15 de Outubro de 2008, quarta-feira
Pemba, a capital de Cabo Delgado, é uma pequena cidade com aeroporto de algum movimento internacional, posição estratégica no topo norte do cabo que desenha uma bela baía. O porto, movimenta barcos comerciais e de pesca; algumas ruas e avenidas bem planeadas, a sede do Parque Nacional das Quiribas, as lojas dos indianos, o Internet café, vários restaurantes, muitos embondeiros, os bairros de coberturas de zinco, a praia wimbi, o mar azul. Tem ao lado do casino uma empresa de mergulho.
Saída às 9h, só com o monitor e o piloto moçambicano dirigindo o seu 25 hp, direcção Sudeste durante 20 min, para chegar a Finger Shallows. Descemos muito rápido aos 27,7 m, numa zona de corais arbóreos planos, grandes, bem redondos, roxos, castanhos e verdes. Aparece uma holutúria, muitas estrelas-do-mar de 3 tipos e cores diferentes, cardumes de muitas espécies, pequenos e muito coloridos. Subimos aos 50 min e acabei com metade da garrafa. Comme d’habitude, petisco na esplanada do hotel. A segunda saída foi às 13h, 10 min no barco de fibra para Este até chegar por cima dos Twin Peaks. Descemos até aos 26 m, em paisagem de corais arbóreos de tamanho médio, brancos e muito ramificados. Contornamos o primeiro pico e aparece uma holutúria gigante, várias cobras espalmadas, listadas e minúsculas; percorremos a planície de areia que separa as duas formações em cerca de 50 m, o monitor mostra uma pequena solha deitada na areia, com uma espécie de insecto allien na areia por baixo. Subimos progressivamente, chegando á superfície após 45 min. Regressamos ligeiros ao vento fresco do Índico até à praia. Lavar todo o equipamento em água doce, preencher o log book. Era noite de lua cheia. O jantar estava muito bom, o serão melhor, a companhia óptima. Repousamos no Complexo Turístico Nautilus.
sábado, 25 de outubro de 2008
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Roteiro dos caminhos difíceis
16 de Outubro de 2008, Quinta-feira
Depois do pequeno-almoço em Pemba, fazemos 10 km de alcatrão e saímos à esquerda, entrando na pista razoável, durante 45 Km, o Índico sempre à esquerda até Mecufi; existem nesta zona várias cooperativas de cesteiros; visitamos uma com 54 membros e 23 anos de existência; fazem cestos, caixas, bolsas, simples ou ligeiramente decoradas com uma cor (castanho, roxo, azul). Saímos da vila à direita, a pista vai piorando; atravessamos, graças à época seca, o rio Megaruma; não se vê ninguém, o mato está seco e aperta a via, o solo endurece; paramos para beber, comer umas bolachas e uma lata de lulas; continuamos subindo a margem norte do Rio Lúrio. O terreno torna-se acidentado e começam a surgir subidas e descidas muito íngremes, durante 100 Km até Tacuaira em pista péssima, inclinações fortes, rochas altas e muita pedra solta, velocidade média 35 Km / h. Começam a surgir pequenas aldeia, Auraga, 1.440 pessoas, Napoloé, 586 habitantes, apresentando uma placa á saída (ou seja na entrada), dizendo “Venha mais vezes”. Passamos em Mazedé, sede de posto administrativo. A pista melhorou. Ao deixarmos à esquerda a pista para Ocua, atravessamos um pequeno rio e vemos os sinais dos Médicos Tradicionais á esquerda na rocha escarpada da margem do rio: vários lenços brancos pendurados espalhados no quadro; Maririne fica perto; em Makwa, curandeiro diz-se Kunucana, feiticeiro, Mukwiri, como em Etxwabo. Continuamos até Chiure onde apanhamos a nacional para Sul. Atravessamos o Rio Lúrio, fronteira entre as províncias de Cabo Delgado e Nampula, paramos em Nacaroa para uma água fresca. Seguimos logo para Namialo onde paramos num mercado iluminado com dezenas de velas num ambiente inusitado. Nampula já não está longe: jantar indiano e dormida no Hotel Milénio. Não servem álcool, mas oferece-se o empregado para ir buscar. Pedimos 2 pequenas claras e frescas.
Depois do pequeno-almoço em Pemba, fazemos 10 km de alcatrão e saímos à esquerda, entrando na pista razoável, durante 45 Km, o Índico sempre à esquerda até Mecufi; existem nesta zona várias cooperativas de cesteiros; visitamos uma com 54 membros e 23 anos de existência; fazem cestos, caixas, bolsas, simples ou ligeiramente decoradas com uma cor (castanho, roxo, azul). Saímos da vila à direita, a pista vai piorando; atravessamos, graças à época seca, o rio Megaruma; não se vê ninguém, o mato está seco e aperta a via, o solo endurece; paramos para beber, comer umas bolachas e uma lata de lulas; continuamos subindo a margem norte do Rio Lúrio. O terreno torna-se acidentado e começam a surgir subidas e descidas muito íngremes, durante 100 Km até Tacuaira em pista péssima, inclinações fortes, rochas altas e muita pedra solta, velocidade média 35 Km / h. Começam a surgir pequenas aldeia, Auraga, 1.440 pessoas, Napoloé, 586 habitantes, apresentando uma placa á saída (ou seja na entrada), dizendo “Venha mais vezes”. Passamos em Mazedé, sede de posto administrativo. A pista melhorou. Ao deixarmos à esquerda a pista para Ocua, atravessamos um pequeno rio e vemos os sinais dos Médicos Tradicionais á esquerda na rocha escarpada da margem do rio: vários lenços brancos pendurados espalhados no quadro; Maririne fica perto; em Makwa, curandeiro diz-se Kunucana, feiticeiro, Mukwiri, como em Etxwabo. Continuamos até Chiure onde apanhamos a nacional para Sul. Atravessamos o Rio Lúrio, fronteira entre as províncias de Cabo Delgado e Nampula, paramos em Nacaroa para uma água fresca. Seguimos logo para Namialo onde paramos num mercado iluminado com dezenas de velas num ambiente inusitado. Nampula já não está longe: jantar indiano e dormida no Hotel Milénio. Não servem álcool, mas oferece-se o empregado para ir buscar. Pedimos 2 pequenas claras e frescas.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Roteiro dos caminhos difíceis
17 de Outubro de 2008, Sexta-feira
O pequeno-almoço é razoável e Nampula às 8 h da manhã está movimentada; aproveitamos para shoping nos monhés e no shopright, depois de abastecer no ATM e na bomba petrogal; o óleo está bom e água não faz falta. Iniciamos a rota Sudoeste ligeiros até Alto Molocué: nunca dispensa a compra, agora mesmo no cruzamento da entrada da vila com a estrada principal, do grande e óptimo amendoim; a miúda pediu 2 meticais por medida, eu contei 50 e dei-lhe 100; um homem exaltou-se a dizer que estava a roubar, o preço era 1; acalmei-o e disse-lhe que era uma ajuda para a moça, tão pequenina, a trabalhar. Paisagem magnífica, floresta, picos rochosos e montes corpulentos, muitas queimadas. Alguns bons km de piso de alcatrão para andar rápido, depois os desvios de pista, vermelhos, poeirentos, fechar as janelas quando se cruza qualquer veículo. Algumas Sumaúmas estão em fruto; muitos buracos e pista vibrante, no cruzamento de Nampevo não há fruta a vender, no cruzamento de Mugeba já não há artesanato. Passamos o Rio Licungo deixando a Alta Zambézia para chegar a Mocuba. Paragem habitual para água e café. O Omar não está, foi para o escritório em Quelimane. Seguimos para Namacurra acompanhados pelo pôr-do-sol e chegamos a Nicoadala já de noite – anoitece cedo aqui. Mais um pouco e chegamos a casa, na pacata cidade de Quelimane; hoje foram 600 km em 9 horas. No total, de Quelimane ao Rovuma, percorremos 3.330 Km. Sem problema.
O pequeno-almoço é razoável e Nampula às 8 h da manhã está movimentada; aproveitamos para shoping nos monhés e no shopright, depois de abastecer no ATM e na bomba petrogal; o óleo está bom e água não faz falta. Iniciamos a rota Sudoeste ligeiros até Alto Molocué: nunca dispensa a compra, agora mesmo no cruzamento da entrada da vila com a estrada principal, do grande e óptimo amendoim; a miúda pediu 2 meticais por medida, eu contei 50 e dei-lhe 100; um homem exaltou-se a dizer que estava a roubar, o preço era 1; acalmei-o e disse-lhe que era uma ajuda para a moça, tão pequenina, a trabalhar. Paisagem magnífica, floresta, picos rochosos e montes corpulentos, muitas queimadas. Alguns bons km de piso de alcatrão para andar rápido, depois os desvios de pista, vermelhos, poeirentos, fechar as janelas quando se cruza qualquer veículo. Algumas Sumaúmas estão em fruto; muitos buracos e pista vibrante, no cruzamento de Nampevo não há fruta a vender, no cruzamento de Mugeba já não há artesanato. Passamos o Rio Licungo deixando a Alta Zambézia para chegar a Mocuba. Paragem habitual para água e café. O Omar não está, foi para o escritório em Quelimane. Seguimos para Namacurra acompanhados pelo pôr-do-sol e chegamos a Nicoadala já de noite – anoitece cedo aqui. Mais um pouco e chegamos a casa, na pacata cidade de Quelimane; hoje foram 600 km em 9 horas. No total, de Quelimane ao Rovuma, percorremos 3.330 Km. Sem problema.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
História
No início da era, as migrações Bantu entraram na zona e deram origem aos grupos étnicos e linguisticos Lomwe e Makwa, que produziam tecidos de algodão em 1.100 DC. Entre 1.200 e 1.400 outras migrações do interior sul, Marave, deram origem aos primeiros estados. Os comerciantes árabes e indianos visitavam a zona e tinham criado os seus balcões comerciais. Em 1.530 os Portugueses entram pelo Rio Zambéze e em 1544 fundam Quelimane em Etxwabo, um povo, uma lingua, uma cidade.
Domingo
As aldeias sucedem-se na areia, entre os coqueiros, os mangais e as machambas de arroz. Por todo o lado as bancas dos comerciantes oferecem uma diversidade de utilidades e cores, concentradas nos mercados em capulanas, amendoin e mandioca, oficinas de bicicletas, som e muita gente. Subindo e descendo a duna antes da praia avista-se o mar. O vento tempera o sol e a areia da praia espalha-se lisa no horizonte. A corrente quente arrasta-se para norte. Os caranquejos abrem buracos. Pequenas garças brancas alinham na paliçada do curral de vacas. Ao longe, as velas dos pescadores recortam-se no azul. As crianças aproximam-se e dão mais do que recebem.
domingo, 28 de setembro de 2008
30 metros
Depois de um mergulho rápido obrigado pela forte corrente de superfície, a estabilização em profundidade abre um domínio sonoro ignorado, a conversa dos golfinhos e baleias...
Repetidamente, em vários tons, volumes e sonoridades, de várias direcções e distâncias, de cadências alternadas, a bicharada põe a escrita em dia...maneira de dizer.
Repetidamente, em vários tons, volumes e sonoridades, de várias direcções e distâncias, de cadências alternadas, a bicharada põe a escrita em dia...maneira de dizer.
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equinócio de Setembro,
Pouco antes das marés vivas
sábado, 20 de setembro de 2008
Baleias
O mar não estava demasiado agitado, o vento ondulava a massa azul espumada de branco, quando aparecerem os dois dorsos negros, longos, lisos e brilhantes, contrastando o movimento e a cor envolventes. Fazem pacífica e rápidamente um movimento circular lateral e aproximam-se da embarcação.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Vento
Esta é a época.
As palmeiras vibram ao vento, os cânticos, acompanhados dos batuques, vibram nos centros e nos céus. Celebra-se a vida e o calor humano, criam-se novos hinos, revêem-se as histórias tristes e felizes das mulheres e dos homens da Zambézia, dança-se, fala-se muito, velhos amigos, novos conhecidos, vêem-se estrelas cadentes verdes.
As palmeiras vibram ao vento, os cânticos, acompanhados dos batuques, vibram nos centros e nos céus. Celebra-se a vida e o calor humano, criam-se novos hinos, revêem-se as histórias tristes e felizes das mulheres e dos homens da Zambézia, dança-se, fala-se muito, velhos amigos, novos conhecidos, vêem-se estrelas cadentes verdes.
domingo, 17 de agosto de 2008
Savana
Tarde na noite de lua cheia, depois da cidade de cimento já no bairro de coqueiros, entramos no recinto fechado, 20 Mt por pessoa. Parece uma aldeia animada e a música alta embala a malta. O ambiente é festivo e os petiscos assam na brasa. A dança é sempre mexida, mais ou menos local, o movimento permanente, a cerveja é a preferida.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
Ancestralidade
Enquanto as mãos amassam e esmiuçam a farinha branca junto à terra ocre na base na nova construção, os nomes dos antepassado em lista interrompida pelo coro assistente ritmado e repetido, desfilam quase sem fim. Os batuqueiros instalam-se e afinam os ramos e as peles, as mulheres lançam o canto e o balanço da dança, a cerimónia cresce em som e movimento.
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Globalmente
Somos uma empresa de inserção social. A espécie humana, divertida das outras pela fala, ao longo dos milénios, tem projectado objectivos, planeado, escolhido metodologias, realizado operações, de inserção social. O animal resiste, apesar de tudo. Pelo instinto, pela incapacidade, pela deficiencia. Globalmente, a nossa empresa de inserção social, teve todo o sucesso - basta olhar para a evolução demográfica mundial. Estará o mundo animal derrotado ?
domingo, 3 de agosto de 2008
Licungo
Descemos da Cidade de Mocuba à borda do rio. As obras da ponte dominam o quadro e o movimento local revela-se continuado, na cadencia das canoas que chegam e que partem. 1 Metical é o custo da travessia. Árvores largas bem escavadas, transportam bens e pessoas, conduzidas por 1 remador e 1 ajudante. Encontros com hipopotamos são raros. Os de Lugela, apreciam os estranhos e despertam para o século. A Tantalite foi localizada.
quinta-feira, 24 de julho de 2008
da Selva
Os batuqueiros acendem o lume para aquecer as peles que vão afinando. Pouco a pouco, mãos vigorosas abatem-se compassadamente produzindo um ritmo profundo, de repente mais forte e mais rápido. O grito do macaco empoleirado na mangueira é estranho. O som da selva chegou ao jardim da casa na cidade.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Geomancia
Nesta época do ano, percorrer as pistas faz-nos deparar com uma produção agrícola notável, tudo manual. Á borda das aldeias, centenas de sacos brancos ou de cestos de volume acrescentado, acumulam-se em linhas bem organizadas à espera de serem carregados nos camiões dos comerciantes. Arroz, mandioca, milho, amendoin, feijão, laranja, já alguns ananases, carvão e lenha como sempre. A terra das mulheres mostra a sua fartura.
sábado, 12 de julho de 2008
Monte Namuli
Os povoadores Makwa - Lomwe registaram origem naquela formação geológica imponente (2.419m), dificilmente acessível.
O grupo do bairro, tudo gente nova, inspira-se na raíz da tradição e com ritmo firme expressa-se e transmite animada e eroticamente o sentir das gentes da Zambézia.
Preparamos o acontecimento e o local. Preparamos os bailarinos e bailarinas. Preparamos o público. O espaço desfaz-se na pressão inexistente do tempo.
O grupo de batuques, canto e dança de Quelimane fez uma intervenção bem de raíz, cativante, até inquietante, os convidados vinham da cidade e distritos, mesmo de quase todos os tipos e continentes, com dominancia das linguas locais...
Abria-se um novo espaço urbano, promotor do locus, valorização do direito à vida, exprimida, consecutiva, cooperativa e imaginativa.
O grupo do bairro, tudo gente nova, inspira-se na raíz da tradição e com ritmo firme expressa-se e transmite animada e eroticamente o sentir das gentes da Zambézia.
Preparamos o acontecimento e o local. Preparamos os bailarinos e bailarinas. Preparamos o público. O espaço desfaz-se na pressão inexistente do tempo.
O grupo de batuques, canto e dança de Quelimane fez uma intervenção bem de raíz, cativante, até inquietante, os convidados vinham da cidade e distritos, mesmo de quase todos os tipos e continentes, com dominancia das linguas locais...
Abria-se um novo espaço urbano, promotor do locus, valorização do direito à vida, exprimida, consecutiva, cooperativa e imaginativa.
domingo, 29 de junho de 2008
Zalala
Tons de verde variados distribuem-se pela veiga entre dunas, ainda com alguns dourados de arroz. O sol realça os brilhos e o vento do mar refresca-nos corpo e espírito. No céu azul passam calmamente as cegonhas pretas e as crianças brincam sem pressa. A floresta de casuarinas reflecte, propaga e abafa os sons, o do mar o mais forte. A praia lisa e muito extensa, define-se na rebentação do Índico, maré baixa ao longe. No horizonte, 9 velas assinalam a actividade principal.
domingo, 22 de junho de 2008
Ilha Miragem
Saímos ontem á procura de uma ilha que não existia. Em Musseliua, o armador muçulmano recolocou-nos da realidade e decidimos sair de Macuze de canoa para visitar Idugo, comunidade de 2.000 pessoas com 4 curandeiros habitando uma ilha fluvial onde se pesca, cultiva arroz e ...
Em Maroda, já mais perto de Mbaua, o palmar brilha organizado. Na linha de horizonte surge a este o mar, soprado e sonoro. Sente-se o calor do fim do Inverno e o mar transforma-se no estuário do rio Licungo, definido a negro e branco. A súbida das águas do mar nos últimos 50 anos revela-se no cemitério de coqueiros na praia, pista de obstaculos, fotografia de livro de geografia climatica. O chefe interpela-nos no mercado, são 7.800 habitantes e terá cerca de 20 médicos tradicionais. Os homens das canoas, cantam canções de amor e dizem que há muitos mais "mukwiris" que "ngangas".
Em Maroda, já mais perto de Mbaua, o palmar brilha organizado. Na linha de horizonte surge a este o mar, soprado e sonoro. Sente-se o calor do fim do Inverno e o mar transforma-se no estuário do rio Licungo, definido a negro e branco. A súbida das águas do mar nos últimos 50 anos revela-se no cemitério de coqueiros na praia, pista de obstaculos, fotografia de livro de geografia climatica. O chefe interpela-nos no mercado, são 7.800 habitantes e terá cerca de 20 médicos tradicionais. Os homens das canoas, cantam canções de amor e dizem que há muitos mais "mukwiris" que "ngangas".
quinta-feira, 12 de junho de 2008
Monumento
No Sábado subimos a Zambézia na vertical, dia explendido, 350 Km até Gurué. Domingo, depois dos abastecimentos básicos no mercado, fizemos-nos à serra: passámos as plantações de chá, subimos 500 m e deixamos o carro à guarda de um particular em Mouresse. O sol esquentava e a subida íngreme até ao primeiro colo desafiava a falta de treino. Belo planalto, 1.500 m de altitude, ligeiramente inclinado para leste, rodeado de pequenos grupos de palhotas, abre-se em avenida de eucaliptos. Chegando a uma pequena elevação deparamos a Norte com o Namuli, monolito liso e impressionante, rasgando os raios solares, imponente e desafiador. Abandonamos o caminho principal em Murabo e tomamos o atalho mais curto. Cruzamos um mercado, cheio de gente bem animada, música e aguardente de cana. No termo do planalto, tiramos sapatos e roupa para atravessar o Rio Malema, que passa calmo e gelado. Retomamos o caminho principal e revisitamos a avenida de eucaliptos. Quando chegamos à aldeia da rainha, Mogunha, 2.000 m, decorria a festa e o povo acorreu para ver os recém chegados. Acompanhada de vários homens, a Rainha conduz-nos à sua residência, onde ficaríamos instalados para a noite. Descansamos então após seis horas e meia de marcha moderada, iniciando as negociações sobre a cerimónia a realizar, logo de manhã cedo, para permitir a subida ao Monte Namuli. O céu bem estrelado, via láctea imensa, ursa maior e cruzeiro do sul, com a lua em quarto minguante, é rapidamente invadido do sul por nuvens espessas. Na casa de tijolo não cozido e cobertura de capim, o lume central garante calor e lágrimas. Lá fora o vento manifesta-se.
terça-feira, 10 de junho de 2008
Espírito da terra
O espírito da tera é um bom conselheiro, ajudando o homem na sua sobrevivência e desenvolvimento. Quando se sente incapaz, alia-se ao espírito do ar, da água ou do fogo para se tornar mais determinante. Mantém-se o principal.
domingo, 18 de maio de 2008
Medicina tradicional
O encontro com 27 médicos e parteiras tradicionais de Namacurra, iniciou-se com os cânticos e o ritual de boas vindas das 9 mulheres presentes. As doenças que curam são em número limitado mas variadas e existem diferentes grupos de praticantes. 26 utilizam além de partes diversas de plantas, árvores e arbustos, escarificações com lâminas. 5 protegem-se do sangue, 1 com luvas e 4 com sacos de plástico. Mostraram o seu interesse em ser formados e em colaborar como promotores de saúde nas suas comunidades.
terça-feira, 13 de maio de 2008
Mukwiri avirhimevi, mulugu munddimuwa
A feiticeira gosta de matar pessoas, mas deus é grande.
= grandes voos param baixo, cá se fazem cá se pagam.
= grandes voos param baixo, cá se fazem cá se pagam.
domingo, 11 de maio de 2008
Arrozais
Estendem-se a perder de vista, em planicies estreitas delineadas por elevações dunares povoadas de árvores. As espigas gordas de cereal meio maduro pendem auguriosas. Embora tenha chovido pouco, a água está por todo o lado. Verde malhado de amarelo acastanhado domina até ao horizonte. Em Chirimane evitamos enterrar-nos no matope e apanhamos a lancha, 2 remadores. O estuario esvazia-se pouco a pouco com a maré e o mangal respira ao sol quente. "Caranquejos" de uma só mandíbula, enorme, amarela, azul ou vermelha, deslocam-se rápidamente na vertente inclinada. Pacientemente dobramos as curvas e chegamos a Olinda. Aqui não há automóveis.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Africa Europa
O casamento do último Almosharif em Portugal, moçarabe de Alcafache bem conhecido, decorreu no local mesmo da implantação da torre da gávea da caravela de granito, no centro das terras lusas, terras dos donos da nação, consolidadando a velha aliança luso-galaica com uma brácara das antigas, conservadora das letras da fundação. A força da nação do Viriato, falando luso-galaico com os da Galécia e seguindo a mesma tradição, viria a beneficiar da engenharia africana na revolução agrícola, nas artes e na medicina. A presença musulmana liquefez-se nas termas, penetrando grande parte do território e continuando a dar os seus frutos.
Nossa Senhora dos Prazeres, tradição católica pagã, bem no âmbito dos milagres da Galecia, serviu de quadro exemplar. A banda de Ti Baldinho assumiu as honras da bravura lusa. A inovação tecnológica despertou evocações e sonhos de passado. A boa tradição celta, do javali assado no fim de todas as aventuras, marcou todos os convivas. Gente gira, da revolução, das alternativas, dos projectos, da cooperação e da construção. Longa vida aos noivos ! Longa vida às ideias, atitudes, comportamentos, pessoas, positivas.
Foi no passado dia 25 de Abril. Dia de Luta contra a Malária em Moçambique. Dia em que Portugal celebra a construção e a destruição da utopia democratica. Celebraremos nós a permanente construção do presente utópico...
Nossa Senhora dos Prazeres, tradição católica pagã, bem no âmbito dos milagres da Galecia, serviu de quadro exemplar. A banda de Ti Baldinho assumiu as honras da bravura lusa. A inovação tecnológica despertou evocações e sonhos de passado. A boa tradição celta, do javali assado no fim de todas as aventuras, marcou todos os convivas. Gente gira, da revolução, das alternativas, dos projectos, da cooperação e da construção. Longa vida aos noivos ! Longa vida às ideias, atitudes, comportamentos, pessoas, positivas.
Foi no passado dia 25 de Abril. Dia de Luta contra a Malária em Moçambique. Dia em que Portugal celebra a construção e a destruição da utopia democratica. Celebraremos nós a permanente construção do presente utópico...
domingo, 13 de abril de 2008
TEMPO
O tempo parece não existir aqui. só acontecendo quando se passa algo.
Na velha Europa medieval, a apropriação do tempo pelos Burgueses comerciantes urbanos, em rápida ascensão económica, substituiu os sinos das torres pelos grandes relógios de pesos; numa época mais moderna, em que as comunicações promoveram a acumulação material, o tempo transformou-se em dinheiro.
Aqui, o tempo continua a ser uma dádiva para todos. Ninguém conhece a sua data de nascimento - não há um ponto temporal de partida, ninguém se preocupa com a morte - o ponto de partida não será registado.
Na velha Europa medieval, a apropriação do tempo pelos Burgueses comerciantes urbanos, em rápida ascensão económica, substituiu os sinos das torres pelos grandes relógios de pesos; numa época mais moderna, em que as comunicações promoveram a acumulação material, o tempo transformou-se em dinheiro.
Aqui, o tempo continua a ser uma dádiva para todos. Ninguém conhece a sua data de nascimento - não há um ponto temporal de partida, ninguém se preocupa com a morte - o ponto de partida não será registado.
segunda-feira, 31 de março de 2008
Pista brava
De manhã antes do nascer do sol, o capim escorre água e as pegadas muito frescas na areia mostram a passagem de Cudos, Pivas, Urupis, Changos e também do Gato bravo. Os bandos de macacos deixaram marcas fortes em áreas limitadas e os cogumelos, brancos, amarelos, vermelhos, castanhos surgem por toda a parte. Os pássaros tem cantos intrigantes e os perus selvagens fogem espavoridos. Aranhas grandes e coloridas estendem redes armadilhas no trilho.
De regresso à pista os obstaculos aumentam. Troncos enormes atravessam-se impedindo qualquer tentativa de passagem, somos obrigados a contornar embrenhados na floresta. Nesta época de chuvas, lamaçais escondidos no mato ameaçam qualquer tracção. Rios caudalosos, com pontes de troncos mal seguros, desafiam o equilibrio e a perícia; ravinas escavadas obrigam a manobras impensaveis; areias soltas e profundas provocam desafios de velocidade; a mecãnica é posta à prova; os jogos de luz baralham a vista; a atenção é levada ao rubro.
No Posto de Fiscalização de Lisse, na periferia do terreiro bem limpo, o único fiscal da reserva ainda residente, preparou na cerimónia um cone perfeito de farinha bem branca de mandioca, para afastar os maus espíritos, as cobras, os leões e os leopardos. Os hipopotamos tem destruido algumas machambas de arroz, milho e amendoin da população da comunidade envolvente do outro lado do rio. Os leões rugiram de manhã cedo hà dois dias.
A festa anunciou-se pelo grupo de mulheres a cantar. Na noite escura de céu muitíssimo estrelado, o prato de lata no topo do pote esférico de barro, cadenciadamente batido e variado, marca o ritmo da terra. O coro polifonico repetido e prolongado, atinge tons inesperados, surpeendentes, maravilhosos. As palavras traduzem-se em erotismo e destino, multiplicação e celebração. O monte Gilé perfila-se no azul universal.
De regresso à pista os obstaculos aumentam. Troncos enormes atravessam-se impedindo qualquer tentativa de passagem, somos obrigados a contornar embrenhados na floresta. Nesta época de chuvas, lamaçais escondidos no mato ameaçam qualquer tracção. Rios caudalosos, com pontes de troncos mal seguros, desafiam o equilibrio e a perícia; ravinas escavadas obrigam a manobras impensaveis; areias soltas e profundas provocam desafios de velocidade; a mecãnica é posta à prova; os jogos de luz baralham a vista; a atenção é levada ao rubro.
No Posto de Fiscalização de Lisse, na periferia do terreiro bem limpo, o único fiscal da reserva ainda residente, preparou na cerimónia um cone perfeito de farinha bem branca de mandioca, para afastar os maus espíritos, as cobras, os leões e os leopardos. Os hipopotamos tem destruido algumas machambas de arroz, milho e amendoin da população da comunidade envolvente do outro lado do rio. Os leões rugiram de manhã cedo hà dois dias.
A festa anunciou-se pelo grupo de mulheres a cantar. Na noite escura de céu muitíssimo estrelado, o prato de lata no topo do pote esférico de barro, cadenciadamente batido e variado, marca o ritmo da terra. O coro polifonico repetido e prolongado, atinge tons inesperados, surpeendentes, maravilhosos. As palavras traduzem-se em erotismo e destino, multiplicação e celebração. O monte Gilé perfila-se no azul universal.
domingo, 9 de março de 2008
Estaleiro de Democracia
DEMOCRACIA EM CONSTRUÇÃO
MOÇAMBIQUE
O processo de construção do sistema democrático em Moçambique encontra-se em fase de aceleração. Após o censo populacional de 2007 decorre actualmente o recenseamento eleitoral e em breve, pela primeira vez, as eleições Provinciais.
Os direitos e os deveres dos cidadãos vão sendo a pouco e pouco divulgados nas áreas mais periféricas e aparecem iniciativas sociais organizadas.
Na Organização Cooperativa dos Países de Língua Oficial Portuguesa destaca-se o grupo de empresas cooperativas de Moçambique, que representa um volume de negócios e de emprego muito significativo, mas ainda muito aquém do seu potencial de crescimento económico. Este seria um domínio a privilegiar em termos de cooperação para o desenvolvimento com Portugal.
Existe já actualmente um número considerável de organizações da sociedade civil nas mais variadas áreas de actividade. No entanto, uma grande maioria, não foi ainda legalmente constituída e não dispõe dos recursos necessários à devida realização dos seus objectivos. Torna-se necessário um esforço suplementar na desburocratização e diminuição de custos do processo de registo e uma capacitação prática dos membros dos corpos sociais em temas como diagnóstico de problemas, elaboração de projectos, preparação de candidaturas a programas de financiamento, articulação de parcerias, avaliação, gestão económica. A implementação dos comités de gestão de áreas comunitárias na Zambézia mostra já exemplos de sucesso, onde carvoeiros tradicionais evoluíram em modernos fruticultores. Como se pode ver aqui, o trabalho de animação de iniciativas nas bases produtivas da população moçambicana em meio rural, deve ser feito com parceiros locais experientes e comprometidos com o desenvolvimento das comunidades de base (neste caso, a Radeza, rede das associações ambientais e de desenvolvimento comunitário sustentável da Zambézia). Os conselhos comunitários de saúde, os núcleos multisectoriais para a protecção de órfãos e crianças vulneráveis e muitos mais, representam fóruns maioritariamente de iniciativa pública onde cooperativas, associações e representantes da sociedade civil ocupam posição destacada. Com uma organização suficiente apesar dos escassos recursos, a participação é elevada. As mulheres constituem a maioria das organizações de base, mas o seu protagonismo vai diminuindo à medida que se sobe na pirâmide; no entanto, é de salientar que Moçambique é um dos países com melhor proporção de mulheres na Assembleia Nacional. As vontades de aprender, agir e melhorar dominam. Falta muitas vezes a capacidade de execução prática, determinada por condicionantes internas e externas ao grupo, predominando a inexistência de financiamento. E educação para a cidadania passará forçosamente pela capacitação institucional da sociedade civil.
MOÇAMBIQUE
O processo de construção do sistema democrático em Moçambique encontra-se em fase de aceleração. Após o censo populacional de 2007 decorre actualmente o recenseamento eleitoral e em breve, pela primeira vez, as eleições Provinciais.
Os direitos e os deveres dos cidadãos vão sendo a pouco e pouco divulgados nas áreas mais periféricas e aparecem iniciativas sociais organizadas.
Na Organização Cooperativa dos Países de Língua Oficial Portuguesa destaca-se o grupo de empresas cooperativas de Moçambique, que representa um volume de negócios e de emprego muito significativo, mas ainda muito aquém do seu potencial de crescimento económico. Este seria um domínio a privilegiar em termos de cooperação para o desenvolvimento com Portugal.
Existe já actualmente um número considerável de organizações da sociedade civil nas mais variadas áreas de actividade. No entanto, uma grande maioria, não foi ainda legalmente constituída e não dispõe dos recursos necessários à devida realização dos seus objectivos. Torna-se necessário um esforço suplementar na desburocratização e diminuição de custos do processo de registo e uma capacitação prática dos membros dos corpos sociais em temas como diagnóstico de problemas, elaboração de projectos, preparação de candidaturas a programas de financiamento, articulação de parcerias, avaliação, gestão económica. A implementação dos comités de gestão de áreas comunitárias na Zambézia mostra já exemplos de sucesso, onde carvoeiros tradicionais evoluíram em modernos fruticultores. Como se pode ver aqui, o trabalho de animação de iniciativas nas bases produtivas da população moçambicana em meio rural, deve ser feito com parceiros locais experientes e comprometidos com o desenvolvimento das comunidades de base (neste caso, a Radeza, rede das associações ambientais e de desenvolvimento comunitário sustentável da Zambézia). Os conselhos comunitários de saúde, os núcleos multisectoriais para a protecção de órfãos e crianças vulneráveis e muitos mais, representam fóruns maioritariamente de iniciativa pública onde cooperativas, associações e representantes da sociedade civil ocupam posição destacada. Com uma organização suficiente apesar dos escassos recursos, a participação é elevada. As mulheres constituem a maioria das organizações de base, mas o seu protagonismo vai diminuindo à medida que se sobe na pirâmide; no entanto, é de salientar que Moçambique é um dos países com melhor proporção de mulheres na Assembleia Nacional. As vontades de aprender, agir e melhorar dominam. Falta muitas vezes a capacidade de execução prática, determinada por condicionantes internas e externas ao grupo, predominando a inexistência de financiamento. E educação para a cidadania passará forçosamente pela capacitação institucional da sociedade civil.
sexta-feira, 7 de março de 2008
Help
We need somebody's...!
Conhecidas palavras de velha musica,
já nem me lembra os artistas !
Mas acontece. Todos os dias. Em milhares de vidas reais.
As mudanças acontecem rápidamente, más e boas. Façamos difundir a consciencia dos direitos e a informação indispensável, apoiemos a educação para a vida e a inteligencia prática, cultivemos a nossa realização eficiente, a aprendizagem da diferença e a dialectica do desenvolvimento. A raça precisa de apoio.
Conhecidas palavras de velha musica,
já nem me lembra os artistas !
Mas acontece. Todos os dias. Em milhares de vidas reais.
As mudanças acontecem rápidamente, más e boas. Façamos difundir a consciencia dos direitos e a informação indispensável, apoiemos a educação para a vida e a inteligencia prática, cultivemos a nossa realização eficiente, a aprendizagem da diferença e a dialectica do desenvolvimento. A raça precisa de apoio.
sábado, 1 de março de 2008
Boa vontade
Boa vontade, sinceridade e respeito, são as qualidades que o treinador Caboverdiano considera necessárias para o sucesso dos desportistas das 10 ilhas. Simples, directo e eficaz este povo exemplar da raça. Fazer é melhor maneira de dizer.
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008
Descentralização
A equipa chega pela terceira vez ao Centro de Saúde da sede do segundo Posto Administrativo do Distrito. A enfermeira, em Etxwabo, dirige-se a cerca de 60 pacientes reunidos rápidamente a partir dos 3 núcleos de acção mais frequentados na unidade (consulta criança saudável, consulta pre-natal, triagem) sobre a transmissão, a prevenção e a fisiopatologia do VIH, a vantagem do teste e os serviços do Hospital de Dia. 30 voluntários aceitam fazer o teste. 16 são positivos, 4 desaparecem, 12 vão à consulta, 2 recusam seguimento, 1o pretendem encarar a situação. Há pessoas corajosas.
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008
pela Saúde de Moçambique
A saúde da população moçambicana está neste momento bastante debilitada. A maioria das pessoas recorre aos praticantes de “medicina tradicional” para resolver muitos dos seus problemas, físicos e psicológicos. O sistema nacional de saúde serve menos de metade da população, em grande parte rural e isolada. A maioria dos partos decorre no domicílio, com o apoio de parteiras tradicionais. A água é inexistente na maioria dos lares. As mortalidades infantil e materna são elevadas. A malária continua a ser a principal causa de morte mas a tuberculose é também muito frequente, com alguns casos já de multi-resistencia às drogas habituais. A epidemia de VIH veio agravar a situação, reduzindo a classe produtiva, des estruturando as famílias e provocando o aparecimento de um grupo enorme de órfãos num sistema sem capacidade de cobertura pela assistência social. O Governo desencadeia um processo de formação acelerada de técnicos de saúde (em número actualmente muito reduzido para os 18 milhões de habitantes), de reabilitação da infra estrutura de prestação de cuidados e de inovação de processos. Mas na Zambézia existe 1 médico tradicional para 500 habitantes e 1 Médico convencional para 150.000. As escarificações rituais são uma prática generalizada e recorrente. A prevalência do VIH subiu a 18% e os casos de SIDA, agravados pela mal nutrição, inundam os serviços de saúde. O desafio é enorme, as respostas muitas vezes inadequadas, as estratégias demasiadas vezes alteradas, sem uma correcta avaliação de resultados, não chegando à maioria da população que não fala português. Será necessário reunir vários e importantes esforços para inverter esta situação. A construção de infra-estruturas mínimas de água, saneamento e habitação, a investigação sobre os factores disseminadores, culturais e sistémicos, a utilização de mensagens compreensíveis nos vários dialectos (32), o desenvolvimento económico das comunidades locais, a educação nutricional, a educação para a promoção da saúde, são alguns dos investimentos necessários. Todas as contribuições são benvindas. O apoio nutricional é urgente, a construção de “casas mãe espera” em materiais locais (100 euros) aumentará imediatamente o número de partos institucionais. Criatividade, persistência, solidariedade, precisam-se.
domingo, 17 de fevereiro de 2008
Feiticeiro
Vindo da Tanzania a falar swaili, instalou-se em Namacurra um novo "médico tradicional", trata tudo, abre, corta e cose os corpos, mas também faz feitiços... Na sessão pública (20 Mt o bilhete), a multidão que se acumula à porta é dominada pela companheira do artista, vestida simples salpicada de bastante sangue. Ouve-se um burburinho. Um estrondo profundo, mesmo estranho e desconhecido, de ossos, musculos e articulações, as centenas de pessoas, sobretudo jovens e crianças, que simultaneamente efectuam um movimento brusco e rápido de fuga: o feiticeiro, descalço de calções, tinha saído à porta e dado duas ou três palavras.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Florestas de Sofala
A floresta é baixa e densa, muito verde e cerrada. As trepadeiras cobrem arbustos e árvores. Muito ao longe, a serra cinzenta da Gorongosa, cumes enublados, domina a paisagem. A pista não é das piores, alguns valados profundos com água bastante, zonas de areia, nesta época bem encharcada. Ao lado, a linha do comboio, em reabilitação. Um bando de macacos pequenos dispersa-se rápidamente á direita. Um macaco grande, solitário, atravessa ao longe. O carro enterra-se, a ambulancia de Marromeu reboca para tráz e resolve a situação. Cai a protecção do carter, ata-se com uma corda. Acelera-se o veículo para evitar a noite. A Beira ainda está longe.
domingo, 27 de janeiro de 2008
sons da cidade
Escuta-se a radio cruzada de vozes amenas. As bicicletas circulam ligeiras nas ruas planas com muitos e grandes buracos, agoram bem cheios de água da chuva. Os cães, muitos e vadios, desafiam-se a ladrar. Raros carros roncam os motores. As chamadas para as oraçoes dos musulmanos nas mesquitas ecoam das torres ao longe. O avião descola uma vez ao dia. Ás vezes, a sirene do barco soa repetida do porto.
sábado, 26 de janeiro de 2008
começou o Carnaval
As barracas de paus e palha instalaram-se na praça da independencia. Músicas africanas, altas e várias, pequenos grupos que bebem cerveja, os roadies montam o palco. O "pequeno Brazil", alcunha para Quelimane, não se distrai e antes que acabem as férias, celebra o Carnaval.
Movimento inusitado de monhés em todo-terreno caros ao longo da marginal, chuva forte, relampagos muitos e trovões potentes. Funana e Coladeira, Marrabenta ou Passada, o ritmo domina.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2008
Crianças
No distrito de Namacurra, existem 4.800 órfãos no Posto Administrativo da Sede e 5.300 no Posto Administrativo de Macuse.
São várias (cerca de 40) as associações que se dedicam a este grupo vulnerável, algumas legalizadas outras informais, algumas poucas apoiadas outras em auto-gestão.
Que vamos fazer ?
São várias (cerca de 40) as associações que se dedicam a este grupo vulnerável, algumas legalizadas outras informais, algumas poucas apoiadas outras em auto-gestão.
Que vamos fazer ?
quinta-feira, 24 de janeiro de 2008
00 ZULU Missão Impossível, o Oeste do Índico
O coro de rãs, alterna na estação das chuvas, com o chiar dos morcegos no cio.
A chuva tropical refresca, os mosquitos atacam, a transpiração abundante domina.
A jangada humana, embalada pelas ondas, ameaça partir.
A lua cheia, anima os mukwiri, aparecem crianças.
Os órfãos lutam pela sobrevivencia.
A chuva tropical refresca, os mosquitos atacam, a transpiração abundante domina.
A jangada humana, embalada pelas ondas, ameaça partir.
A lua cheia, anima os mukwiri, aparecem crianças.
Os órfãos lutam pela sobrevivencia.
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