realista com 2 m de altura; pediu 7.000 Meticais, respondi que não cabia no carro. Fomos com o mesmo senhor a outra palhota, perto da estrada. Na zona do bambu amarelo. Apareceram 2 monstros surrealistas, 2 figuras humanas estilizadas e esbeltas, um homem e uma mulher, 1 busto de guerreiro; aqui fala-se Maconde; curandeiro diz-se Mutela, feiticeiro diz-se Muavi. A vila está animada e o mercado é o lugar mais movimentado. O músico tradicional Maconde na moda é o Chibunga. Compro 2 cassetes de um grupo de artistas locais, que cantam em Maconde e em Português. Voltamos à pista de areia, agora na rota da guerra de libertação e independência. Monumentos aos heróis, vários, muito coloridos e naif, Eduardo Mondlane, a aldeia do primeiro quartel da resistência armada, avenidas de buganvílias roxas, até Muidumbe. Á direita, para Sul, o alcatrão está razoável, até Chai – local onde foi dado o 1º tiro da Guerra de Independência. Compramos uma capulana diferente. Seguimos ligeiros para Macomia: paragem no bar do português, 1 sumo, 1 sandes, 1 café, comprar água fresca e vamos embora. Em Muaguide re entramos no Parque Nacional das Quirimbas, em Sunate deixamos o nosso amigo pisteiro que continuará para Nampula, viramos à esquerda para o litoral e chegamos a Pemba com 750 km. Marco logo 2 mergulhos no C.I. Divers para amanhã.
sábado, 25 de outubro de 2008
Roteiro dos caminhos difíceis
Pemba, a capital de Cabo Delgado, é uma pequena cidade com aeroporto de algum movimento internacional, posição estratégica no topo norte do cabo que desenha uma bela baía. O porto, movimenta barcos comerciais e de pesca; algumas ruas e avenidas bem planeadas, a sede do Parque Nacional das Quiribas, as lojas dos indianos, o Internet café, vários restaurantes, muitos embondeiros, os bairros de coberturas de zinco, a praia wimbi, o mar azul. Tem ao lado do casino uma empresa de mergulho.
Saída às 9h, só com o monitor e o piloto moçambicano dirigindo o seu 25 hp, direcção Sudeste durante 20 min, para chegar a Finger Shallows. Descemos muito rápido aos 27,7 m, numa zona de corais arbóreos planos, grandes, bem redondos, roxos, castanhos e verdes. Aparece uma holutúria, muitas estrelas-do-mar de 3 tipos e cores diferentes, cardumes de muitas espécies, pequenos e muito coloridos. Subimos aos 50 min e acabei com metade da garrafa. Comme d’habitude, petisco na esplanada do hotel. A segunda saída foi às 13h, 10 min no barco de fibra para Este até chegar por cima dos Twin Peaks. Descemos até aos 26 m, em paisagem de corais arbóreos de tamanho médio, brancos e muito ramificados. Contornamos o primeiro pico e aparece uma holutúria gigante, várias cobras espalmadas, listadas e minúsculas; percorremos a planície de areia que separa as duas formações em cerca de 50 m, o monitor mostra uma pequena solha deitada na areia, com uma espécie de insecto allien na areia por baixo. Subimos progressivamente, chegando á superfície após 45 min. Regressamos ligeiros ao vento fresco do Índico até à praia. Lavar todo o equipamento em água doce, preencher o log book. Era noite de lua cheia. O jantar estava muito bom, o serão melhor, a companhia óptima. Repousamos no Complexo Turístico Nautilus.
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Roteiro dos caminhos difíceis
Depois do pequeno-almoço em Pemba, fazemos 10 km de alcatrão e saímos à esquerda, entrando na pista razoável, durante 45 Km, o Índico sempre à esquerda até Mecufi; existem nesta zona várias cooperativas de cesteiros; visitamos uma com 54 membros e 23 anos de existência; fazem cestos, caixas, bolsas, simples ou ligeiramente decoradas com uma cor (castanho, roxo, azul). Saímos da vila à direita, a pista vai piorando; atravessamos, graças à época seca, o rio Megaruma; não se vê ninguém, o mato está seco e aperta a via, o solo endurece; paramos para beber, comer umas bolachas e uma lata de lulas; continuamos subindo a margem norte do Rio Lúrio. O terreno torna-se acidentado e começam a surgir subidas e descidas muito íngremes, durante 100 Km até Tacuaira em pista péssima, inclinações fortes, rochas altas e muita pedra solta, velocidade média 35 Km / h. Começam a surgir pequenas aldeia, Auraga, 1.440 pessoas, Napoloé, 586 habitantes, apresentando uma placa á saída (ou seja na entrada), dizendo “Venha mais vezes”. Passamos em Mazedé, sede de posto administrativo. A pista melhorou. Ao deixarmos à esquerda a pista para Ocua, atravessamos um pequeno rio e vemos os sinais dos Médicos Tradicionais á esquerda na rocha escarpada da margem do rio: vários lenços brancos pendurados espalhados no quadro; Maririne fica perto; em Makwa, curandeiro diz-se Kunucana, feiticeiro, Mukwiri, como em Etxwabo. Continuamos até Chiure onde apanhamos a nacional para Sul. Atravessamos o Rio Lúrio, fronteira entre as províncias de Cabo Delgado e Nampula, paramos em Nacaroa para uma água fresca. Seguimos logo para Namialo onde paramos num mercado iluminado com dezenas de velas num ambiente inusitado. Nampula já não está longe: jantar indiano e dormida no Hotel Milénio. Não servem álcool, mas oferece-se o empregado para ir buscar. Pedimos 2 pequenas claras e frescas.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Roteiro dos caminhos difíceis
O pequeno-almoço é razoável e Nampula às 8 h da manhã está movimentada; aproveitamos para shoping nos monhés e no shopright, depois de abastecer no ATM e na bomba petrogal; o óleo está bom e água não faz falta. Iniciamos a rota Sudoeste ligeiros até Alto Molocué: nunca dispensa a compra, agora mesmo no cruzamento da entrada da vila com a estrada principal, do grande e óptimo amendoim; a miúda pediu 2 meticais por medida, eu contei 50 e dei-lhe 100; um homem exaltou-se a dizer que estava a roubar, o preço era 1; acalmei-o e disse-lhe que era uma ajuda para a moça, tão pequenina, a trabalhar. Paisagem magnífica, floresta, picos rochosos e montes corpulentos, muitas queimadas. Alguns bons km de piso de alcatrão para andar rápido, depois os desvios de pista, vermelhos, poeirentos, fechar as janelas quando se cruza qualquer veículo. Algumas Sumaúmas estão em fruto; muitos buracos e pista vibrante, no cruzamento de Nampevo não há fruta a vender, no cruzamento de Mugeba já não há artesanato. Passamos o Rio Licungo deixando a Alta Zambézia para chegar a Mocuba. Paragem habitual para água e café. O Omar não está, foi para o escritório em Quelimane. Seguimos para Namacurra acompanhados pelo pôr-do-sol e chegamos a Nicoadala já de noite – anoitece cedo aqui. Mais um pouco e chegamos a casa, na pacata cidade de Quelimane; hoje foram 600 km em 9 horas. No total, de Quelimane ao Rovuma, percorremos 3.330 Km. Sem problema.